novembro 02, 2006
100 anos da doença de Alzheimer

No dia 3 de Novembro de 1906, Alois Alzheimer deu uma palestra num encontro de psiquiatria na Alemanha, onde apresentou a descrição neuropatológica e clínica de um dos seus pacientes. Esta doente, Auguste D., morreu, com 55 anos, após demência e uma história clínica de apenas 4 anos. Na descrição deste caso, Alzheimer discutiu as características clínicas desta paciente e também as patologias que observou no cérebro após autópsia, que incluíam placas e fibrilhas. Alzheimer não foi o primeiro a descrever o quadro clínico desta doença (que os gregos já haviam documentado) assim como as placas que também já haviam sido descritas por Redlich em 1898. No entanto, ele foi o primeiro a observar e descrever as fibrilhas e assim dar o seu nome a esta doença. Estes avanços foram possíveis devido ao desenvolvimento das marcações de tecidos com nitrato de prata.
As preparações, marcadas com prata, do cérebro de Auguste D. foram recentemente recuperadas e reanalisadas e a sua análise confirmou que, actualmente, utilizamos o termo Alzheimer para descrever os mesmos casos.
Desde esse dia, há 100 anos atrás, muito se tem feito para melhor compreender esta doença. Durante os primeiros anos o ênfase esteve na maior e melhor definição da doença tanto por patologistas como neurologistas. O segundo período de investigação em Alzheimer focou-se na investigação neuroquímica que levou à identificação das lesões colinérgicas (perda de células neuronais colinérgicas) na doença. As terapias correntes para a doença de Alzheimer, baseiam-se nesta descoberta, mas infelizmente, nestes últimos 100 anos poucas aplicações médicas têm feito progressos no tratamento dos doentes. Nos dias de hoje, aposta-se na análise da doença através de técnicas de biologia e genética molecular. As novas descobertas poderão ser lentamente inseridas no tratamento da doença de Alzheimer, mas muito ainda há para fazer neste segundo centenário.
SJA | 07:53 PM | Comentários (0)
outubro 26, 2006
BEHAVIOUR PATHOLOGIES
Parte da nova série de workshops do IGC, realizar-se-á, de 14 a 16 de Fevereiro de 2007 o Workshop on “BEHAVIOUR PATHOLOGIES: BIOLOGICAL APPROACHES”. O data limite para inscrições é dia 12 de Dezembro.
SJA | 10:53 AM | Comentários (4)
outubro 24, 2006
Milipeia

"Milipeia", ou "Super-Centopeia", é o novíssimo supercomputador do país que foi ligado com sucesso, na Universidade de Coimbra, na passada quarta-feira, estando agora em fase de testes. Este computador, que tem 528 processadores, sucede à Centopeia, que tinha apenas 108 e que estava a trabalhar desde 1998, e é cerca de dez vezes mais rápido. O seu rendimento sustentado é de 1,5 Teraflops (um milhão e meio de milhões de operações aritméticas por segundo). Este projecto, realizado no Centro de Física Computacional da Universidade de Coimbra, por Carlos Fiolhais, Manuel Fiolhais, Pedro Alberto e Fernando Nogueira (os "meninos" da foto), tem um investimento total que ronda os 700 mil euros, para além do custo da infraestrutura que já estava disponível.
Optou-se, primeiro na "Centopeia" e agora na "Milipeia", pela computação paralela, feita por uma bateria de processadores em paralelo. O nome das máquinas vem daí: assim como uma centopeia ou um milípede (bichos do grupo dos miriápodes) têm de movimentar todas as patas ao mesmo tempo para avançar, assim também para resolver um problema científico todos os processadores ("patas") têm de avançar ao mesmo tempo. A "Milipeia" tem um milhão de megabytes de memória, um valor cerca de 2000 vezes superior ao dos computadores pessoais à venda no mercado.
O novo supercomputador, o maior do país, vai poder ser usado por cientistas portugueses para efectuarem cálculos em áreas como a a física de partículas e nuclear, astrofísica, geofísica, bioquímica e biomedicina, estando aberto à comunidade científica. Entre os bio-projectos inclui-se um de cálculo de “folding” de proteínas realizados por bioquímicos de Coimbra e, em fase embrionária, um programa de biomedicina computacional, em colaboração com o Centro de Neurociências da Universidade de Coimbra e que envolve as Faculdades de Medicina e Farmácia daquela universidade.
Ainda que bastante poderoso, este "cluster" de computadores não consegue entrar na lista dos 500 mais poderosos do mundo , um ranking dominado pelos EUA e onde a Espanha marca presença com um sistema, o MareNostrum. Carlos Fiolhais quer mais, conforme declarou no recente encontro no Porto sobre "Novas Fronteiras das Ciências": "Gostaríamos de ter três mil processadores com cerca de dez teraflops de desempenho e gostaríamos de poder beneficiar de uma rede nacional de supercomputação. Temos de nos associar para dispor de algo maior, algo que seja competitivo à escala internacional. Querer isso não é querer a Lua, mas simplesmente querer estar no cimo da Terra."
SJA | 01:31 AM | Comentários (5)
outubro 18, 2006
Prémios IgNobel 2006

Os prémios IgNobel 2006 foram mais uma vez organizados pelo Annals of Improbable Research e entregues, em Boston, no dia 5 de Outubro. Sempre com o intuito de divertir, este ano, na sua 16ª edição os IgNobeis foram atribuídos, entre outros, à explicação científica do porquê de os picapaus não terem dores de cabeça, ao estudo da atracção de um mosquito ao cheiro do queijo e ao relatório médico da terminação do soluços por massagem (digital) anal.
O prémio IgNobel da Ornitologia foi para Philip May e Ivan Schwab que se perguntaram por que é que os picapaus não têm dores de cabeça. Os picapaus, que chegam a bater com os bicos nos troncos das árvores mais de 12000 vezes ao dia, possuem crâneos preparados para tais actividades. Possuem também um mecanismo que faz com que os seus olhos não saiam das órbitas pelo impacto do bico contra o tronco.
Na Biologia, os louros do IgNobel foram para o estudo, de Bart Knols e Ruurd de Jong, sobre a atracção do mosquito Anopheles Gambiae ao cheiro do queijo Limburger. Para além disso, estes cientistas demonstraram que a atracção do mosquito, não é só ao cheiro do queijo, mas igualmente ao cheiro a pés humanos.
O prémio IgNobel da Medicina foi atribuído a Francis Fesmire pelo seu relatório médico da cura de um caso (quase) intratável de soluços. Depois de tentar todas as soluções possíveis o Dr. Fesmire conseguiu curar o seu paciente dos soluços que o torturavam há 72 horas, efectuando uma massagem rectal com o seu dedo. Daí até à publicação e ao IgNobel foi um piscar de olhos.
Fica-nos o conselho. Nada de sustos ou beber água por um copo ao contrário. Em casos agudos de soluços já se sabe o que fazer.
SJA | 12:04 AM | Comentários (1)
outubro 12, 2006
Prémio Citomed de Investigação em Imunologia 2006

O prémio Citomed de investigação em imunologia vai ser este ano atribuído a Leonor Sarmento durante a XXXII Reunião Anual da Sociedade Portuguesa de Imunologia em Braga, no próximo sábado, dia 14 de Outubro. Este prémio, uma iniciativa conjunta da Associação Viver a Ciência, da Sociedade
Portuguesa de Imunologia e da empresa Citomed, foi atríbuido a esta cientista pelos resultados do seu trabalho sobre o efeito de Notch1 na progressão do ciclo celular.
Continue a ler "Prémio Citomed de Investigação em Imunologia 2006"
SJA | 10:14 AM | Comentários (0)
outubro 07, 2006
3º Encontro - O Ensino Informal das Ciências para as Pessoas com Necessidades Especiais
No próximo dia 12 de Outubro vai realizar-se no Pavilhão do Conhecimento - Ciência Viva, o 3º Encontro “O Ensino Informal das Ciências para as Pessoas com Necessidades Especiais”. Neste 3ª Encontro pretende-se promover o debate e a partilha de experiências entre profissionais, divulgar novos projectos e programas e discutir novas abordagens para a promoção da ciência junto das pessoas com necessidades especiais.
Este encontro focar-se-á na divulgação das várias estratégias que têm sido utilizadas nalguns centros de ciência, as quais permitem que as crianças e os jovens com necessidades especiais possam tirar o máximo de experiências, quer sociais quer cognitivas. Também se apresentarão vários projectos de divulgação científica, onde as escolas e instituições de educação especial podem recorrer e participar ao longo do ano. E por último, realizar-se-ão também workshops para informar e disponibilizar vários programas (software e sites) ligados às Ciências e Tecnologias de Informação e Comunicação que têm sido e/ou podem ser utilizados com as pessoas com necessidades especiais.
A partilha entre o museu e os professores/técnicos é indispensável para o sucesso de qualquer acção. Sem essa relação, nada ou pouco acontece!
SJA | 02:41 PM | Comentários (0)
setembro 15, 2006
Fórum Ciência e Comunicação

SJA | 10:56 AM | Comentários (0)
setembro 08, 2006
V FIIP

De 21 a 23 de Setembro decorrerá o quinto encontro do Forum Internacional de Investigadores Portugueses (FIIP), na Biblioteca Almeida Garret, Palácio Cristal, no Porto. Este encontro, dedicado ao tema da Biomedicina, reunirá cientistas de renome internacional, estrangeiros e portugueses, a exercer as suas actividades dentro e fora do país. A cerimónia de abertura, a realizar-se pelas 09H00 do dia 21 de Setembro contará com a presença do Ministro da Ciência e da Tecnología e do Ensino Superior, Prof. Doutor José Mariano Gago, e do Presidente da Câmara do Porto, Dr. Rui Rio.
Para além da comunicação dos mais recentes resultados de investigação de ponta, o encontro fornecerá um espaço para a reflexão e debate sobre o papel da Biomedicina no mundo de hoje, no que respeita à competitividade, ensino das ciências e questões de cultura científica e democracia inclusiva.
Serão abordados tópicos nas áreas prioritárias de infecção e cancro, memória e cognição, epidemias víricas, bioengenharia e bionanotecnologia. O encontro contará ainda com mesas redondas abrangendo o empreendedorismo, o futuro da engenharia biomédica em Portugal e a comunicação e ensino das Ciências da Vida.
O encontro é organizado pelo Fórum Internacional de Investigadores Portugueses, cujo objectivo é estimular a organização, a mobilidade e a internacionalização da comunidade científica portuguesa, nomeadamente através da promoção de redes temáticas de Ciências e Tecnologia. Conta com os apoios da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), a Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD) e a Fundação Calouste Gulbenkian.
SJA | 04:36 PM | Comentários (2)
agosto 17, 2006
Visualmente a Comunicar Ciência
Seguindo a tendência deste Verão, hoje trago-vos mais uma convidada. Diana Marques é uma excelente ilustradora científica freelancer e bióloga formada em Portugal e nos Estados Unidos, com experiência de trabalho em comunicação visual de ciência para o público em geral e para a comunidade científica. Divide actualmente o seu tempo entre os Estados Unidos e Portugal, colaborando frequentemente com o museu de história natural do Smithsonian em Washington e trabalhando com clientes nos dois paises. A primeira edição do Workshop de Introdução à Ilustração Científica Digital, o primeiro do género em Portugal, esteve a seu cargo e ocorreu na Faculdade de Belas-Artes de Lisboa através do Centro de Investigação e Estudos de Anatomia e Ilustração Científica entre Março-Maio deste ano. Esperamos poder contar com futuros posts da Diana. SJA

Alguma vez ouviram dizer que comunicar ciência é fácil? A favor dos comunicadores está sem dúvida a originalidade e o desconhecimento em geral dos temas por parte da audiência; mas contra, está tudo o resto: a complexidade, a linguagem específica, os mecanismos abstractos, os conceitos difíceis de transmitir e não observáveis...
Foi da necessidade de comunicar ciência e da inerente dificuldade em fazê-lo que nasceu a Ilustração Científica—a Arte ao serviço da Ciência*.
As ilustrações científicas podem ser (e muitas vezes são) obras de arte. Mas a sua finalidade primária e razão de existência é bastante mais prática: comunicar ciência visualmente, auxiliando ou substituindo as palavras escritas e orais, para o público em geral e para a comunidade científica.
São as ilustrações que expõem o que as máquinas fotográficas nunca conseguiram ver, nos livros de Biologia Celular como funcionam os receptores das membranas e nos de Geologia o interior da Terra, para não falar das ilustrações do espaço remoto ou do fundo dos oceanos; são os painéis nas paredes dos museus que nos desvendam a aparência dos dinossauros em vida e as imagens dos artigos científicos os aspectos taxonómicos de novas espécies; são os sites interactivos e as animações que cada vez mais cativam e instruem crianças e adultos sobre o mundo da ciência.
Mas a eficácia de uma ilustração científica não resulta apenas de revelar o que de outro modo não seria observável. Na verdade, cada ilustração é a consequência de um estudo estratégico: tendo em conta a audiência, o conteúdo informativo e o suporte final da mensagem, o ilustrador edita a informação que recolheu de muitas e diferentes fontes e cria uma imagem cientificamente rigorosa, clara e apelativa, que é fácil e eficazmente assimilada.
Será que não existe alguma subjectividade no processo de edição da informação? Sim, com certeza. Por isso é que um ilustrador científico profissional tem uma preparação académica cientifica e artística e trabalha, de um modo geral, em contacto próximo com cientistas. A preocupação primária é o rigor científico, os aspectos estéticos são cuidadosamente tidos em conta de modo a não interferir com o conteúdo e apenas melhorar a sua transmissão.
Em Portugal a ilustração científica já deu os seus primeiros passos e não é arriscado dizer que há algum reconhecimento da sua existência. Workshops e cursos de ilustração científica de técnicas tradicionais e agora também de técnicas digitais ocorrem periodicamente e cada vez mais existe interesse em contar com o trabalho dos ilustradores para a valorização e capacitação da comunicação científica.No entanto, a falta de informação e ideias pré-concebidas sobre o seu uso, custos e aplicações, continuam a interferir com o papel importante que a ilustração científica pode desempenhar.
Um pouco por todo o mundo, institutos de ciência, museus, editoras e media contam com os serviços permanentes ou periódicos de ilustradores científicos e estudantes e cientistas são habilitados durante a sua formação a comunicar melhor visualmente. Como em várias outras situações, temos de olhar para fora das nossas fronteiras e seguir os exemplos de sucesso, procurar optimizar os nossos recursos para melhorar a eficácia dos nossos projectos.
Da parte dos ilustradores os esforços de sensibilização e divulgação vão com certeza continuar e vocês, da próxima vez que jocosamente vos perguntarem “queres que te faça um desenho?”, já sabem o que hão de responder... “Sim!”
Texto e ilustração de Diana Marques (*alguns dos conceitos usados foram extraídos do livro “The Guild Handbook of Scientific Illustration”, editado por Elaine Hodges, John Wiley and Sons, 2003)
SJA | 08:23 AM | Comentários (3)
agosto 10, 2006
Workshop Comunicar Ciência 2006

De 27 a 30 de Setembro de 2006 vai realizar-se no Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC-INEB), Porto, o terceiro workshop Comunicar Ciência. Este workshop é dirigido a todos os cientistas portugueses e tem como objectivo principal melhorar a comunicação entre os investigadores científicos portugueses, os meios de comunicação e o público.
Este ano, o Comunicar Ciência seguirá os mesmos moldes dos seus antecessores, que tiveram lugar no IGC, em Setembro de 2003 e 2005. Desta feita, está também a ser organizado pelas organizadoras de anos anteriores, eu, a Mónica Bettencourt Dias e a Ana Paula Coutinho, e também por Julio Borlido Santos (do IBMC, Porto).
16 cientistas portugueses de qualquer área, participarão em 3 dias e meio de actividades abrangendo as várias vertentes da comunicação de Ciência para audiências não técnicas. Em suma, aprenderão a escrever comunicados de imprensa e notícias científicas, como preparar/agir durante uma entrevista e como comunicar e organizar actividades para/com vários públicos. Analisarão também várias formas de comunicar situações de risco em ciência.
As inscrições estão abertas até dia 5 de Setembro e poderão ser feitas aqui, onde também se encontra mais informação sobre o workshop.
SJA | 02:03 PM | Comentários (0)
agosto 09, 2006
Os melhores blogues de ciência

Apesar de raros, os blogues de ciência espalhados por esse mundo fora, ainda vão sendo lidos. A revista Nature publicou no passado mês de Julho o top 5 dos blogues científicos. De acordo com Technorati, cinco blogues de ciência (dos mais de 40 milhões indexados) chegaram ao top 3500.
O blog de ciência com a posição mais elevada nesta lista é Pharyngula. Em 179º lugar, este blogue é obra de Paul Myers, um biólogo da Universidade de Minnesota. Com cerca de 20000 visitas por dia, este blogue mistura evolução com política, uma mistura algo explosiva para os EUA. Num comentário à Nature, Myers falou da importância, para a popularidade do seu blogue, de saber escrever como conversasse num bar e não como se escrevesse um artigo científico.
Os outros quatro blogues mais lidos (mas a grande distância da Pharyngula) são:
-The Panda's thumb (posição 1647)
-The Real Climate (posição 1884)
-Cosmic Variance (posição 2174)
-The Scientific Activist (posição 3429)
SJA | 11:29 PM | Comentários (1)
agosto 03, 2006
Significados duvidosos!
Hoje, a Fátima Alves, escreve-nos sobre acessibilidade. Estas perguntas são muito importantes quando, por exemplo, pensamos na organização de eventos de ciência para todos os públicos. SJA

Pictograma “reservado e/ou adaptado às pessoas com deficiência" (particularmente: pessoas com mobilidade condicionada = pessoas que permanente ou temporariamente estão em cadeira de rodas mas que facilita em muito as pessoas com carrinhos de bebé, pessoas com canadianas ou outros aparelhos de auxílio motor e pessoas com condições que reduzem a mobilidade sem que seja visível).
O Pictograma acima, universalmente conhecido, é sobretudo encontrado nos lugares de estacionamento ou para indicar os equipamentos adaptados (WC, elevadores, rampas etc…). Mas atenção! Mesmo com esta sinalização não quer dizer que a pessoa que se desloca em cadeira de rodas possa ter acesso ao sítio. Surgem várias situações das mais caricatas, tais como, conseguir estacionar mas um degrau da entrada não permitir andar para a frente, ou então, um pequeno degrau de 4 cm sem utilidade nenhuma pode contribuir para a queda das pessoas e limitação da pessoa em cadeira de rodas! A utilização obsessiva de degraus é abismal e a resolução destes por rampas tem principalmente uma versão radical (somente para pessoas que praticam desportos radicais).
Algumas questões relativas a pessoas com mobilidade condicionada:
- Existe transporte público acessível junto do sítio?
- Existe estacionamento reservado a pessoas com mobilidade condicionada?
- É possível uma viatura ou táxi deixar a pessoa junto à entrada do sítio?
- A porta da entrada principal permite o acesso?
- A circulação horizontal (largura dos corredores, espaço de viragem, planos inclinados, sinalização de obstáculos, abertura de portas, interruptores etc…) é segura e possível?
- A circulação vertical (escadas, sinalização dos degraus, rampas, corrimão, elevadores etc…) é segura e possível?
- Existem WC adaptados?
- Existem telefones a várias alturas?
- O bar é acessível, isto é, é possível chegar a ele?
- A sala ou o auditório permitem o seu acesso?
- Evacuação em caso de emergência, como?
- (…)
Eventualmente, algumas ou muitas destas questões poderão ser resolvidas com a prevenção, isto é, sabendo exactamente a situação com apoio externo (avaliação que pode ser obtida através das câmaras / associações - entidades / pessoas especializadas); poderão ser criadas soluções económicas a curto prazo ou escolher salas de mais fácil acesso. Portanto, há que tomar medidas, com um plano adequado de forma a resolver de forma definitiva estas falhas.
O importante é ter uma informação credível e que possa e deva ser divulgada de forma a não criar expectativas erradas.
Um conselho! Experimente sentar-se numa cadeira de rodas e faça o percurso desde o seu carro até e dentro do seu local de trabalho. Verifique até onde consegue chegar. Garanto-lhe desde já, uma mudança na sua percepção.
Por fim, nunca é demais repetir que a acessibilidade é uma condição essencial para a segurança, autonomia e inclusão social de todas as pessoas em qualquer espaço.
Alguns sites para consulta:
http://www.un.org/esa/socdev/enable/designm/
http://www.eca.lu/publications.php
2010 Uma Europa Acessível a Todos:
http://europa.eu.int/comm/employment_social/index/final_report_ega_en.pdf
Perguntas/Informações: comunicar.ciencia.ne@gmail.com
Texto de Fátima Alves
SJA | 02:54 PM | Comentários (1)
julho 26, 2006
Debate na LPN

No Dia Nacional da Conservação da Natureza, 28 de Julho, a LPN comemora o seu 58.º aniversário, assinalando a data com a realização de um debate sobre o tema “A Conservação da Natureza e da Biodiversidade - Os Meios de Comunicação Social e a Sociedade Civil”.
As questões relacionadas com a Conservação da Natureza são muitas vezes complexas e exigentes, obrigando a soluções de consenso, num balanço que só é aceite numa sociedade informada e participativa.
Partindo de alguns exemplos concretos, pretende-se discutir e escrutinar as razões para a existência de algumas lacunas na passagem da mensagem dos especialistas e das ONGA através da comunicação social.
Consciente das potencialidades que a comunicação social tem enquanto fonte de informação sobre ambiente e ciente do seu poder na influência da opinião pública, a LPN procura, com este debate, encontrar formas de ultrapassar essas lacunas.
A LPN desafia todos quantos queiram contribuir para enriquecer este debate, que conta já com nomes respeitados dos vários quadrantes, da comunicação social, aos representantes das ONGA e outros representantes da sociedade civil.
17h - Abertura
Presidente da LPN, Eugénio Sequeira
17h15 – O papel da Comunicação Social: desafios e dificuldades
Pedro Brinca (Setúbal na Rede)
Carla Tomás (Expresso)
17h30 – Debate moderado por Mário Batista Coelho
19H – Bolo de aniversário da LPN
Importante - Agradece-se confirmação de presença até ao final do dia de hoje.
Tel: +351 217 780 097
E-mail: lpn.natureza@lpn.pt
SJA | 04:05 PM | Comentários (0)
julho 22, 2006
Porque se fala cada vez mais em Acessibilidade?
Hoje, a Fátima Alves, explica-nos o conceito de acessibilidade.SJA

Desde sempre, têm existido pessoas de todas as “maneiras”, no entanto, insistimos em criar um mundo só para alguns ou para a maioria (como se costuma dizer), isto é, pessoas “normais”. Desta generalidade, foi-se criando e restringindo o acesso ao espaço e à participação/utilização de bens públicos e privados. Consequentemente, a visibilidade da diferença/diversidade tantas vezes referida como essencial na evolução da espécie humana, tornou-se invisível e/ou associada à boa vontade ou infortúnio.
Hoje, com 10% da população mundial apresentando necessidades especiais e uma sociedade cada vez mais envelhecida, começamos a sentir na pele esta indiferença “fermentada” por tantos anos.
O conceito de acessibilidade tem um significado vasto, mas que se resume a que qualquer pessoa possa usufruir de forma autónoma e tirar o máximo da oferta de qualquer espaço ou sítio. Temos tendência a pensar que a acessibilidade só tem a ver com pessoas com deficiências ou que então trata apenas do acesso arquitectónico. A prática diz-nos que são bem mais as pessoas que este conceito envolve.
Para que qualquer pessoa (funcionários, colaboradores e público externo) possa entrar, estar e participar activamente em todo espaço é preciso reunir várias condições:
ACESSO EXTERNO (componente física e informativa)
ACESSO INTERNO (componente física, informativa e participativa)
Sabermos que meios de transporte, estacionamentos, entradas (degraus, rampa, elevador), que informações nos diversos meios de divulgação (site, folhetos, poster etc…), que conhecimentos acerca do nosso público devemos saber e vice-versa, que condições temos e o que podemos melhorar a curto ou médio prazo; estas e muitas outras questões poderão fazer a diferença, isto é, se estamos realmente a desenvolver um trabalho para Todos ou então apenas para as Pessoas do costume.
Texto de Fátima Alves
SJA | 03:16 PM | Comentários (1)
julho 19, 2006
NANOTECNOLOGIA, O FUTURO VEM AÍ!

Voltamos a ter a honra de ter um texto de Carlos Fiolhais aqui no Conta, desta vez um original escrito de propósito para nós. Espero que gostem e que, brevemente, tenhamos mais! SJA
“Nano” é uma expressão que está em moda. O prefixo “nano” está, desde há algum tempo, a proliferar não só nos títulos de artigos científicos e patentes tecnológicas (a tal ponto que a mera inclusão de “nano” no título aumenta logo a probabilidade de publicação ou de aceitação do registo...) mas também nos títulos de jornais (já chegou até às primeiras páginas dos tablóides). De onde vem essa moda? O que tem o nano de novo?
Nanometro é um milionésimo do milímetro, ou, se se preferir, um milésimo do mícron. Se uma pequena formiga tem cerca de um milímetro de tamanho, uma célula dela tem alguns milésimos de milímetro e uma molécula orgânica tem apenas alguns milionésimos de milímetro. O mícron é a escala celular ao passo que o nano é a escala molecular. Se o insecto se vê a olho nú, uma célula dela só pode ser observada com um microscópio óptico e a molécula de DNA, no núcleo da célula, só desvenda os seus segredos mais íntimos com microscópios especiais. A molécula de DNA é bastante longa, mas a sua largura é apenas de alguns nanómetros. É elegantíssima!

As máquinas-ferramentas da vida cujas estruturas e, portanto, funcionalidades, estão codificadas no DNA – as proteínas - têm o tamanho do nano. O nano é a escala das estruturas biológicas e, nesse aspecto, não há nada de novo. Estruturas desse tipo, muito complexas e por vezes ainda mal conhecidas, foram fabricadas pela Natureza, ao longo do lento processo evolutivo sem haver recurso à mão humana (a biotecnologia só recentemente explora a possibilidade de o homem interferir nos blocos constituintes dos seres vivos). Mas agora há algo de novo, de espectacularmente novo... Conhecendo bem os átomos e as suas ligações – e, lembremo-lo, toda a química e toda a biologia assentam na possibilidade de os átomos se ligarem em moléculas, isto é, de os átomos “gostarem” de estar juntos – os cientistas conseguem hoje associar, com um dado propósito, os átomos, formando novas moléculas e também novos materiais.
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SJA | 05:21 PM | Comentários (13)
julho 13, 2006
Quem tem necessidades especiais?
Continuamos hoje com mais uma contribuição da Fátima Alves. SJA

Como disse no meu post anterior, trabalho há já alguns anos na comunicação/divulgação da Ciência para as pessoas com necessidades especiais, em particular, pessoas em cadeira de rodas, pessoas cegas/baixa visão, pessoas surdas e pessoas com deficiência mental. Por isso, parece-me essencial, dizer o que significa pessoas com necessidades especiais.
São pessoas, de todas as idades, que estão impossibilitadas de executar, independentemente e sem ajuda, actividades humanas básicas ou tarefas resultantes da sua condição de saúde ou deficiência física/mental/cognitiva/ psicológica, de natureza permanente ou temporária, ou seja:
1) Utilizadores de cadeiras de rodas;
2) Pessoas que têm dificuldade em andar, com ou sem ajuda;
3) Pessoas idosas debilitadas;
4) Os muito jovens (com menos de 5 anos de idade);
5) Pessoas que sofrem de artrite, asma, ou problemas de coração;
6) Pessoas com deficiência visual e/ou auditiva;
7) Pessoas que têm uma deficiência cognitiva, incluindo demência, amnésia, lesão cerebral ou delírio;
8) Mulheres em estado avançado de gravidez;
9) Pessoa com deficiências derivadas do uso de álcool, ou outras drogas como cocaína e heroína, e alguns medicamentos;
10) Pessoas que perderam total ou parcialmente as capacidades relacionadas com a linguagem (afasia);
11) Pessoas deficientes devido à exposição à poluição ambiental e/ou irresponsabilidade da acção humana.
Como podem ver, a listagem é grande!
Tenho-me concentrado em quatro delas: mobilidade / cegueira / surdez e deficiência mental. Porquê? Além da falta de tempo, tenho-me dado conta que ao criar condições/soluções para as pessoas que têm uma destas quatro deficiências, as melhorias são consideráveis no seu todo. Brevemente, nos próximos posts, irei referir algumas destas situações.
Fátima Alves
SJA | 05:44 PM | Comentários (1)
julho 10, 2006
Ciência para Todos?
No seguimento de um comentário ao post da Ana Coutinho, e devido ao excelente trabalho que exerce no Pavilhão do Conhecimento, convidei a Fátima Alves a colaborar connosco. A Fátima faz parte do Ciência Viva onde desenvolve projectos de divulgação de ciência para públicos com necessidades especiais. Para esta colaboração, abrimos uma categoria nova à qual chamamos Ciência para Todos. Esta categoria não é só para a Fátima, mas extendo desde já o convite a quem queira escrever sobre as suas experiências em comunicação com diferentes audiências.
Acordei hoje com uma boa sensação e inspirada para viver intensamente este belo dia de sol em Lisboa, mesmo que seja a trabalhar!
Nunca pensei que ao começar este projecto, repleta de preconceitos, que trabalhar na comunicação/divulgação de ciência para as pessoas com necessidades especiais se tornasse num dos meus maiores desafios profissionais e pessoais (não, não tenho familiares com necessidades especiais). A descoberta deste variadíssimo público mudou para sempre a minha visão do mundo e das pessoas. A satisfação de ir conhecendo pouco a pouco estas diferenças, das quais todos vamos fazendo parte mas poucos reconhecem, fortaleceu a minha convicção de estar no caminho certo. E porque tudo tem sempre um outro lado, o estar associada a este público colocou-me numa situação deveras movediça. Poucos acreditam seriamente que as pessoas com necessidades especiais têm, neste mundo, o seu real lugar.
Por isso, neste espaço, tentarei expôr passo-a-passo ideias, reflexões, bons e maus exemplos sobre tudo o que envolve a comunicação de ciência para pessoas com necessidades especiais. Por favor, não hesitem em colocar-me todas as questões que tenham, tanto aqui nos comentários como para o meu email. Aos que vivem fora de Portugal e estão atentos, peço que tragam também o que vai sendo feito de novo e diferente nesta área.
Fátima Alves
SJA | 09:51 AM | Comentários (2)
julho 07, 2006
POR QUÊ SÓ BONS NA BOLA?
Hoje temos outro convidado. Carlos Fiolhais é Físico (oh, não, um físico a escrever num blog de Biologia!) e um excelente comunicador de ciência que não necessita apresentações. Este desabafo sobre futebol foi escrito para o Campeão das provincias, depois da vitória de sábado, mas pareceu-me boa ideia pô-lo aqui também (apesar da recente derrota), com os devidos agradecimentos.

O futebol é um jogo simples baseado nas leis da física. E não é preciso invocar a física mais moderna (que é necessária para transmitir audiovisualmente os jogos), mas sim e apenas a velha física de Newton. A bola é um projéctil sujeito às leis da mecânica que se aprendem na escola.
Armando Vieira, um físico doutorado na Universidade de Coimbra, publicou recentemente um artigo numa revista norte-americana em que explicava um efeito estranho no pontapé. Essa contribuição portuguesa para a ciência do futebol não passou despercebida aos “media”: o “Público”, a SIC e a Sport-TV entrevistaram-no (na última junto com o ex-goleador Mário Jardel).
Os ingleses também estudam a ciência do golo. O último “Expresso” noticiava que um físico inglês, Ken Bray, da Universidade de Bath, tinha analisado no seu livro
“How to score” (“Como marcar golos”) a melhor forma de marcar penaltis. Pesquisando jogos como o do Portugal-Inglaterra do Euro 2004, concluiu que há zonas que são alvos indefensáveis, pois estão fora do alcance do guarda-redes.
Continue a ler "POR QUÊ SÓ BONS NA BOLA?"
SJA | 12:39 PM | Comentários (1)
julho 06, 2006
A Ciência, o público, a cultura científica...e os profissionais da comunicação de ciência
Hoje temos mais uma convidada. Transcrevo aqui um artigo da Ana Coutinho, adaptado de um outro que foi publicado na Revista da Sociedade Portuguesa de Bioquímica. A Ana Coutinho é Scientific Communications Officer do Institute for Stem Cell Research (Edinburgo, Reino Unido), colaboradora para a Comunicação de Ciência do Instituto Gulbenkian de Ciência (Oeiras) e membro da Direcção da Associação Viver a Ciência. Comigo, organiza eventos de comunicação de ciência e co-editou o novo guia Comunicar Ciência.

Era Quinta-feira e eu aguardava a minha vez de pagar as compras da semana, no supermercado. Reparei que a funcionária perguntara ao cliente à minha frente se tivera um bom dia, ao que o cliente respondeu com um murmúrio inaudível. Chegada a minha vez, imaginem a minha surpresa quando a funcionária me fez a mesma pergunta:
- Teve um bom dia?
- Sim, obrigada - respondi eu.
- Tem planos para o fim de semana?
(Tenho reparado que os escoceses têm muita curiosidade sobre o que os outros têm planeado para o fim de semana).
- Por acaso - respondi eu - vou a Bruxelas em trabalho.
- Que bom! O que faz?
- Trabalho em comunicação de ciência.
Um olhar em branco. Obviamente, “comunicação de ciência” não lhe dizia muito. Tentei uma nova abordagem:
- Trabalho num instituto onde se faz investigação científica. Dou a conhecer o que lá se faz a jornalistas, estudantes, professores, o público em geral.
- Ah - disse ela - é relações públicas.
- Sim - respondi eu, com um suspiro - sou relações públicas.
- Então bom fim de semana.
Agradeci e parti com um sorriso nos lábios – não é todos os dias que a funcionária da caixa de um grande supermercado mostra interesse pelo nosso bem-estar!
Para além deste incidente, têm-me acontecido outros, no último ano, que me levam a concluir que, mesmo aqui no Reino Unido, onde o movimento da chamada “compreensão pública da ciência” é tão activo, há muitas pessoas que não sabem o que é fazer comunicação de ciência por profissão. Permitam-me contar mais um destes incidentes, em poucas palavras.
SJA | 02:31 PM | Comentários (6)
julho 05, 2006
Dolly

Faz hoje 10 anos que nasceu a ovelha Dolly. Dolly, que foi abatida em 2003, foi o primeiro mamífero a ser clonado a partir de células de um adulto.
SJA | 10:16 AM | Comentários (3)
junho 30, 2006
Previsão estatística

A febre dos golos também pode ser científica. Assim, um grupo de matemáticos publicou a demonstração de que quando uma equipa marca o primeiro golo, tem mais hipóteses de vir a marcar muitos mais, devido, a factores tais como a maior confiança da equipa nas suas capacidades. Isto significa que as equipas não marcam sempre um número de golos proporcional às suas capacidades futebolísticas, mas sim são empurradas para a glória depois de marcarem um ou dois golos consecutivos.
Este efeito é menos notório em competições como o Campeonato do Mundo do que, por exemplo, nas ligas de cada país. Provavelmente, isto deve-se a um maior grau de competência e igualdade de qualidades das equipas que chegam às finais.
Resta-nos esperar que, amanhã, PORTUGAL marque um primeiro golo bem cedinho e que a esse primeiro se sigam muitos mais!
SJA | 11:23 AM | Comentários (1)
junho 28, 2006
Do Expresso
Portugal evita ‘fuga de cérebros’
PORTUGAL está a atrair cada vez mais cientistas estrangeiros. Os últimos dados da Fundação para a Ciência e Tecnologia relativos a 2000/2006 mostram que o número de doutorados estrangeiros a quem foram atribuídas bolsas para fazerem investigação no nosso país (753), supera largamente os portugueses bolseiros a fazerem investigação no estrangeiro (345), o que é uma realidade inteiramente nova.
Jornal O Expresso, edição de 24 de Junho de 2006, primeira página.
Mesmo que estes dados sejam referentes apenas às bolsas de pós-doutoramento da FCT, custa a crer que os números sejam verdadeiros. No entanto, é díficil ter acesso ao número total de bolseiros da FCT. Em todo o caso, a maioria dos doutorados a trabalhar no estrangeiro não é financiada pela FCT, o que implica que Portugal não está verdadeiramente a evitar a "fuga de cérebros"...
SJA | 10:43 AM | Comentários (3)
junho 26, 2006
Exposição de ilustração científica

Está aberta ao público, desde dia 22 de Junho, uma exposição de ilustração científica no Museu Nacional de História Natural em Lisboa, composta pelos trabalhos de alunos do Dr. Pedro Salgado da Faculdade de Belas Artes e do Instituto de Artes e Ofícios da Universidade Autónoma de Lisboa dos últimos dois anos. Os trabalhos expostos incluem ilustrações nas suas versões finais, bem como uma variedade de exercícios de técnica, estudos preparatórios e cadernos de campo.
Algumas obras (excelentes, digo-vos já) de Diana Marques também estão expostas. Diana Marques é ilustradora científica profissional, embora não faça parte deste grupo de alunos da FBAUL.
A exposição, que vai estar aberta ao público até 7 de Julho, conta com os patrocínios da Reitoria da Universidade de Lisboa e da Associação de Antigos Alunos da FBAUL. Mais informações na página do Museu Nacional de História Natural.
SJA | 09:43 AM | Comentários (3)
junho 15, 2006
O guia Comunicar Ciência

O novo guia Comunicar Ciência é um 2 em 1. De um lado, um guia prático, com dicas de como melhor comunicar ciência, do outro, um guia teórico, com algumas bases do “Porquê comunicar”.
Os conteúdos deste guia foram editados (por mim, pela Mónica Bettencourt Dias e pela Ana Godinho Coutinho) a partir do material de apoio apresentado no workshop Comunicar Ciência, realizado no Instituto Gulbenkian de Ciência em 2003. A parte prática do guia contém conselhos a utilizar quando se fala com os media, por exemplo, o que fazer quando se é entrevistado. Aposta também em como chamar a atenção dos media sobre o nosso trabalho e em como comunicar directamente com o público. A parte teórica foca os temas da comunicação da ciência, as bases e a história da comunicação, de uma forma resumida.
O guia, é em formato A5 e contém apenas 24 páginas. Destina-se a cientistas de todos os ramos, quer possuam ou não um interesse forte em comunicar o seu trabalho. Afinal, quem sabe se amanhã um jornalista não lhe telefonará a pedir que faça uma entrevista!
O guia estará disponível para download em formato PDF no website Comunicar Ciência num futuro próximo. Os cientistas interessados em receber este guia pelo correio, por favor enviem um email, explicando as razões por que gostariam de ter o guia e especificando uma morada postal para info@comunicar-ciencia.org.
SJA | 10:41 AM | Comentários (3)
junho 08, 2006
O primeiro encontro de Comunicação de Ciência

O primeiro encontro de Comunicação de Ciência, em Portugal, realizou-se no passado dia 3 de Junho, no Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC), em Oeiras. A ideia de organizarmos este encontro emergiu dos workshops de treino em Comunicação de Ciência que fizemos em 2003 e 2005. Durante estes dois workshops, tanto nós como os participantes, concluímos que era necessário mais interacção entre as pessoas interessadas em comunicação de ciência em Portugal. Hoje em dia, uma parte significativa da comunidade científica portuguesa tem vindo a demonstrar um grande interesse na comunicação da sua investigação a audiências não técnicas. Por estas razões, tornou-se urgente encontrar um espaço para discutir projectos, partilhar ideias e fomentar o contacto entre os intervenientes na comunicação de ciência em Portugal.
O encontro começou com as palavras simpáticas do nosso anfitrião, António Coutinho, seguindo-se uma apresentação da parte da organização (eu, a Mónica Bettencourt Dias e a Ana Paula Coutinho). O pontapé de saída foi dado pelo Ben Johnson da Graphic Science que nos falou, durante meia hora, do programa “Meet the scientist” que (claro, por si só merece um post) desenvolve no Reino Unido.
Em seguida, passámos à primeira sessão com quatro apresentações orais, seleccionadas dos abstracts recebidos. O “chair” foi João Caraça (FCG) e as apresentações versaram diversos modos de comunicar ciência a públicos muito diferentes. A Ana Sanchez (ITQB) fez uma pequena reportagem sobre os dias abertos do ITQB; o Paulo Ribeiro-Claro (UA) falou-nos da popularização da disciplina da química e de como atrair mais estudantes para a Química; seguiu-se-lhe a Isabel Ferreira (UM) que descreveu a inovadora exposição “Física na cidade”; no final da sessão, a Ana Paula Santos descreveu o dia, e um projecto inovador, em que o ITQB abriu as suas portas a públicos com necessidades especiais.
Depois do almoço, a segunda sessão tinha como “chair” Carlos Fiolhais e começou com duas investigadoras das ciências sociais: Anabela Carvalho veio falar-nos da sua investigação sobre a aceitação e as reacções do público português ao tema da mudança climáticas e Rosa Gomes apresentou o seu trabalho sobre educadores de infância como comunicadores de ciência. Em seguida, José Xavier apresentou o mega-projecto de comunicação que tem a ver com a participação portuguesa no Ano Polar Internacional 2007-2008. Para finalizar esta sessão, tivemos a honra da presença de Maria Mota, que veio falar-nos dos projectos da Associação Viver a Ciência.

A última sessão começou com uma apresentação de meia-hora, de Anna Lacey, sobre o projecto de rádio/podcast “The Naked Scientists”, que teve um dos seus moments altos perto do final, quando da audiência perguntaram à Anna se a equipa gravava os programas mesmo sem roupa! Depois vieram as fantásticas apresentações da sessão de SciArt com Ana Moutinho, como “chair”. Judite Dias descreveu o seu novo projecto de ciência e teatro; Diana Marques apresentou o seu trabalho como ilustradora científica e Marta Menezes falou-nos do novo projecto Ectopia.
Para finalizar, Lígia Amâncio da FCT, fez os comentários finais ao encontro e, de seguida, Elisabete Caramelo, apresentou o nosso novo Guia de Comunicação de Ciência (que também merecerá um post só para ele).
Depois deste longo dia, bebemos e comemos uns aperitivos no terraço da cantina do IGC (aquele onde estão expostos as marcas, em cimento, das mãos e pés do Thiago, das mãozinhas da Ana Coutinho e de umas outras mãos não identificadas)!
Um dia bem passado onde se testemunhou tudo o bom que se passa em comunicação de ciência em Portugal. Infelizmente, notou-se a ausência de muitos projectos financiados pelo programa Ciência Viva, mas talvez a divulgação não tenha chegado a todos. Ficou presente a necessidade de mais colaborações entre os comunicadores científicos e as pessoas que fazem investigação em comunicação de ciência. E, claro, a necessidade de organizar mais eventos deste género.
Resta dizer que estamos todos agradecidos à Fundação para a Ciência e para a Tecnologia e ao British Council que financiaram esta nossa iniciativa. Agradecemos também à Fundação Calouste Gulbenkian, ao Instituto Gulbenkian de Ciência e à (nossa) Associação Viver a Ciência pelo apoio que nos deram.
Esperamos que este tenha sido o primeiro de muitos destes encontros.
SJA | 10:56 PM | Comentários (5)
junho 01, 2006
V FIIP

Organizado pelo Fórum Internacional de Investigadores Portugueses o V Encontro FIIP terá lugar no Porto, em Setembro. Esta associação tem por objectivo constituir um espaço de divulgação e aproveitamento do potencial e recursos científicos portugueses dentro e fora de Portugal, e estimular a mobilidade e a internacionalização da comunidade científica portuguesa.
No V encontro FIIP, a realizar-se de 21 a 23 de Setembro de 2006 na Biblioteca Almeida Garrett, no Porto, apresentar-se-ão temas da maior importância e actualidade para a Saúde, Medicina e Sociedade, em Simpósios coordenados por cientistas, de forma aberta e convidativa à compreensão e discussão por não-especialistas.
Para mais informação e pormenores sobre como participar, bem como para a própria inscrição, ir, por favor, a: http://www.up.pt/fiip2006
SJA | 10:58 AM | Comentários (1)
maio 19, 2006
DIA ABERTO NO INSTITUTO GULBENKIAN DE CIÊNCIA
Hoje deixo-vos aqui o relato da Sofia Cordeiro, a coordenadora da comunicação de ciência do IGC, sobre o dia aberto do passado dia 13 de Maio. SJA
“Eu acho que isto foi bué fixe e é por isso que vou ser cientista”

“Posso confessar-lhe que desde sábado, a minha cozinha se transformou num laboratório onde se preparam as mais diversas "poções" e os livros sobre ciência foram tirados das prateleiras”, escreve num e-mail emocionado Paula Faria, mãe da Rita, de 8 anos. Estas foram duas das visitantes do Dia Aberto do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC) que decorreu no passado dia 13 de Maio, sábado. O mote deste ano era “destino: ciência!” e propunhamos aos visitantes que viajassem com os cientistas pelos avanços na área da Biomedicina que se vão fazendo no Instituto. Num dia que convidava à praia e suplantando as expectativas, mais de 1300 pessoas aceitaram o convite de visitar o IGC, das quais cerca de 500 eram crianças, ansiosas por conhecer os cientistas e a ciência que se faz neste Instituto.
Tirar cientistas do laboratório para receber o público não é tarefa fácil. Há sempre a reticência do tempo perdido de uma experiência para algo que não se materializa num paper. Mas a verdade é que, para os cientistas que já tinham participado no ano passado, a recompensa era conhecida e muito apetecida. O ambiente vivido nos dias anteriores ao Dia Aberto do Instituto Gulbenkian de Ciência foi de um entusiasmo colectivo, muito motivante, com novas ideias a surgir à última da hora e muita vontade de receber quem nos visita à procura do “futuro”. Foi assim que 130 cientistas do IGC se mobilizaram para um dia diferente. No fim do dia, cansados, ficaram ainda num pequeno convívio, trocando as experiências e impressões de um dia diferente. Mesmo aqueles que já tinham participado se confessam mais uma vez agradavelmente surpreendidos pela grande afluência de público e pelas reacções dos visitantes. Desde as crianças mais pequenas, que nos apanham desprevenidos com as observações mais engraçadas, aos adultos que os acompanham e vêm também eles com uma vontade grande de conhecer e uma curiosidade que traz de novo um brilho de criança aos seus olhos.
Continue a ler "DIA ABERTO NO INSTITUTO GULBENKIAN DE CIÊNCIA"
SJA | 06:48 PM | Comentários (0)
maio 12, 2006
Dia Aberto IGC

Ciência é o desafio que o Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC) lança amanhã, dia 13 DE MAIO, entre as 10h e as 17h, num DIA ABERTO em que os visitantes podem fazer experiências divertidas, ver exposições e filmes científicos, conhecer os investigadores e a ciência que fazem, como e porquê.
Os visitantes de todas as idades são convidados para uma viagem pelos avanços na Biomedicina, em áreas como genética de doenças, o autismo ou diabetes, acidentes vasculares cerebrais, doenças auto-imunes, desenvolvimento embrionário de plantas e animais, ou a evolução dos organismos vivos. Lado a lado com os cientistas do IGC, os participantes vão poder dar passeios guiados pelos laboratórios, descobrir como se faz ciência, observando as células, tecidos e os organismos, extraindo ADN de morango tal como se faria no laboratório para analisar, por exemplo, o sangue ou navegar pelos genomas com a ajuda de ferramentas bioinformáticas.
Uma oportunidade para todos aprenderem a brincar, levando como
recordação o resultado de algumas experiências.
Para mais informações visitem:
www.igc.gulbenkian.pt/diaaberto/2006/
ou contactem: Sofia Cordeiro (scordeir@igc.gulbenkian.pt, tel. 214 407 959)
texto da comissão organizadora do dia aberto 2006
SJA | 09:10 AM | Comentários (0)
maio 11, 2006
Biobank UK

A maior experiência médica do mundo começou, em Março, no Reino Unido. Esta mega-experiência, que envolverá cerca de meio milhão de britânicos, tem como objectivo principal descobrir como se combinam factores genéticos e ambientais para manter a saúde ou provocar a doença. O projecto Biobank UK é uma experiência a nível nacional que estudará pessoas de idades compreendidas entre 45 e 69 anos e está a ser financiado pelo MRC, o Wellcome Trust e o Department of Health do Reino Unido, com apoios de várias instituições de caridade.
Da informação gerada através do estudo destes milhares de participantes será criada uma base de dados nacional para estudo e consulta por parte dos vários investigadores do projecto. Depois de consultados e de obtidas as suas respectivas autorizações, cada participante dará uma amostra de sangue e outra de urina, será examinado por uma enfermeira e preencherá um questionário sobre os seus hábitos de vida. Durante os próximos 20 a 30 anos a análise seguirá e serão registados todos os acontecimentos relacionados com a sua saúde. De acordo com a informação oficial, todos estes dados serão unica e exclusivamente utilizados para investigação etica e cientificamente aprovada. No entanto, a controvérsia sobre toda esta confidencialidade já existe.
O Gene Watch UK uma organização sem fins lucrativos que faz a monitorização das novas tecnologias genéticas) tem emitido uma série de avisos aos participantes do Biobank e tem organizado diversos debates sobre qual a utilidade do Biobank UK. As questões postas são, regra geral, sobre confidencialidade, o eterno medo das companhias de seguros e o acesso a estes dados e, fora tudo isto, a grande incerteza sobre os próprios resultados do Biobank e o que isso trará de novo para a medicina. Novos testes genéticos, novos fantasmas sobre análises e predicções de inteligência e, como sempre, o admirável mundo novo da genética aliada à medicina. A bola de cristal da medicina moderna. Será que queremos saber a que estamos destinados? Tudo isto se tem discutido ad nauseum sobre o Biobank. No entanto, para a comunidade científica britânica o Biobank não foi (e continua a ser) mais do que um profundo corte no financiamento científico. O fundo inicial para o Biobank foi anunciado, em 2002, como 45 milhões de libras provenientes do MRC. Nos anos seguintes o MRC veio a diminuir o seu financiamento não só a todos os outros projectos científicos do Reino Unido, mas também aos salários dos cientistas, para poder cobrir este “Biobankgate”. Aparte das discussões sobre a utilidade científica do Biobank, é importante focar que, como sempre, estes projectos megalómanos têm que ser mais bem pensados e financiados. Não se pode retirar financiamento a toda a investigação de um país para cobrir os gastos de um projecto que devia ser financiado independentemente. Claro, ao mesmo tempo, os governos e os cientistas europeus queixam-se da fuga de cérebros. Afinal, não é só em Portugal.
SJA | 10:16 AM | Comentários (2)
abril 25, 2006
Citação

"(...) people just don't come out in refereed journals and lie about their work. It's crazy. First of all, they'd never get away with it. There are too many safeguards. They'd get caught by their principal investigator. Or the referees would find something fishy in the article. And then, even if the thing did get published, no one would be able to reproduce the work later on, and the scientific community would catch them (...) You suppress bad data - it's going to cost you your career."
Do novo livro "Intuition" de Allegra Goodman. Um livro sobre ciência ao estilo do "Da Vinci Code" que talvez, um dia, seja revisto aqui no Conta.
SJA | 08:33 PM | Comentários (0)
32 anos

SJA | 11:51 AM | Comentários (2)
abril 20, 2006
Novo prémio para a Imunologia

A Associação Viver a Ciência, a Sociedade Portuguesa de Imunologia e a empresa Citomed lançam um novo prémio de estímulo à investigação científica. Desta feita, destina-se a premiar o melhor trabalho publicado na área da Imunologia básica ou aplicada (clínica).
O Prémio Citomed, tem um valor de 5.000 euros e será atribuído ao autor ou autores do melhor
artigo, neste domínio, publicado em revista científica com arbitragem pelos pares ( peer review) durante 2005 ou 2006. A investigação que deu lugar ao artigo deverá ter sido desenvolvida total ou parcialmente numa instituição nacional.
Continue a ler "Novo prémio para a Imunologia"
SJA | 01:08 PM | Comentários (3)
Arte e Ciência

Cartoon de Rafael Florés em LabTimes
SJA | 08:51 AM | Comentários (0)
abril 19, 2006
Ecossistemas valem dinheiro

A ideia de que os recursos têm valor económico não é nova - consulte-se, por exemplo, este artigo da Nature que faz referência a alguns artigos dos anos 80. Os ecossistemas prestam serviços e são por si só altamente valorizados financeiramente, constituindo um capital natural avaliado em muitos biliões ou triliões de euros.
Os seres humanos beneficiam dos recursos naturais, tal como beneficiam dos recursos artificiais criados por si. Os primeiros têm sido desvalorizados financeiramente, enquanto que os segundos têm um preço a ser pago para serem obtidos.
Os benefícios provenientes dos ecossistemas vão desde os aspectos estéticos aos culturais, até à prestação de serviços ecológica. Exemplos destes serviços são a regulação climática, a formação do solo, os ciclos dos nutrientes e a captura de espécies selvagens que fornecem, entre outros, alimentos, combustível, fibras para vestuário e produtos farmacêuticos.
O aumento do crescimento das populações humanas – estima-se que somos já 6,5 biliões – origina uma enorme pressão sobre o ambiente, colocando muitas vezes em risco a existência dos recursos naturais. O benefício que retiramos do mundo natural deveria ter um retorno financeiro, cujo objectivo seria incentivar a conservação dos ecossistemas. Neste caso, parece fazer todo o sentido aplicar-se o conceito do utilizador-pagador.
No entanto, a elevada complexidade dos ecossistemas e o número de variáveis envolvidas numa avaliação económica de recursos naturais torna os estudos muito difíceis, uma vez que não se pode utilizar uma análise convencional aplicada às economias de mercado.
Continua num próximo post.
Texto de Rita Caré
SJA | 03:02 PM | Comentários (0)
abril 13, 2006
Primeiro encontro de Comunicação de Ciência

Cartaz de Paulo Emiliano
O primeiro encontro de Comunicação de Ciência vai realizar-se Sábado, 3 de Junho de 2006 no Instituto Gulbenkian de Ciência, em Oeiras, e tem como objectivo reunir todos aqueles que exerçam e/ou se interessem por actividades de envolvimento do público com a ciência em Portugal. Este encontro visa debater ideias, partilhar experiências e fomentar colaborações em comunicação de Ciência. Estarão presentes como oradores convidados: Ben Johnson (Graphic Science, Bristol, Reino Unido), Chris Smith (The Naked Scientists, Cambridge, Reino Unido) e um dos responsáveis pelos projectos de comunicação da Associação Viver a Ciência (a confirmar). Este primeiro encontro de comunicação de Ciência em Portugal está a ser organizado por mim, pela Mónica Bettencourt Dias e pela Ana Godinho Coutinho, sob a alçada da Associação Viver a Ciência, e tem os apoios do British Council, da Fundação para a Ciência e a Tecnologia, da Fundação Calouste Gulbenkian e do Instituto Gulbenkian de Ciência.
No final do encontro, apresentar-se-à e distribuir-se-à pelos participantes um guia de bolso de Comunicação de Ciencia com conselhos práticos em como comunicar com os media e o público. Depois desta cerimónia de lançamento dia 3 Junho, este guia também será distribuído por investigadores em todo o país.
Poderão participar todos os interessados, após inscrição prévia, até dia 5 de Maio, em info@comunicar-ciencia.org. Para além dos oradores convidados, serão seleccionadas 10 apresentações orais dos interessados em partilhar as suas experiencias, que apresentem um resumo da apresentação até dia 5 de Maio. Os restantes interessados, não seleccionados como oradores, poderão apresentar um poster. Para mais informações contacte info@comunicar-ciencia.org.
SJA | 09:27 AM | Comentários (6)
março 30, 2006
Size matters?
Nem a propósito do que se escreveu aqui sobre a inteligência dos europeus, o QI volta ao ataque. Num estudo publicado hoje na Nature, a inteligência, medida através do QI, pode ser correlacionada com o padrão de crescimento do cérebro, mas não com as suas dimensões finais. Durante a infância o cortex cerebral torna-se mais espesso até atingir o seu máximo e, durante a adolescência, diminui outra vez. Philip Shaw e colegas decidiram estudar se este padrão tem alguma relação com a inteligência. Para tal, efectuaram um estudo que analisou os QIs de mais de 300 crianças e adolescentes dos 6 aos 19 anos. Para as medidas estruturais do cérebro fizeram ressonância magnética a cada um dos participantes, a intervalos de 2 anos. Os resultados indicam que o grupo com o QI mais alto (denominado grupo de inteligência superior) demonstra um padrão de crescimento do cortex característico. O cortex destas crianças começa mais fino que o dos outros grupos, mas recupera rapidamente, tornando-se mais espesso aquando da altura do seu máximo. No entanto, aos 19 anos, os elementos de todos os grupos (inteligência superior, alta e mediana) convergem para cortexes da mesma espessura.
Este estudo não nos proporciona muitas explicações sobre como e porquê os cortexes das crianças com QI mais alto possuem mais plasticidade/agilidade de crescimento que os restantes. Especula-se sobre o de sempre, factores genéticos e ambientais. Para discernir entre as várias incógnitas será necessário analisar os números de neurónios presentes na zona do cortex, a mielinização das fibras e as quantidades de ligações neuronais eliminadas durante a puberdade (por processos normais, mas por que não também pela quantidade de bebedeiras apanhadas entre os 15 e os 19 anos?!). Além disso, se não acreditarmos no QI como medida do que quer que seja, este estudo apenas relaciona os bons resultados no teste de Wechsler com umas diferenças esporádicas, e não significativas no cérebro adulto, do crescimento do cortex.
SJA | 07:52 PM | Comentários (0)
março 09, 2006
O Conta de parabéns

Assunto para celebrar. Ganhámos o título de melhor blogue de ciência/de cientista num concurso organizado pelo blogue BLOPEs. Obtivemos 36% dos votos, o que não foi exactamente uma maioria absoluta. Tivemos competição cerrada do ResearchCafe.net (25%) e do Caminhos do Conhecimento (21%). Parabéns a todos e obrigada a quem votou em nós.
SJA | 09:17 AM | Comentários (3)
março 02, 2006
Lythos
Não há razão nenhuma em particular para se fazer uma ligação entre Ciência e Arte. Também não há motivos para não o fazermos. SciArt, ou Arte e Ciência, que é como se chama esta secção do Conta, é algo, a que muito gostamos de referir-nos. Do lado da Ciência, do nosso lado, gostamos de falar da beleza das imagens científicas e do seu conteúdo artístico. Do lado da Arte, há artistas a mergulharem em laboratórios para dar um novo rumo à arte que fazem. Uma das discussões correntes usa os velhos argumentos sobre o que é mesmo a arte na ciência ou a ciência na arte. Tenho ouvido cientistas, e muitos, dizerem o quão perto estão das artes gráficas quando tiram fotografias, fazem desenhos e olham para os seus ratinhos transgénicos. Ai a beleza artística e o conteúdo de uma mosca expressando proteínas verdes fluorescentes num qualquer grupo de células! Imagens bonitas talvez sim, assim como as estereotípicas fotografias das férias, mostrando um pôr do sol sobre a Ilha do Pessegueiro. Como as fotografias que exibimos, às vezes, no Montra Natura. Uma imagem vale mil palavras, mas daí até ser Arte, há muito trabalho a fazer. O único caminho a percorrer será mesmo o da estreita colaboração entre artistas e cientistas. Poderemos aprender uns com os outros e levar mais além tanto os conceitos artísticos como a própria SciArt.
Não desfazendo, de um lado e do outro já se vai fazendo alguma coisa na aproximação das duas àreas. Não falta por aí gente com muita vontade e “muito engenho e arte”. Um deles, que descobrimos um destes dias, é o José Paulo Andrade. O José Paulo, é fotógrafo amador e, nas horas vagas, professor da Faculdade de Medicina do Porto. É autor do projecto Lythos que onde tentou encontrar formas e paisagens virtuais nos pequenos detalhes das rochas e minerais. Para este projecto o José Paulo baseou-se nos trabalhos de Bill Atkinson, conseguindo no seu projecto fazer melhor que quem o inspirou.
As fotografias são bonitas. O assunto “científico”. É mesmo caso para dizer, é um “sciartista” português vindo do mundo da Ciência. Voltaremos com outros.
SJA | 09:03 AM | Comentários (1)
fevereiro 24, 2006
Montra Natura

Organização dos microtúbulos, a partir dos centríolos, nas células da traqueia do embrião de Drosophila melanogaster a cerca de 8 horas após fertilização. A verde or microtúbulos, a vermelho os núcleos das células da traqueia e a azul os centríolos.
Fotografia de Véronique Brodu
SJA | 09:50 AM | Comentários (3)
fevereiro 23, 2006
Os meninos da rádio
A comunicação de ciência acaba de dar mais um passo. O número de programas de rádio sobre, e à volta de, temas científicos, tem-se multiplicado imenso nos últimos tempos. Mas estes não são programas de rádio “normais”. Pertencem a uma nova geração: os podcasts.
Graças à moda iPod e à presença massiva de leitores de mp3, a internet é agora um poço de actividade numa nova área de transmissão audio, baptizada de podcast (uma palavra composta proveniente de iPod e broadcast), em 2004, por um jornalista do The Guardian. Um podcast não é mais que um programa de rádio personalizado e disponibilizado pela internet, com a conveniência de poder ser ouvido onde e quando o ouvinte quiser.
As revistas científicas, na sua luta desesperada por mais e melhores audiências, não tardaram em apanhar o comboio e os podcasts já existem, por exemplo para jornais como a Nature, Nature Medicine ou New England Journal of Medicine. Nestes pequenos podcasts (o da Nature oferece 15 minutos semanais) é apresentada uma selecção de artigos e notícias da revista em questão, com entrevistas aos seus autores e/ou outros especialistas na mesma área.
O podcast da Nature é apresentado por Chris Smith, um pioneiro dos podcasts científicos. Chris Smith faz parte da equipa Naked Scientists, um grupo de cientistas da Universidade de Cambridge responsáveis por um programa semanal para a BBC radio. O programa de rádio dos Naked Scientists está também disponível em formato podcast para quem o quiser baixar da internet.
Em Portugal, onde já existem alguns podcasts disponíveis, ainda é difícil encontrar podcasts científicos. Pode ser que um dia apareçam uns podcasts do Conta Natura (com o Vasco a cantar)!
SJA | 09:56 AM | Comentários (4)
fevereiro 20, 2006
Sabedoria futebolística

"Sometimes you see beautiful people with no brains. Sometimes you have ugly people who are intelligent, like scientists"
José Mourinho dixit
(in BBC news)
SJA | 02:48 PM | Comentários (2)
fevereiro 10, 2006
Gripe a voar

SJA | 03:05 PM | Comentários (0)
fevereiro 09, 2006
Um mundo perdido

Assim à laia de "Skull Island", uma equipa científica internacional descobriu um mundo perdido nas florestas da Papua-Nova Guiné. Esta parte da selva indonésia é habitat de dezenas de novas espécies de animais e plantas. Não trouxeram um King Kong de volta à civilização, mas identificaram novas borboletas e plantas numa zona em que se pensa que o Homem nunca chegou.
SJA | 06:07 PM | Comentários (3)
fevereiro 01, 2006
Instantâneos da ciência

A exposição Laboratório de Imagens, uma iniciativa da Associação Viver a Ciência, em colaboração com a Pfizer, vai estar patente ao público, no Centro Cultural de Belém (Sala Laman), de 4 a 28 de Fevereiro (entrada livre).
Será inaugurada amanhã, dia 3 de Fevereiro, às 18h30 numa cerimónia que conta com a presença do Presidente do Centro Cultural de Belém, António Mega Ferreira e da Presidente da Associação Viver a Ciência, Maria Manuel Mota.
Laboratório de Imagens visa explorar o valor artístico gerado durante o processo de investigação científica, proporcionando ao público uma perspectiva original do modo como se faz ciência. Os trabalhos expostos foram seleccionados entre cerca de 700 candidaturas,do país e do estrangeiro, à primeira edição do concurso de fotografia científica que antecedeu a exposição.
Continue a ler "Instantâneos da ciência"
SJA | 06:24 PM | Comentários (0)
janeiro 26, 2006
Montra Natura

Fotografia (da minha autoria), de microscopia electrónica de transmissão, que mostra o detalhe do interior de um tubo do sistema respiratório embrionário da mosca da fruta, Drosophila melanogaster. A linha branca do lado direito, é a escala da fotografia e corresponde a 200 nm (0,0002 mm).
SJA | 06:44 PM | Comentários (5)
janeiro 23, 2006
Todos a descobrir a Ciência no ITQB
No próximo sábado, dia 28 de Janeiro, o Instituto de Tecnologia Química e Biológica volta a abrir as suas portas ao público. O Dia Aberto ITQB 2006 pretende dar continuidade ao sucesso do dia aberto do ano passado, quando mais de novecentas pessoas visitaram, em Oeiras, este instituto de investigação.
Este sábado, o ITQB desafia mais uma vez o público a vir explorar a Ciência com os seus investigadores e descobrir como esta pode ser surpreendente, inspiradora e divertida. Durante todo o dia haverá lugar para exposições sobre a investigação aí feita, conversas sobre a ciência do dia-a-dia, visitas aos laboratórios, ciência às escuras e experiências de verdade para os mais novos.
Os dias abertos são actividades de extrema importância na aproximação dos cidadãos à Ciência. Dão oportunidade a miúdos e graúdos de verem os espaços físicos onde se desenvolve a actividade científica e, quando são bem organizados como têm sido os do ITQB, até mesmo de fazerem algumas experiências. Esperemos que este dia aberto seja um sucesso!
Aqueles que forem ao ITQB para o dia aberto, poderão ter a sorte de serem "guiados" pelo Cláudio Gomes na volta aos laboratórios!
SJA | 09:34 AM | Comentários (3)
janeiro 19, 2006
Os dez livros que abalaram o mundo
Está a decorrer, até ao dia 15 de Fevereiro, na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, uma exposição bibliográfica sobre os dez livros que mais abalaram o mundo. Este “super top ten” bibliográfico traz-nos, do livre arbítrio de vários docentes da Universidade de Coimbra, os dez livros que mais influência tiveram sobre a história do mundo.
Os dez livros escolhidos foram, por ordem decrescente do número de votos:
1) A origem das espécies (Charles Darwin)
2) A Bíblia (vários autores)
3) A interpretação dos sonhos (Sigmund Freud)
4) O capital (Karl Marx)
5) D. Quixote (Miguel de Cervantes)
6) Princípios matemáticos de filosofia natural (Isaac Newton)
7) Odisseia (Homero)
8) A riqueza das nações (Adam Smith)
9) Diálogo sobre os dois maiores sistemas do mundo (Galileu Galilei)
10) Teoria da relatividade (Albert Einstein)
A eleição e a exposição foram organizadas por Carlos Fiolhais e João Gouveia Monteiro. Na sala de São Pedro da Biblioteca Geral podemos ver esta bela exposição que tem como base os dez livros mais votados e mostra edições antigas (entre elas uma Bíblia latina medieval do Séc. XIII), traduções em português e obras sobre a recepção destes livros em Portugal.
O resultado, apesar de porvir de um universo bastante pequeno, é muito interessante, mas também discutível. Seria interessante saber que livro ganharia se a votação tivesse sido aberta além das portas da Universidade de Coimbra. Teríamos então a Bíblia em primeiro lugar? Ou o Código Da Vinci?
De qualquer maneira, o facto que ganhou um livro da área da Biologia, já é motivo de celebração, especialmente num ano em que muito se tem falado de “inteligent design” e que também foi o ano internacional da Física. No entanto, nas palavras do Físico Carlos Fiolhais: “Acho muito boa escolha! Redime-nos até de algum atraso com que Portugal e, em particular, Coimbra recebeu as ideias de Darwin (esse atraso seguia o lema: "se o homem descende do macaco é melhor que não se saiba"). Acho até uma escolha muito actual numa altura em que a "Science" anuncia como evento científicico do ano os novos avanços na teoria da evolução fornecidos pela genética e o "Nouvel Observateur" publica um dossier sobre a recusa da teoria da evolução nalguns estados dos Estados Unidos com um macaco vestido à americana na capa. Coimbra não é Kansas City!
Quanto à Física ela não tem o primeiro lugar no "top ten" mas inclui três obras na lista e isto apesar de nenhum físico ter votado: os "Diálogos" de Galileu, os "Principia" de Newton e a "Teoria da Relatividade" de Einstein. É obra! Tal só mostra que as pessoas cultas têm enorme respeito pela contribuição que a Física tem dado à compreensão do mundo...”
SJA | 10:02 AM | Comentários (2)
janeiro 18, 2006
Mais uma invenção...
O hospital norueguês Radium de Oslo, começou esta semana a averiguar a investigação conduzida por John Sudbo, um dos seus cientistas. Ao que parece, ele inventou completamente os resultados de um estudo epidemiológico publicado no The Lancet em Outubro passado. Este artigo, associa uma baixa incidência de cancro oral com o uso prolongado de drogas anti-inflamatórias não esteróides.
E olhem que quando digo "inventou completamente" quero mesmo dizer completamente. Parece que os 900 pacientes que tomaram parte neste estudo eram completamente fictícios. O Dr. Sudbo inventou nomes, sexo, idade, peso, diagnóstico e, por vezes, mesmo a morte destes "pacientes imaginários". Resta saber como é que ele conseguiu convencer os 13 co-autores deste artigo, incluindo os três que - junto com ele - contribuíram igualmente para o trabalho, já para não falar dos editores do Lancet.
SJA | 09:36 AM | Comentários (12)
janeiro 17, 2006
Afinal quem é que fez o trabalho?
Como consequência do recente escândalo Sul Coreano das células estaminais (a que decerto voltaremos aqui no Conta), a revista Science está a considerar novos requerimentos por parte dos autores de artigos científicos. Eventualmente, irão pedir a cada autor que assine uma declaração em como concorda com todos os resultados publicados, assim como detalhes de qual a sua contribuição para o artigo em questão.
Obviamente, estas regras gerarão muita discussão e algumas mudanças no modo como se publica Ciência. Numa paródia a esta questão, o New York Times de hoje publica uma destas declarações para um hipotético artigo publicado no Journal of imaginary Genomics.
Assustador como a mesma declaração se poderia adaptar a muitos artigos que eu conheço!
SJA | 11:30 AM | Comentários (3)
janeiro 12, 2006
Cientistas portugueses: o regresso com sucesso?
Seguindo o exemplo da RTP1 e com um atraso ainda maior, deixo-vos aqui o meu relato e as minhas impressões sobre o debate Cientistas Portugueses: o regresso com sucesso?, que teve lugar no IGC no passado dia 27 de Dezembro de 2005.
Juntámo-nos para discutir o regresso dos cientistas portugueses a Portugal e para debater o futuro e as possibilidades da Ciência portuguesa. O painel era formado por ex-alunos do Programa Gulbenkian de Doutoramento em Biologia e Medicina, alguns “regressados”, outros não. Na audiência estavam muitos ex-alunos dos Programas Gulbenkian de Doutoramento, cientistas portugueses e estrangeiros, jornalistas e políticos. Uma mistura explosiva. Um grupo de pessoas com capacidade para discutir o futuro da Ciência e o que há a fazer por ele.
O tempo era escasso. Depois de uma breve introdução de António Jacinto, os (muitos) membros do painel começaram por expor as suas ideias sobre o regresso com ou sem sucesso, moderados pelo microfone e o estridente timer da Mónica Bettencourt-Dias. A Isabel Palmeirim abriu a discussão falando da importância da dedicação à investigação a 100%, dos problemas das Universidades portuguesas e da falta de carreiras de investigação. Seguiu-se-lhe o Miguel Martins que explicou porque ainda não voltou a Portugal, falou na falta de contractos de investigação e a grande lacuna que é não haver um esquema de “career development awards” em Portugal. Tal como o Miguel, tanto o Henrique Teotónio como eu, em diferentes momentos do debate, discutimos estas ideias e focámos os mesmos aspectos negativos do fazer ciência em Portugal. O pós-doc chefe, a falta de carreiras de investigação em Portugal, a falta de pessoal técnico. Eu falei no exemplo espanhol que, apesar de não ser perfeito, poderia ser um exemplo a seguir em Portugal. O Rui Costa discutiu o problema (importante) das irregularidades de financiamento científico e da falta de perspectiva de continuidade na atribuição de bolsas. O Miguel Castelo-Branco falou sobre a carreira de investigação nas Universidades, o problema do “inbreeding” e como podemos combatê-lo. Ouvimos também as opiniões de Ana Coutinho e Nuno Arantes e Oliveira, ambos com carreiras alternativas em Ciência. A Ana falou da importância da carreira de comunicador de ciência e o Nuno discutiu a importância do investimento estrangeiro no financiamento de pequenas e médias empresas em Portugal.
Continue a ler "Cientistas portugueses: o regresso com sucesso?"
SJA | 12:11 PM | Comentários (25)
janeiro 11, 2006
Parabéns Dr. Hoffman!

Albert Hoffman, o descobridor do LSD (dietilamida do ácido lisérgico), faz hoje 100 anos. Nascido em Baden, na Suiça, há um século, Hoffman começou o seu trabalho de investigação na farmacêutica Sandoz em 1929. Em 1938, no decurso das suas investigações sobre estimulantes circulatórios, sintetizou o LSD. Na altura, os laboratórios não encontraram utilidade prática para este composto, que foi posto de lado até que um dia, em 1943, Hoffman o tomou por engano. O resto é história.
Quatro vezes bisavô, Hoffman é definido no seu país como "um dos poucos suíços que lograram mudar o mundo"! Durante esta semana, cientistas de todo o mundo estarão reunidos em Basileia num congresso onde tentarão obter a legalização do LSD para investigação e usos terapêuticos. Este é um desejo partilhado pelo Dr. Hoffman.
SJA | 06:42 PM | Comentários (69)
janeiro 10, 2006
O Conta de vento em popa

O último número da Gazeta da Física refere o Conta Natura como "um blogue de discussão de uma variedade de temas relacionados com as Ciências da Vida". A referência encontra-se na secção de Livros e Multimédia, onde também aparecem outros blogues de ciência em Portugal.
E já agora aproveito esta oportunidade para anunciar que o Conta vai também ser apresentado numa reportagem sobre blogues de ciência feita pelos jornalistas do programa 2010, este domingo às 14h na RTP2.
SJA | 11:14 AM | Comentários (0)
dezembro 22, 2005
Cientistas portugueses: o regresso com sucesso?

No próximo dia 27 de Dezembro, às 16:30, vai realizar-se no Instituto Gulbenkian de Ciencia (IGC) um debate subordinado ao tema “Cientistas portugueses: o regresso com sucesso?”. Este debate público, que terá lugar no auditório Ionians do IGC, será moderado pela Mónica Bettencourt Dias (U. Cambridge, Reino Unido) e tem como objectivos:
- Discutir as condições que Portugal oferece para acolher jovens cientistas e contrariar a chamada “fuga de cérebros”.
- Comparar experiências e opiniões entre os membros do painel e do público.
- Especular sobre o que poderá ser feito para melhorar Portugal no que diz respeito às condições oferecidas a quem faz ciência.
Os membros que formarão o painel são:
Ana Paula Coutinho (ISCR - Edimburgo, Reino Unido)
Henrique Teotónio (IGC - Oeiras, Portugal)
Isabel Palmeirim (ICVS, U. Minho - Braga, Portugal)
Lia Campos (Sanger Institute - Cambridge, Reino Unido)
Luís Martins (MRC - Leicester, Reino Unido)
Miguel Castelo-Branco (IBILI, Fac. Medicina -Coimbra, Portugal)
Nuno Arantes Oliveira (Alfama, Inc. - Oeiras, Portugal)
Rui Costa (Duke U. - Durham, EUA)
Sofia Araújo (IBMB-CSIC - Barcelona, Espanha)
Esperamos que o debate seja bastante interactivo e, para tal, contamos com a presença todos os interessados.
SJA | 06:21 PM | Comentários (5)
ICN fez 30 anos: há razões para festejar?
Parte II

Este novo post da Rita Caré é a continuação da parte I sobre o 30º aniversário do Instituto de Conservação da Natureza (ICN).

O ICN tutela as seguintes áreas protegidas: um parque nacional, 12 parques naturais, nove reservas, sete áreas de paisagem protegida e cinco monumentos naturais. Problemas não faltam na gestão destas áreas: a constante falta de recursos financeiros, (que serve sempre de desculpa para todos os problemas); a possível incompetência na gestão desse dinheiro; a fraca capacidade de coordenação e organização (estamos sempre a ser apontados pelas comissões avaliadoras da UE nesta questão); a falta de formação dos quadros; a falta de interesse generalizada de muitos funcionários públicos - os do ICN não serão excepção - que não têm muita vontade de trabalhar e vivem sob o lema “não faz, nem deixa fazer”.
Os parques naturais deveriam ter mais autonomia administrativa e financeira para desenvolverem as suas actividades, com a possibilidade de realizarem receitas com o turismo e a venda de produtos. O problema é que, tal como acontece noutras instituições (por exemplo, em museus sob tutela dos Ministérios da Cultura e da Educação), o dinheiro gerado vai para a administração central. Assim, os possíveis auto-financiamentos esfumam-se sem deixar rasto. Todos estes problemas implicam a grave falta de cuidados essenciais - por exemplo, a limpeza e a vigilância - para a protecção de áreas que se deveriam querer, cada vez mais, protegidas.
"As populações vêem o ICN como uma entidade que apenas proíbe", disse ao Público.PT Eugénio Sequeira, presidente da Liga para a Protecção da Natureza . O desenvolvimento sustentável é por isso considerado, pelas populações locais, como o pior inimigo das áreas (des)protegidas. Isto não deveria acontecer, pois é suposto a sustentabilidade trazer consigo uma qualidade de vida melhor. "Um parque digno desse nome", disse ainda Eugénio Sequeira, seria um incentivo ao turismo e traria vantagens económicas e sociais às comunidades locais.
Continue a ler "ICN fez 30 anos: há razões para festejar?"
SJA | 10:08 AM | Comentários (1)
dezembro 16, 2005
O ICN fez 30 anos: há razões para festejar?
Parte I

Neste primeiro post sobre Ambiente, pensei em escrever sobre Portugal e as alterações climáticas, mas já se publicou muito sobre estes assuntos por aí. Numa outra altura em que os ânimos estejam menos exaltados, tentarei dar o meu contributo para este tema.
Vou dedicar-me ao Instituto de Conservação da Natureza (ICN), instituição que devia zelar pelos interesses da Natureza em Portugal, divulgá-la com responsabilidade e tomar medidas sérias para a preservar.
No final do mês de Outubro, descobri que o ICN estava a promover um ciclo de conferências. Achei estranho. Desde que iniciei a minha licenciatura em Biologia, e mesmo depois de a ter terminado, não me lembro de alguma vez ter tido conhecimento de semelhante acontecimento – talvez tenha andado distraída com os compromissos académicos e profissionais...
Decidi, então, saber do que tratavam as tais conferências e fiquei surpreendida com a dimensão nacional da coisa, principalmente o último evento que se realizou no Centro Cultural de Belém - consulte este link para descobrir o que por lá se passou.
Os motivos de tanta pompa e circunstância tiveram como motivo o 30º aniversário do ICN. O Instituto de Conservação da Natureza teve origem no Ministério do Equipamento Social e do Ambiente, que criou em finais de 1975 o Serviço Nacional de Parques, Reservas e Património Paisagístico (SNPRPP). Em 1983, esta instituição mudou de nome e passou a Serviço Nacional de Parques, Reservas e Conservação da Natureza.
A rede nacional de áreas protegidas aumentou muito desde 1975, em grande parte devido à adesão de Portugal a várias Convenções (por exemplo, a Convenção de Berna - Convenção sobre a Vida Selvagem e os Habitats Naturais na Europa e a Convenção de Bona sobre Conservação de Espécies Migradoras da Fauna Selvagem, entre outras) e à adesão actual União Europeia, o que originou laços com outros países para a preservação do património natural. Inicialmente, eram 30 funcionários, actualmente são cerca de mil. Mas será que há muitas razões para festejar os seus 30 anos de vida?
Num aniversário devemos festejar, mas neste caso, talvez devêssemos escolher fazer luto pelas dezenas de áreas que ficaram cada vez mais desprotegidas, ao longo das últimas três décadas. Claramente, a responsabilidade não é apenas do ICN. Todos estamos sensibilizados para o caos que se vive na justiça portuguesa e noutras áreas. O Ministério do Ambiente, os seus ministros e os governos que temos tido levaram à inoperância desta instituição. O ICN deveria ter muito mais poder do que tem nas “áreas protegidas” e na sua gestão. Mas não. A burocracia que inunda os corredores das suas estruturas é como um enorme derrame de petróleo que ninguém consegue parar, que conspurca e mina o seu funcionamento e o exercício das funções dos que lá trabalham. Alguns dos funcionários do ICN, apesar do seu interesse e até “amor à camisola” afundam-se lentamente no “crude” das toneladas de papéis e burocracias sem sentido.
A consequência, deste estado das coisas, tem sido a destruição da paisagem e a morte de um número incontável de seres vivos, desde que Portugal acordou para o desenvolvimento muito pouco sustentável e para o que chamam de estado democrático.
Se o governo levasse a sério a importância de conservar a natureza e a promoção de um desenvolvimento verdadeiramente sustentável no nosso país, o ICN poderia ter um papel fundamental neste campo, se funcionasse em condições, e certamente a sociedade passaria a dar credibilidade e a devida importância a estes assuntos.
Possíveis soluções, opiniões do Ministério do Ambiente, a responsabilidade dos cidadãos e outros assuntos surgirão num próximo post.
Rita Caré, 15 de Dezembro de 2005
SJA | 10:39 AM | Comentários (2)
dezembro 15, 2005
Enciclopédias
A Wikipedia (que já foi discutida antes aqui) é uma enciclopédia grátis, que qualquer pessoa pode editar. Alguns casos recentes trouxeram para primeiro plano erros graves em artigos desta enciclopédia. Dadas as características da Wikipedia, a grande dúvida é mesmo qual a confiança que se deverá depositar numa enciclopédia deste género.
Por iniciativa da Nature, a Wikipedia foi sujeita a "peer reviewing". A Nature comparou as entradas científicas na Wikipedia com as da Enciclopédia Britânica e revelou que, não só existem bastantes erros em ambas as enciclopédias, mas também que, em média, o número de erros por artigo na Wikipedia é quatro, enquanto na Enciclopédia Britânica é três (uma tabela dos resultados pode ser vista aqui). Dada a natureza da Wikipedia, este resultado poderá parecer surpreendente, mas vem decerto aumentar a confiança dos usuários da internet na informação da Wikipedia (e diminuir a confiança dos leitores da Enciclopédia Britânica). Pelo menos em Ciência!
SJA | 08:31 AM | Comentários (5)
dezembro 08, 2005
O novo Mocho

O portal de ensino das ciências e cultura científica Mocho foi objecto de uma profunda remodelação e apresenta um novo rosto e novas funcionalidades. Projecto com características únicas e de interesse indiscutível, o portal Mocho oferece desde há muito um leque diversificado de informação sobre ciência, de utilidade não apenas para alunos e professores, mas também para o público em geral, no endereço www.mocho.pt.
Entre as novas potencialidades do portal está a área Mocho@Banda.Larga. Criada com o apoio do POSI (Programa Operacional Sociedade da Informação), transforma o Mocho no sítio ideal para encontrar conteúdos de banda larga em língua portuguesa para aprender ciências. Ver vídeos ou conferências, inclusive em tempo real, e ouvir ficheiros áudio são apenas algumas das possibilidades que são oferecidas aos utilizadores.
SJA | 09:13 AM | Comentários (0)
dezembro 01, 2005
Compreender Ciência
Para se compreender a Ciência não é apenas necessário perceber o método científico, saber formular hipóteses e fazer experiências. Não é apenas necessário saber factos científicos, mas compreender como se faz Ciência e como esta é também uma actividade humana, com as suas regras e devida integração na sociedade. Óbvio para nós cientistas, mas uma incógnita para os restantes mortais, é o processo de aceitação de artigos nas publicações científicas, o “peer-reviewing” (revisão por pares).
Este processo é bastante discutido entre cientistas (e temos bons exemplos aqui no Conta) e sempre tentamos arranjar maneira de argumentar sobre o que tem de bom e o que tem de mau. Apesar disso, poucos discutem o principio básico do peer-reviewing que é a revisão do trabalho de um grupo de cientistas por outro grupo de cientistas da mesma área de especialidade.
Este mesmo “peer-reviewing” é agora também anunciado como o processo que permite ao público discernir entre “boa” e “má” Ciência. A única maneira de diferenciar a má informação, ou boato, da que é fidedigna. Com estes factos em vista, a organização britânica Sense about Science lançou um folheto intitulado “I don’t know what to believe…”, uma explicação em oito páginas sobre como os cientistas publicam o seu trabalho e por que é que o processo é tão importante. Os objectivos deste guia que está disponível em www.sense aboutscience.org são popularizar o rigor e controlo de qualidade a que estão sujeitos os trabalhos científicos que são publicados. Sugere, por exemplo, que a primeira pergunta a fazer quando se ouve ou lê um determinado facto científico é “Está publicado?” (pergunta muitas vezes feita por cientistas). O guia tenta cobrir aquilo que se passa durante a revisão de artigos e também explica como procurar as fontes e as revistas onde são publicados os artigos. Popularizar o processo de peer-reviewing fará com que o público se encontre em posição de poder olhar a Ciência com olhos mais críticos e dar mais um passo na compreensão de todos os factores que fazem a Ciência.
SJA | 03:20 PM | Comentários (5)
Transplante de cara
Cirurgiões em França realizaram pela primeira vez um transplante de cara. O transplante, do triângulo entre a boca e o nariz, foi efectuado numa mulher de 38 anos desfigurada após um acidente grave quando foi atacada por cães. Segundo o diário Le Monde, aparte dos riscos de rejeição a curto e longo prazo, a paciente deverá aprender a aceitar a sua nova imagem. Apesar de este não ser muito mais que um transplante de pele, esperam-se já os comentários e consequentes discussões éticas.
SJA | 12:48 PM | Comentários (3)
novembro 30, 2005
Eureka!

¡eureka!, é a primeira revista grátis de divulgação científica a aparecer em Barcelona. A par com os três jornais diários de distribuição gratuita no metro de Barcelona, a ¡eureka! começou a ser distribuída no dia 21 de Novembro e visa aproximar os cidadãos de Barcelona da temática científica. Para tal, procura focar os temas de maneira leve, agradável e atractiva .
A revista, que será mensal, é uma aposta ambiciosa para a divulgação científica e está a ser posta em marcha pela Omnis cellula uma entidade sem fins lucrativos ligada à Universidade de Barcelona e que se dedica a divulgar ciência em vários estilos e formatos. A equipa responsável por ¡eureka! é composta por jovens cientistas e humanistas de várias áreas.
SJA | 04:18 PM | Comentários (0)
novembro 24, 2005
BD na Nature

Hoje, a Nature estreia-se no mundo da banda desenhada. Para acompanhar uma edição especial dedicada à Biologia Sintética, esta revista científica publica pela primeira vez uma banda desenhada, seguindo (permitam-me que vos diga) um caminho já desbravado pelos editores do Conta Natura!
SJA | 09:17 AM | Comentários (5)
novembro 21, 2005
Dar e tirar

Na revista científica Cell, esse bastião da publicação científica na área das ciências da vida (com factor de impacto 28,4), há mais uma retractação. Na edição do passado dia 17 de Novembro, um artigo publicado em Abril de 2000 foi retirado de publicação por "haver erros nas experiências que poderão ter influenciado o resultado final do artigo". Ao que parece, diferentes quantidades de DNA foram usadas (sem controlos?) numa experiência fulcral (repetida quantas vezes?) do dito estudo (avaliado seriamente por 2 ou três cientistas importantes e muito cuidadosos?) e as experiências chave não podem ser reproduzidas. Isto concluíram os autores depois do artigo estar "nas bancas" há mais de cinco anos, e ter sido citado mais de duzentas vezes. Mais umas achas na fogueira do "peer reviewing", índice de citações e factor de impacto.
SJA | 09:22 PM | Comentários (17)
Profissão: Cientista
A Associação Viver a Ciência apresenta, amanhã, no Grande Auditório da Faculdade de Medicina de Lisboa, às14.30 horas, o projecto editorial “Profissão: Cientista/ Retratos de uma geração em trânsito”. Esta apresentação antecede a Conferência internacional “Ciência e Decisão Política”.
“Profissão: Cientista” é uma viagem pelo mundo da ciência, tendo como principais protagonistas jovens investigadores portugueses com trabalho internacionalmente reconhecido.
Das moscas “telecomandadas” à utilização da matemática para ajudar na luta contra doenças infecciosas, passando pela explicação para o facto de Vénus girar “ao contrário”, são histórias de descobertas que marcam a Ciência. Feitas em Paris, Washington, Aveiro, Braga ou Boston. As temáticas vão desde a conservação da natureza à evolução do Universo e aos mecanismos da memória. As aplicações das investigações dos catorze cientistas retratados permitem, por exemplo, prever a obstrução de condutas de petróleo no fundo do mar ou explicar por que é que certos medicamentos são eficazes contra a SIDA. Os “mundos” desvendados vão das partículas mais elementares “surfando” o plasma aos embriões de galinha que nos falam do nosso próprio desenvolvimento, passando pelos segredos da divisão celular e pela evolução genética oculta nos padrões das asas das borboletas.
“Profissão: Cientista” é, assim, uma (pequena) amostra do melhor trabalho da comunidade científica portuguesa e de uma ciência moderna que se faz em colaboração internacional, muitas vezes multidisciplinar. Que apela para o desafio de uma profissão exigente mas aliciante. A linguagem é acessível ao grande público. A coordenação editorial foi de Joana Barros, os textos de Joana Barros, Margarida Trindade, Vítor Faustino e Rita Caré. O design e projecto gráfico é da autoria do Atelier Formas do Possível. O patrocínio do projecto é do 6º Programa Quadro de I&D da Comissão Europeia, Fundação para a Ciência e a Tecnologia e Fundação Calouste Gulbenkian.
A distribuição de “Profissão: Cientista/Retratos de uma geração em trânsito” será gratuita, juntamente com a edição do próximo domingo do jornal Público. Aos primeiros trezentos respondentes ao inquérito apenso ao livro serão oferecidos bilhetes para o Visionarium, Pavilhão do Conhecimento e Museu de Ciência da Universidade de Lisboa.
Porque a ciência faz-se, também, divulgando o conhecimento junto da sociedade que a acarinha.
Texto da Associação Viver a Ciência, Lisboa, 21 de Novembro de 2005
SJA | 04:33 PM | Comentários (9)
novembro 18, 2005
Prémio Pfizer de Investigação 2005
Leonor Saúde, Moisés Mallo e António Jacinto vão receber o Prémio Pfizer de Investigação Básica 2005. Este prémio, que foi atribuído ex-aqueo aos três cientistas, será entregue amanhã, dia 18 de Novembro pelas 18h30, no Hotel da Lapa, depois de uma conferência de imprensa com a presença dos investigadores. Leonor Saúde e Moises Mallo trabalham no Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC) em Oeiras e António Jacinto no Instituto de Medicina Molecular (IMM) em Lisboa. Deixo aqui os meus parabéns aos três!
SJA | 09:46 PM | Comentários (7)
novembro 16, 2005
Selecção de Esperanças

Selecção de Esperanças é o novo programa de ciência que a TSF emite, desde o dia 11 de Novembro, a seguir ao noticiário da uma da tarde. Sempre às sextas-feiras, durante 14 semanas. Catorze são também os cientistas retratados nas entrevistas conduzidas por José Milheiro, o jornalista responsável pelo programa. As histórias à volta das suas investigações são, porém, inúmeras. Ou não fosse o mundo da ciência uma fascinante e permanente descoberta, envolvida em peripécias, rotinas, frustrações e gritos de alegria perante uma experiência bem sucedida.
Esta é uma parceria da TSF com a Associação Viver a Ciência, que, no âmbito do programa “Researchers in Europe”, seleccionou uma amostra dos mais promissores jovens cientistas portugueses, a trabalhar em Portugal ou no estrangeiro. Esse trabalho terá também expressão impressa, sob a forma de um pequeno livro intitulado “Profissão: Cientista/Retratos de uma geração em trânsito”, a distribuir gratuitamente dia 27 de Novembro.
Continue a ler "Selecção de Esperanças"
SJA | 05:19 PM | Comentários (2)
Ciência e Decisão Política

A Associação Viver a Ciência e o Instituto de Medicina Molecular realizam no dia 22 de Novembro, em Lisboa, uma Conferência sobre a relação entre cientistas e decisores políticos, com especial destaque sobre experiências parlamentares de aconselhamento científico. Esta conferência e debate fazem parte de um projecto destinado a estabelecer o intercâmbio entre o Parlamento português e a comunidade científica, visando a promoção da ciência em Portugal e o seu contributo para as políticas públicas.
A Conferência é de entrada livre e irá realizar-se no Grande Auditório da Faculdade de Medicina de Lisboa/Instituto de Medicina Molecular, campus do Hospital de Sta Maria, no dia 22 de Novembro às 14.30. Para mais informação, visite o site da Associação Viver a Ciência.
SJA | 11:27 AM | Comentários (1)
novembro 10, 2005
Probabilidades

Cartoon encontrado por Jordi Casanova
SJA | 12:42 PM | Comentários (1)
Novo jornal científico
Os resultados negativos de ensaios clínicos poderão passar a ser publicados num novo jornal que espera gerar mais equilíbrio nas publicações médicas. A Public Library of Science lançará no próximo mês de Abril o PLoS Clinical Trials. Segundo fontes da PLoS, muitos dos ensaios clínicos nunca vêm a público, porque os jornais existentes rejeitam os manuscritos que não apresentam resultados positivos. No entanto, muitos resultados negativos podem demonstrar efeitos importantes do tratamento testado. O novo PLoS Clinical Trials funcionará segundo o mesmo modelo de acesso livre dos outros jornais da PLoS e já está a aceitar novos artigos, quer apresentem resultados positivos ou negativos, para o seu primeiro número.
SJA | 10:10 AM | Comentários (1)
novembro 03, 2005
Sexo, drogas e rock n'roll
Parte III - Rock n'roll

Cartoon Original de John Chilton
Desde sempre, o rock n’roll tem sido associado com comportamentos agressivos. Em 1969, Altamont, USA, não ficou gravado na história da música como o concerto da “maior banda de rock n’roll do mundo”, mas sim como o palco de um dos maiores desastres de violência e agressividade durante um espectáculo musical.
Falámos de sexo e de drogas. Utilizando a mosca da fruta como modelo, escrevi sobre alguns comportamentos e mecanismos envolvidos nestes dois processos. Hoje, ao acabar esta pequena série. escreverei sobre comportamentos agressivos, como sempre usando a Drosophila como exemplo.
Tal como outros organismos, a Drosophila melanogaster, também conta com a agressividade no seu reportório comportamental. Muitas interacções entre machos foram observadas e catalogadas como violentas. Entre estes comportamentos inclui-se bater as asas ameaçadoramente, e acções de “boxing” envolvendo movimentos de golpe com as patas da frente, por vezes acompanhados por cenas de luta quase ao estilo Fight club com ambos os machos levantando-se nas patas traseiras e lutando com as dianteiras. Há vantagens nestes comportamentos pois comparados com os seus companheiros menos agressivos/mais defensivos, os machos que exibem este tipo de acções agressivas, têm também mais sucesso na copulação. Estes comportamentos agressivos surgem normalmente em resposta a competições por fêmeas, território ou comida. Mas o comportamento agressivo não é apenas próprio dos machos de Drosophila melanogaster, existindo também nas fêmeas.
Continue a ler "Sexo, drogas e rock n'roll"
SJA | 02:31 PM | Comentários (3)
outubro 31, 2005
Poesia Científica
Poema para Galileo
de Rómulo de Carvalho/António Gedeão

(...)Eu queria agradecer-te, Galileo,
a inteligência das coisas que me deste.
Eu,
e quantos milhões de homens como eu
a quem tu esclareceste,
ia jurar - que disparate Galileo!
- e jurava a pés juntos e apostava a cabeça
sem a menor hesitação -
que os corpos caem tanto mais depressa
quanto mais pesados são.
Pois não é evidente, Galileo?
Quem acredita que um penedo caia
com a mesma rapidez que um botão de camisa
ou que um seixo na praia?
Esta era a inteligência que Deus nos deu.
(...)Por isso estoicamente, mansamente,
resistente a todas as torturas,
a todas as angústias, a todos os contratempos
enquanto eles, do alto inacessível das suas alturas,
foram caindo,
caindo,
caindo,
caindo,
caindo sempre,
e sempre,
ininterruptamente,
na razão directa dos quadrados dos tempos.
Esta é apenas parte do poema, para a versão completa clique aqui.
SJA | 06:19 PM | Comentários (0)
outubro 27, 2005
A Ciência Portuguesa
Um projecto para a divulgação da ciência portuguesa está a ser desenvolvido em Oxford pela Catarina Amorim. O objectivo principal é dar a conhecer a ciência feita por portugueses e, ao mesmo tempo, alertar o público português para a Ciência e o seu desenvolvimento em Portugal. “Porque muito de importante e interessante é produzido na ciência portuguesa e como tal, é essencial a sua divulgação e destaque, junto da comunidade nacional e internacional” disse Catarina Amorim. Este projecto conta com o apoio do Observatório da Ciência e do Ensino Superior e é financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia.
Esta divulgação da ciência feita por portugueses na área das ciências da vida será levada a cabo produzindo comunicados de imprensa e artigos de divulgação científica para a imprensa nacional e internacional sobre artigos já aceites em revistas científicas, mas ainda não publicados. Estes comunicados de imprensa serão enviados para jornais portugueses e publicados online em: Alpha Galileo (consultada por jornalistas de todo o mundo), secção de notícias do OCES e Ciência Hoje. Para manter-se a par das publicações, aquando da sua aceitação nos respectivos jornais científicos, a Catarina pede a colaboração de todos os cientistas portugueses.
SJA | 02:47 PM | Comentários (10)
Poesia Científica
Por sugestão de um dos nossos comentadores mais activos, começa hoje uma nova categoria no Conta. A poesia científica. O soneto de hoje foi escolhido e enviado por MRS, o dito (ou dita) comentador(a).
Sonnet to Science

Science! true daughter of Old Time thou art!
Who alterest all things with thy peering eyes.
Why preyest thou thus upon the poet's heart,
Vulture, whose wings are dull realities?
How should he love thee? or how deem thee wise,
Who wouldst not leave him in his wandering
To seek for treasure in the jewelled skies,
Albeit he soared with an undaunted wing?
Hast thou not dragged Diana from her car?
And driven the Hamadryad from the wood
To seek a shelter in some happier star?
Hast thou not torn the Naiad from her flood,
The Elfin from the green grass, and from me
The summer dream beneath the tamarind tree?
Edgar Allan Poe (1829), ed. The Science Fiction of Edgar Allan Poe, Penguin Classics, 1976
SJA | 01:00 AM | Comentários (2)
outubro 25, 2005
Laboratório de Imagens: A Ciência pela Fotografia
Hoje apresento-vos uma nova colaboradora do Conta. Nascida em Lisboa, no dia de Portugal e de Camões, a Rita Caré (29 anos!!!) é Bióloga e durante a licenciatura, segundo as suas próprias palavras, caiu na Comunicação de Ciência um bocado de páraquedas. Especializou-se depois em Comunicação e Educação em Ciência. Gosta de conversar e escrever sobre temas científicos e, desde que se lembra, tem tido uma fascinação por livros e programas sobre Ciência e Ambiente. Em Julho de 2005 a Rita fundou o Caminhos do Conhecimento, o que a torna também numa competidora do Conta! Acabadinha de sair do excelente Workshop Comunicar Ciência 2005, a Rita inicia hoje a sua, espera-se, longa colaboração connosco.
A Rita colaborará com o Conta na área da Ecologia e Ambiente, mas hoje escreve-nos um anúncio sobre a próxima actividade organizada pela Associação Viver a Ciência.

Laboratório de Imagens é um concurso. Das partículas mais minúsculas, estudadas pela Física, passando pelos seres vivos mais pequenos, trazidos à luz pela Biologia, até aos fenómenos distantes, investigados pela Astronomia, a Associação Viver a Ciência parte através deste concurso em busca de fotografias que respondam a perguntas colocadas por cientistas, no decorrer das suas investigações.
Não se pense que podem ser quaisquer imagens científicas, que comprovam uma teoria ou a descoberta de factos até aí desconhecidos. Para além destes requisitos, terão de retratar o belo, as (as)simetrias da natureza, o esplendor do mundo científico. Maravilhar o observador é uma prioridade a cumprir.
A Ciência pela fotografia terá que ser retratada com qualidade artística suficiente, para depois ser exposta no Centro Cultural de Belém (CCB) a partir de Fevereiro de 2006.
Conceituados fotógrafos, artistas e cientistas irão avaliar as obras, não só pelo seu valor artístico como também pelo seu valor científico. Nesta apreciação, o público não ficará de fora.

Os prémios valem a pena!
1º Prémio - 3000€ | 2º Prémio – 1500€ | 3º Prémio - 1000€
Votação do público – 1000€.
Os interessados - cidadãos residentes em Portugal e portugueses residentes no estrangeiro - podem concorrer com o máximo de quatro fotografias, até 25 de Novembro de 2005. Todas as informações podem ser consultadas em: www.laboratoriodeimagens.com.
Texto de Rita Caré
SJA | 01:24 PM | Comentários (1)
outubro 23, 2005
Os velhos dos Marretas
Da pena de Jorge Massada saiu no Expresso deste Sábado um pequeno artigo sobre blogues de Ciência em Portugal. Divulgação importante e que se impõe, numa altura em que os blogues já são uma nova forma de informação e discussão. Como sempre, as vozes de alguns, a que não posso chamar senão de “velhos dos Marretas”, não hesitaram em trazer o seu negativismo a essa mesma divulgação. De entre as queixas ouvidas e lidas devo chamar a atenção ao facto de que não foi divulgado nesse mesmo artigo que o “Santiago” vive e trabalha em França e tem mais de trinta anos. Também não foi mencionado que o Thiago, apesar de trabalhar nos EUA, é natural do Brasil. Importante? Eu diria irrelevante. Fica aqui a errata ao dito artigo e um “mea culpa” por este lapso.
O importante nestas ocasiões seria, não deixando de lado o nosso sentido crítico, olhar o lado positivo de termos sido mencionados num jornal de tiragem nacional, independentemente do facto de gostarmos ou não desse mesmo jornal e do dito artigo. Olhemos o lado positivo de ter um jornal como o Expresso a dar espaço a este tipo de divulgação (e não ao só ao futebol e aos sacos azuis e às politiquices nacionais). Afinal, não é à divulgação que nos dedicamos aqui?
Este ambiente queixoso e queixinhas nada consegue senão aumentar o fosso entre jornalistas e cientistas. Se em vez de estreitarmos relações com a imprensa, e ajudarmos o serviço que também a nós é prestado, nos dedicamos à crítica mesquinha e destrutiva, não me parece que estejamos em posição de criticar quem quer que seja. As críticas devem ser construtivas e feitas quando o assunto é relevante e o merece. Afinal, não é esta atitude de sentar-se atrás e queixar-se casmurramente o que tantas vezes criticamos neste mesmo blogue?…
SJA | 09:33 PM | Comentários (43)
outubro 22, 2005
Montra Natura

A imagem mostra a parte posterior de um embrião de Drosophila melanogaster 3 horas após fertilização. A vermelho as células que, futuramente e após migrarem até às gónadas, formarão as células germinais. A azul um marcador das membranas das células. E a verde uma proteína nuclear com níveis mais baixos perto das células marcadas a vermelho e mais altos à medida que se afasta deste polo do embrião.
Fotografia de Oliver Grimm.
SJA | 09:57 PM | Comentários (1)
outubro 20, 2005
Curiosidade Apaixonada
de Carlos Fiolhais
Ciência Aberta - Gradiva
“Muito curiosíssimo e muito curiosíssimo!”, gritou a Alice depois de comer o bolo, e momentos antes de começar a crescer desmesuradamente, no início das suas aventuras no País das Maravilhas. Mas a curiosidade e as coisas curiosas nem sempre são malévolas, nem eventualmente castigadas.
O novo livro de Carlos Fiolhais deve o seu título “Curiosidade Apaixonada” a uma célebre frase de Albert Einstein. Como explica o autor no prefácio “a maneira que temos para chegar à Ciência, (…) nas palavras de Einstein, é o que ele chamou curiosidade apaixonada”. Este livro, que foi lançado pela Gradiva no passado dia 29 de Setembro, oferece-nos de novo a prosa ritmada e de fácil leitura de Carlos Fiolhais. Oferece também uma capa “curiosa”: Albert Einstein e Marylin Monroe em duas peças de puzzle que se complementam.
Fiolhais compilou neste livro, como antes o fez em “A coisa mais preciosa que temos”, textos que foi publicando nas páginas d’O Primeiro de Janeiro. Os elos de ligação entre estas crónicas são mesmo a curiosidade e a Ciência. Na primeira parte temos a Ciência propriamente dita, e o exercício da curiosidade. Daí passamos às Histórias, onde o autor nos conta várias estórias da História da Ciência ou nas suas palavras “a curiosidade em acção”. A terceira parte lida com as Escolas e a educação científica e, em seguida, o resto do livro conta-nos como há muitos mais recursos disponíveis para aguçar a curiosidade. Os capítulos Livros, Filmes, Teatros e Viagens, apresentam-nos o interesse e as opiniões de Carlos Fiolhais desde os livros que leu às viagens por ele feitas a vários sítios da Europa.
Na minha posição de leitora deste livro, gostaria de chamar a atenção ao capítulo de Histórias que retrata alguns episódios da História da Ciência revelando pormenores sobre alguns portugueses implicados que são, praticamente, desconhecidos. E um outro, o dos Teatros que me surpreendeu por dar-me a conhecer a qualidade do que se tem feito no Teatro da Trindade em matéria de comunicação de Ciência através da arte teatral (sim, que isto de ser emigrante tem alguns contras). E claro, não posso deixar de mencionar o ensaio “Por que não ganhamos na educação?”, uma crítica inteligente e satírica, à educação em Portugal. Aqui, Fiolhais compara as vitórias futebolísticas portuguesas ao falhanços da educação e em dada altura escreve “Os nossos ministros da Educação, não têm sido nenhuns Josés Mourinhos…”
Um livro feito de retalhos e detalhes. Uma agradável leitura à que se adiciona a comunicação de Ciência feita ao estilo muito próprio de Carlos Fiolhais. Os meus parabéns tanto ao Carlos como à Gradiva por estes bons momentos de leitura.
Entrevista com Carlos Fiolhais sobre este livro em Os Caminhos do Conhecimento
SJA | 09:35 AM | Comentários (0)
outubro 13, 2005
Prémio Nobel da Literatura 2005
O prémio Nobel da Literatura 2005 foi atribuído a Harold Pinter, o maior representante do teatro britânico da segunda metade do século XX. Pinter, dramaturgo, poeta e forte representante do movimento dos direitos humanos, escreveu este poema em 2002.
Cancer Cells
"Cancer cells are those which have forgotten how to die".
(Nurse, Royal Marsden Hospital)
They have forgotten how to die
And so extend their killing life.
I and my tumour dearly fight.
Let's hope a double death is out.
I need to see my tumour dead
A tumour which forgets to die
But plans to murder me instead.
But I remember how to die
Though all my witnesses are dead.
But I remember what they said
Of tumours which would render them
As blind and dumb as they had been
Before the birth of that disease
Which brought the tumour into play.
The black cells will dry up and die
Or sing with joy and have their way.
They breed so quietly night and day,
You never know, they never say.
Harold Pinter, March 2002
SJA | 01:00 PM | Comentários (7)
setembro 29, 2005
Números à Quinta
Começo aqui uma nova coluna no Conta. Números. Pequenos e grandes e sobre muitos assuntos "biológicos".
Número de espécies de insecto identificadas = cerca de 900.000
Número total de espécies de insecto (identificados e não identificados) = 20-30 milhões
SJA | 06:26 PM | Comentários (0)
Medalhas de honra L'Oréal
Decorreu ontem, na Academia das Ciências de Lisboa, a Cerimónia de Entrega das “Medalhas de Honra L’Oréal Portugal para as Mulheres na Ciência”. Durante a cerimónia foram distinguidas quatro jovens cientistas portuguesas seleccionadas pela relevância que a sua pesquisa poderá trazer à evolução das “Ciências da Vida”. As seleccionadas foram Inês Araújo, Sónia Gonçalves, Ana Sarzedas e Sandra Sousa que recebem dez mil euros cada uma para prosseguirem a sua investigação.
O júri científico que analisou as candidaturas foi presidido por Alexandre Quintanilha.
Pela segunda vez em Portugal, este prémio é organizado pela l’Oréal, com o apoio da Comissão Nacional da UNESCO e da Fundação para a Ciência e a Tecnologia, e visa incentivar e reconhecer o trabalho de jovens cientistas portuguesas que façam a sua investigação em Portugal.
As quatro cientistas galardoadas trabalham em laboratórios portugueses e fazem investigação nas áreas da Biologia Celular e Genética, Biofísica e Imunologia.
SJA | 10:17 AM | Comentários (5)
setembro 22, 2005
Ciência e Sociedade
Science in Society -An introduction to social studies of science
De Massimiano Bucchi

Apresento-vos este livro. Foi escrito por Massimiano Bucchi como uma pequena introdução à Sociologia da Ciência e parece-me essencial para qualquer cientista que queira saber um pouco mais sobre os aspectos sociais da Ciência. Como é apenas uma introdução, não se torna demasiado pesado para os não versados em sociologia.
A relação entre o Homem e a Ciência e o modo como o mundo que nos rodeia e a nossa cultura têm sido influenciados pela Ciência, são uma preocupação crescente de estudos sociológicos. Além disso, a Ciência está cada vez mais ao centro de debates públicos. Sem assumir algum conhecimento científico da parte do leitor, Bucchi descreve as maiores tendências na Sociologia de Ciência, usando exemplos muito ilustrativos. Estas tendências incluem a teoria da revoluções científicas de Kuhn, a sociologia do conhecimento científico e a construcção social da tecnologia. A segunda parte do livro trata de algumas controvérsias recentes sobre o papel da Ciência no mundo moderno tais como as guerras de Ciência e as implicações sociais do projecto do genoma humano. O livro está dividido em oito capítulos que elucidam muito claramente como a Ciência funciona, por que é que os sociologistas a acham interessante e como é gerado o conhecimento científico. Decerto, um livro necessário para todos os cientistas (naturais ou sociais).
SJA | 02:24 PM | Comentários (1)
setembro 15, 2005
Montra Natura

Série de imagens de um embrião de Drosophila melanogaster a 4 horas após a fertilização. A vermelho as células germinais e a azul todas as células do embrião.
Fotografia (artística) de Oliver Grimm.
SJA | 04:32 PM | Comentários (0)
setembro 13, 2005
Blogociência Portuguesa

No seguimento de um artigo que escrevi para o Ciência Hoje sobre blogues portugueses de Ciência, foi criado o Blogues de Ciência em Portugal. Uma boa lista de referência e que se espera venha a crescer.
SJA | 05:28 PM | Comentários (4)
setembro 08, 2005
Comunicar Ciência 2005

Terminou no passado domingo o Comunicar Ciência 2005, um workshop destinado a melhorar a comunicação entre os investigadores científicos portugueses, os meios de comunicação e o público. Os 17 participantes (ver foto em que aparecem juntamente com alguns dos formadores) passaram três dias e meio muito intensos, entre a imprensa, a televisão e o público.
Os formadores convidados incluíram a Elisabete Caramelo, o António Granado e a Ana Moutinho que trouxeram os jornais até ao workshop e desvendaram aos participantes os segredos por detrás de uma conferência e um comunicado de imprensa. No segundo dia, contámos com a fortíssima presença do Frank Burnet, da Ana Noronha e da Ana Coutinho, que nos falaram de várias actividades de comunicação de Ciência para o público. Eu e o Bruno Afonso demos umas dicas sobre escrever Ciência para a internet. No sábado, contámos com a experiência televisiva e a simpatia contagiante de Malcolm Love e Suely Costa e a sabedoria do Steve Miller que nos falou da comunicação de risco. No final do workshop, os participantes tiveram a sua oportunidade de brilhar com os projectos de uma actividade de comunicação para o público. Agora estamos cansados, mas para o ano há mais!
SJA | 10:13 AM | Comentários (4)
agosto 25, 2005
O Dalai Lama e a Ciência

O Dalai Lama está no centro de uma discussão entre cientistas sobre os seus planos de vir a dar um seminário na conferência anual da Sociedade de Neurociências que irá realizar-se em Novembro próximo. Este seminário deriva do interesse crescente de como a meditação Budista pode afectar o cérebro humano. Alguns investigadores, que consideram estes estudos como “má ciência”, dizem que boicotarão a conferência se o Dalai Lama vier a público discutir as influências da meditação. Muitos outros cientistas partilham da opinião de que não é apropriado ter um líder religioso numa reunião científica.
O Dalai Lama acredita que o corpo e a mente podem ser separados e passados a diferentes pessoas. No entanto, não existem bases científicas sólidas que o provem. Desde sempre, o Dalai Lama tem demonstrado um interesse em ciência e disse uma vez que se não fosse monge seria engenheiro. Durante a última década ele tem encorajado muitos neurocientistas a estudar os efeitos da meditação budista, dando entrevistas e seminários em universidades Norte-americanas.
Tipicamente, os monges budistas passam bastantes horas por dia em meditação e pensa-se que esta prática poderá aumentar os seus poderes de concentração. Meditadores treinados declaram poder manter a sua atenção num único objecto durante horas sem distracções ou mudar a sua atenção cerca de 17 vezes num segundo. Ambas as reivindicações estão contra o pensamento científico actual que diz que a atenção não pode ser mantida por tanto tempo nem mudada tão rapidamente. Alguns cientistas já começaram a realizar estudos para conseguir provar estes factos. Alguns acreditam que estas habilidades dos monges podem ser devidas à plasticidade neuronal, a capacidade de adaptação e mudança que está presente mesmo em cérebros de mamíferos adultos. Parte destas investigassões já foi publicada em Novembro passado pela equipa liderada por Richard Davidson, no jornal científico PNAS. Neste artigo, os autores sugerem que as redes neuronais cerebrais de pessoas treinadas em meditação são melhor coordenadas. Estes cientistas, que incluem Matthieu Ricard, um monge budista com um doutoramento em Biologia Molecular, dizem que as diferenças cerebrais observadas podem explicar a elevada consciência que os monges dizem possuir.
Richard Davidson faz parte do grupo de cientistas que convidou o Dalai Lama a dar o seminário que será o primeiro numa série que busca aumentar o diálogo entre a neurociência e a sociedade. Carol Barnes, a presidente da Sociedade para a Neurociência, disse: “O Dalai Lama tem tido um grande interesse em Ciência e mantido um diálogo constante com os neurocientistas desde há mais de 15 anos, esta é a razão por que foi convidado a falar nesta conferência. Foi concordado que o seminário não será sobre religião ou política. Nós compreendemos que nem todos os membros concordem com todas as decisões e respeitamos o seu direito a discordar” (fonte The Guardian, UK)
Um pequeno grande pormenor acerca de toda esta discussão é o facto da maioria dos cientistas opoentes ao seminário do Dalai Lama serem de origem chinesa. O Dalai Lama tem vivido no exílio na Índia, desde que escapou às tropas chinesas no Tibete em 1959.
SJA | 10:11 AM | Comentários (6)
agosto 18, 2005
A Associação Viver a Ciência
A Associação Viver a Ciência é uma associação sem fins lucrativos formada por jovens cientistas que, maioritariamente, desenvolvem a sua investigação em Portugal. Tem como objectivo principal envolver os cidadãos na promoção da Ciência e das carreiras em investigação científica. Surge da convicção por parte de cientistas da área das Ciências da Vida de que, para assegurar o continuado desenvolvimento do país, é necessário reforçar o investimento em Ciência e Tecnologia, envolvendo directamente as entidades privadas e os cidadãos. A Associação Viver a Ciência dedica-se a organizar iniciativas, eventos e acções de divulgação de Ciência, sempre baseados na criação de espaços de diálogo entre cientistas e cidadãos, e a angariar fundos privados destinados ao apoio financeiro de projectos e investigadores científicos.
O lançamento oficial da Associação Viver a Ciência decorreu a 24 de Novembro de 2004, na Academia das Ciências de Lisboa e contou com a presença do Presidente da República, Jorge Sampaio, da então ministra da Ciência e do Secretário de Estado da Ciência e Inovação, bem como de vários representantes das áreas científicas, empresariais e políticas do país. No seguimento deste evento de lançamento a Associação Viver a Ciência iniciou a preparação de actividades para 2005, assim como a sua apresentação a possíveis patrocinadores.
Para cumprir um dos seus objectivos (trazer mais recursos privados e empresariais para a investigação científica) a associação lançou, em Fevereiro de 2005, dois importantes prémios para cientistas: o prémio Crioestaminal, no valor de 20.000 euros, que financia o melhor projecto a dois anos de investigação em Biomedicina em Portugal, e o prémio Citomed, no valor de 3.000 euros, que financia 3 participações em conferências científicas internacionais, a cientistas que desenvolvam o seu trabalho em Portugal. O prémio Crioestaminal ainda não foi atribuído e o primeiro prémio Citomed foi atribuído, entre 34 candidato(a)s, a uma investigadora da Universidade do Algarve, para a participação numa conferência na Bélgica.
No âmbito da promoção da Ciência, a Associação Viver a Ciência, em colaboração com os laboratórios Pfizer, realizará em Dezembro deste ano uma exposição de fotografia científica no Centro Cultural de Belém em Lisboa. Esta exposição, intitulada “Laboratório de imagens” pretende explorar o valor artístico gerado durante o processo de investigação científica, proporcionando ao público uma perspectiva diferente do modo como actualmente se faz Ciência em Portugal.
A nível local, decorreu de Janeiro a Junho de 2005, o “Oeiras vive a Ciência” patrocinado pela Câmara Municipal de Oeiras e em colaboração com outras instituições, visando a promoção do conhecimento, a interacção e o envolvimento de cidadãos e estudantes nas actividades científicas desenvolvidas no Concelho de Oeiras.
A nível nacional, a Associação Viver a Ciência começou um projecto aprovado pela Comissão Europeia, cujo objectivo principal é promover o diálogo entre políticos pertencentes à comissão parlamentar para a Ciência e cientistas. Para tal, a Associação Viver a Ciência produzirá uma brochura para dar a conhecer alguns exemplos de histórias de sucesso na Ciência portuguesa.
A Associação Viver a Ciência conta também com actividades destinadas a incentivar os investigadores a comunicarem melhor o seu trabalho ao público e aos meios de comunicação. O segundo workshop Comunicar Ciência, decorrerá em Setembro, no Instituto Gulbenkian de Ciência, em Oeiras, esperando-se novas edições nos próximos anos tanto na àrea de Lisboa como em outras partes do país.
Desde a sua fundação, a Associação Viver a Ciência, tem vindo a percorrer um longo caminho, num curto espaço de tempo. O apoio que tem tido dos vários sectores da sociedade e o esforço dos seus membros tem-se revelado essencial para o seu progresso. É, no entanto necessário que este seja um esforço contínuo e que o número de membros continue a aumentar.
texto de Margarida Trindade e Sofia Jorge Araújo
SJA | 10:03 AM | Comentários (0)
agosto 11, 2005
Ressaca
A tolerância ao álcool permite-nos beber mais resistindo durante mais tempo à embriaguez. Esta tolerância é diferente de pessoa para pessoa e é um dos factores que pode induzir à dependência alcoólica. Pessoas com elevados níveis de tolerância têm a tendência a beber mais do que outras, simplesmente porque necessitam uma dose superior para atingir o mesmo efeito.
Hoje, no jornal Nature, o grupo de Ulrike Heberlein publicou que mutantes de Drosophila que não têm um gene chamado hangover (em português, ressaca) possuem uma tolerância inferior ao álcool que outras moscas selvagens. Ou seja, emborracham-se mais facilmente! O gene hangover codifica para uma proteína que activa outros genes, provavelmente os responsáveis pela resposta ao stress. As moscas mutantes para hangover morrem mais jovens e não são muito capazes de lidar com factores de stress como o calor excessivo.
Este gene poderá ser usado para ajudar a identificar pessoas em risco de se tornarem alcoólicas. O objectivo final destes estudos é identificar alvos para o tratamento do alcoolismo.
SJA | 05:47 PM | Comentários (4)
Sexo, drogas e rock n'roll

Cartoon original de John Chilton, para o Conta Natura.
SJA | 03:19 PM | Comentários (8)
Parte II- Drogas
Falámos de sexo. Agora falemos de drogas. Mais concretamente de álcool e cocaína. Os mecanismos de actuação destas drogas podem também ser estudados usando a mosca da fruta, Drosophila melanogaster. Quantas vezes já vimos uma mosquinha a sobrevoar o nosso copo de vinho e até mesmo a cair dentro dele. Nessas ocasiões, a conversa às vezes converge para a piadinha sobre a mosca bêbeda e o “ai que elas que elas gostam tanto de copos como nós”.
No seu ambiente natural, que consiste de plantas em fermentação, a Drosophila está em contacto com níveis elevados de álcool. Estas moscas estão bem equipadas para lidar com os efeitos tóxicos do etanol (àlcool mais comum da fermentação); usam-no como fonte de energia e para biossíntese. As semelhanças entre a Drosophila e os mamíferos não se restringem ao modo como ambos metabolizam o álcool. Os comportamentos gerados pelo consumo elevado de álcool são bastante semelhantes entre a mosca e, por exemplo, o Homem. As moscas também mostram sinais de intoxicação aguda, que variam entre estimulação a doses baixas e a sedação completa a doses mais elevadas. Tal como nós, as moscas desenvolvem tolerância ao etanol e parecem gostar bastante de “uns copitos”, mostrando uma clara preferência por meios contendo álcool.
Surpreendentemente, as concentrações de álcool (20 mM) que despertam comportamentos alcoólicos na Drosophila, são aproximadamente as mesmas que produzem efeitos em humanos que não estão habituados a beber. Imediatamente depois de serem sujeitas a esta concentração de álcool, as moscas respondem aumentando a sua velocidade de locomoção. À medida que o etanol começa a acumular-se, as moscas entram uma fase mais prolongada de hiperactividade que dura algum tempo. Finalmente, começam a abrandar, caem de costas e assim ficam sem poder levantar-se. Enfim, nada que não se testemunhe, entre humanos, em qualquer bar por volta da meia-noite ou duas da manhã!
Por sua vez, o consumo de cocaína pelas moscas também produz comportamentos semelhantes aos dos mamíferos. Doses intermédias produzem comportamentos anormais, tais como caminhar em círculos e sem rumo enquanto que doses mais elevadas produzem excessivos movimentos rápidos e descontrolados e podem mesmo causar a morte.
Vários estudos têm sido feitos usando a Drosophila como modelo bioquímico e de comportamento após a administração de várias drogas. Apesar dos mecanismos de dependência no Homem serem bastante mais complexos e não poderem ser totalmente imitados pela mosca, o conhecimento dos mecanismos que modelam as respostas crónica e aguda às drogas pode continuar a ser aumentado por estudos em Drosophila melanogaster.
SJA | 02:24 PM | Comentários (4)
agosto 04, 2005
Eu clono, tu clonas, ele clona
Já há um cão clonado. Depois da famosíssima ovelha Dolly, e do furor sobre a clonagem dos gatos nos EUA, foi hoje publicado na Nature um artigo sobre a clonagem canina. Snuppy foi clonado a partir das células da orelha de um galgo afegão e é o único sobrevivente de uma experiência usando 1095 embriões implantados em 123 cadelas. Uma equipa de 15 cientistas do laboratório de Woo Suk Hwang, na Universidade de Seoul na Coreia do Sul, demorou dois anos e meio a conseguir este cachorro saudável.
Muitos mamíferos foram já clonados usando a transferência do núcleo de uma célula somática para um ovo (célula germinal) de onde foi previamente retirado o núcleo. A lista vai longa: ovelhas, ratinhos, vacas, cabras, porcos, coelhos, gatos, uma mula, um cavalo, uma ninhada de três ratazanas e agora um cão. Dá para pensar em jardins zoológicos ou quintas cheias de animais clonados e na possibilidade de podermos clonar a nossa mascote preferida. Mas a grande pergunta é mesmo o que é que a “mega-clonagem” nos traz de novo? Clonamos tudo, mas para quê? Hwang diz que o sucesso em clonar cães, juntamente com a sequenciação do genoma do cão, abrirá as portas para linhagens caninas que modelem doenças humanas. O mesmo poderia ser dito pelos criadores dos outros mamíferos clonados. No entanto, tendo em conta o parco sucesso destas experiências (no caso de Snuppy, 1 em 1095) teremos muito que esperar até conseguirmos esse canil de cães doentes que existirá para o bem da humanidade. Além disso, a clonagem de mamíferos não é necessária para criação de modelos de doenças humanas em animais. Já temos moscas, ratos, ratazanas e até mesmo cães que são modelos de várias doenças sem ser necessária a clonagem.
Continue a ler "Eu clono, tu clonas, ele clona"
SJA | 03:57 PM | Comentários (8)
junho 30, 2005
Método científico

Nota: Esquimales=Esquimós
SJA | 05:01 PM
junho 23, 2005
Este neurónio é só teu…

Isto diria eu ao Brad Pitt se tivesse a oportunidade de o conhecer. Ao que parece, e contra muitas teorias, possuímos um neurónio dedicado a cada pessoa. Um para a mãe, um para o pai, um para o primo, e mesmo um para cada pessoa famosa. Eu tenho um neurónio que é do Brad Pitt, por exemplo.
Esta semana foi publicado na revista Nature uma experiência que levou a concluir que neurónios individuais no nosso cérebro reagem especificamente às caras das pessoas. Um neurónio diferente para cada uma delas. Numa experiência que possibilita ver a actividade neuronal numa àrea cerebral chamada lóbulo temporal médio, oito indivíduos foram sujeitas a várias fotos de pessoas, conhecidas ou não, durante apenas um segundo. Os resultados à medida que os examinados foram vendo as fotos revelam quão selectivos são estes neurónios. Por exemplo, um neurónio de um dos pacientes respondia quase unicamente à imagem do Bill Clinton, mesmo quando lhe mostravam fotografias diferentes do ex-presidente. Imagens da Jennifer Anniston (que para quem não sabe, é a ex-mulher do Brad Pitt), produziram o mesmo efeito noutra pessoa. Mas em todos os casos, se o fotografado era uma pessoa diferente, então a actividade era detectada noutro neurónio. No caso da pessoa com actividade neuronal relativa à Jennifer Anniston, fotografias do Brad Pitt não activaram o mesmo neurónio, apesar da imagem “famosa” dela poder ser associada à dele.
Actividades deste tipo sempre se julgaram como “multi-neuronais”, ou seja, muitos neurónios activos ao mesmo tempo para muitas fotografias diferentes. Este estudo vem a dar-nos uma pista, que se calhar usamos menos células neuronais para reconhecimento de objectos e pessoas.
E eu aproveito para pôr uma foto do Brad Pitt no Conta. Lembrem-se que um neurónio dos vossos é dele, só dele e de mais ninguém.
SJA | 06:42 PM | Comentários (1)
MotoMosca

Da autoria de Dejan Ninov, irmão do meu colega Nikolay Ninov, e feito em honra dos Drosophilistas deste mundo!
SJA | 04:14 PM
junho 20, 2005
Mário Corino de Andrade
Mário Corino de Andrade faleceu, com 99 anos, na cidade do Porto no passado dia 16 de Junho. Neurologista e professor universitário foi responsável pela identificação da paramilóidose ou“doença dos pezinhos”, também conhecida por “doença de Andrade”. A paramilóidose é uma condição neurológica hereditária típica das regiões piscatórias do Norte e Centro de Portugal e que foi depois identificada em outras regiões litorais do Mundo (por exemplo, no Japão e na Suécia). Nos anos 50, Corino de Andrade detectou esta doença ao observar pescadores da zona da zona da Póvoa de Varzim que não sentiam dor quando se cortavam nas cordas dos barcos.
Politicamente activo, Corino de Andrade não escapou à opressão da PIDE e, durante o Estado Novo, foi perseguido pelas suas ideias chegando mesmo a ser preso.
Embora com algum atraso, fica aqui hoje a minha homenagem a Corino de Andrade, um grande homem da Ciência portuguesa.
SJA | 10:55 AM | Comentários (2)
junho 18, 2005
Cartoon do dia

SJA | 07:33 PM | Comentários (5)
junho 16, 2005
Sexo, drogas e rock n’roll
Parte I - Sexo
A mosca e o sexo. Podemos aprender muito ao estudar a mosca do vinagre (Drosophila melanogaster). Desta vez venho falar-vos de estudos de comportamento. Numa tentativa quase desesperada de aumentar a audiência do Conta Natura, decidi usar o truque baixo de escrever a palavra sexo no título deste post. Truques bastante usados por todos os meios de comunicação e que sempre criticamos. Mas a verdade é que venho mesmo falar de sexo, mais concretamente do comportamento de cortejamento da mosca do vinagre.
O cortejamento da mosca é bastante sofisticado e feito essencialmente pelo macho. O macho de Drosophila persegue a fêmea até conseguir copular. Começa por caminhar atrás dela. Em seguida, toca-lhe com as patas da frente. Depois, canta-lhe uma canção que toca fazendo vibrar uma das suas asas. Aqui, se tudo estiver a correr bem, lambe os órgãos genitais da fêmea e, curvando o seu abdómen, tenta copular com ela. O comportamento da fêmea de Drosophila é mais passivo e basicamente, pode ser descrito como de constante fuga às tentativas do macho. Mas apesar disto, não é um comportamento desencorajador para o pobre macho que se esforça tanto. As fêmeas produzem uma feromona que incita os machos a começar o cortejamento. Durante a dança de engate do macho, se a fêmea não copulou recentemente, e ele lhe agrada, parará de fugir dele e abrirá as placas vaginais para facilitar a copulação.
Um dos genes que regula este comportamento chama-se fruitless e fez furor nalgumas notícias há duas semanas. Fruitless é um gene famoso, porque ao regular o comportamento sexual de Drosophila, também regula as suas preferências sexuais. Fruitless é conhecido desde 1965, como um gene regulador do comportamento sexual da Drosophila. Desde então se tem tentado compreender como funciona e regula este processo. Há duas semanas foram publicados no jornal Cell mais dois artigos que iluminam um pouco mais este processo. No artigo mais falado, os cientistas implicados fizeram uma mosca fêmea geneticamente modificada na qual inseriram o gene fruitless tal e qual aparece no macho. O resultado foi que esta fêmea começou a cortejar outras fêmeas, adoptando o comportamento do macho da espécie. Fruitless é apenas um dos muitos genes envolvidos no comportamento da Drosophila, mas este trabalho demonstra a sua importância na definição do comportamento sexual da mosca do vinagre. Atenção que não se pode extrapolar daqui até à homosexualidade humana como parecia nalgumas notícias acerca deste trabalho.
Bem, espero que depois deste post não ponham um aviso “para maiores de 18 anos” no Conta. Para a semana volto com a parte II desta série e escreverei sobre drogas!
SJA | 04:03 PM | Comentários (4)
junho 09, 2005
Detalhe

Detalhe de um tubo do sistema respiratório do embrião de Drosophila melanogaster, a mosca do vinagre (ou da fruta). A verde as células que formam o tubo, a vermelho a membrana interior, impermeável.
SJA | 07:25 PM | Comentários (2)
Anonimato científico
Ultimamente, tem-se discutido muito aqui no Conta sobre o anonimato e a liberdade de expressão. Os direitos e os deveres de se poder ser anónimo, o bem e o mal que daí advêm. Há dois tipos de anonimato. O primeiro diz respeito a escolhas e expressões de opinião. O voto é geralmente anónimo e os defensores argumentam que é para bem da liberdade de escolha. Os “do contra” lembram-nos que o anonimato (especialmente noutras coisas que não em eleições por sufrágio universal) favorece o abuso, a desresponsabilização e gera a falta de credibilidade. O segundo tipo de anonimato diz respeito, não a escolher mas a ser escolhido. Somos anónimos em importantes exames escritos para pôr fim ao suborno e às “cunhas”. Não somos anónimos em entrevistas de emprego nem em manifestações. Às vezes podemos escolher e noutras somos obrigatoriamente anónimos. Nalgumas coisas “damos a cara”, noutras não. Em Ciência passa-se algo muito interessante e que se pode, e deve, discutir à luz dos mesmos argumentos. Refiro-me à selecção de artigos científicos a publicar em revistas de especialidade.
Os cozinheiros cozinham e assim mostram o trabalho que fazem. Se o prato é excelente, o cozinheiro terá uma carreira prometedora. Possivelmente abrirá um restaurante com três estrelas Michelin. Se o prato é mau, enfim, ficar-se-á pelo snack-bar da esquina a fazer pregos no prato. Os cientistas fazem experiências e, para mostrar o seu trabalho, quando conseguem demonstrar uma teoria (por pequena que seja) terão que a publicar. Se os artigos publicados são bons, é mais fácil obter financiamento para novos projectos e, no futuro, ser chefe de um laboratório de cinco estrelas. Se não há artigos publicados ou se estes são medíocres, bem, eventualmente poderemos acabar no snack-bar da esquina a fazer pregos no prato com o nosso amigo cozinheiro.

O processo de publicação de artigos científicos faz-se servir de um anonimato unilateral. O processo base é o seguinte: o manuscrito de um artigo é enviado a uma determinada revista científica devidamente “assinado” por todos os que contribuíram para esse trabalho; o editor da revista decide se o trabalho é bom e merece ser examinado por cientistas da mesma área; se decide que sim, então esse artigo é enviado a dois ou três cientistas de boa reputação que após o analisarem enviam um relatório, por vezes extensivo, ao mesmo editor; neste relatório escrevem a sua opinião, decidem se os autores do trabalho devem fazer mais experiências e oferecem o seu parecer sobre se o dito artigo deverá ser publicado ou não. Ora, aqui está o fulcro da questão e o ponto onde eu quero chegar. Estes examinadores de artigos, guardam o seu anonimato e a sua identidade nunca é revelada aos autores do trabalho analisado (aparte claro, de excepções, quando os comentários são demasiado reveladores e identificam o cientista anónimo).
A discussão sobre a avaliação de artigos científicos é bastante extensa e as opiniões muito variadas. Há quem defenda o processo por dizer que assim é salvaguardada uma análise honesta e uma crítica que, fora do círculo anónimo, não existiria (penso que todos nós sabemos quão difícil nos é aceitar a rejeição e as críticas, mesmo quando estas últimas são construtivas). Há quem critique o processo por desresponsabilizar quem critica e rejeita. Há ainda outros que defendem o completo anonimato (tanto dos autores como de quem decide), porque este daria mais força ao bom trabalho em vez do laboratório mais conhecido ou o chefe mais famoso. Há opiniões para todos os gostos e cada cientista pensa possuir a solução perfeita para uma publicação de artigos mais honesta, livre, transparente e desinteressada. Esta semana na The Scientist aparece mais um artigo a discutir o assunto. Nele, David Kaplan, apresenta as suas soluções para melhorar o processo de selecção nas publicações científicas.
A discussão continua e é necessária, mesmo que não se encontre uma solução perfeita…
SJA | 02:49 PM | Comentários (18)
junho 04, 2005
Propagação da Biogaffe
A comunicação de Ciência passa, maioritariamente, do cientista ao público através dum intermediário. Os cientistas fazem descobertas, comunicam o seu trabalho a revistas de especialidade e, a partir daí, estas passam ao domínio público. A linguagem destas comunicações a revistas técnicas é, normalmente, incompreensível para quem não trabalha na área em questão. É necessário um tradutor que passe a mensagem. Na maioria dos casos as revistas científicas ou os próprios institutos/universidades têm gabinetes de imprensa que lançam comunicados. Estes comunicados chegam aos computadores de jornalistas que lhes pegam e lhes dão formato de notícia. Geralmente, estes jornalistas não possuem formação científica. Lêem o comunicado de imprensa e reciclam-no para uma página de jornal, um noticiário da rádio. Se há um erro no comunicado de imprensa, este propaga-se, como um vírus da gripe, por todas as notícias referentes ao mesmo assunto. Por isso, é necessário ter muito cuidado quando se escreve um comunicado de imprensa. Assim, acho imperdoável que uma agência noticiosa como a Lusa tenha cometido uma biogaffe tão básica como a de chamar mosquito à Drosophila.
As vozes fazem-se ouvir de que não interessa, porque quando voam sobre um copo de vinho as moscas e os mosquitos parecem iguais. Os cientistas discordam.
PS – E os meus parabéns ao jornal Público por ter chamado mosca à mosca! Na mosca…
SJA | 04:54 PM | Comentários (2)
junho 03, 2005
A origem da Biogaffe do dia
"A investigação incidiu apenas no mosquito "drosophila melanogaster", mas os cientistas julgam ter encontrado a chave de novos conhecimentos essenciais do comportamento sexual, incluindo o dos seres humanos.
O mosquito em causa é um dos animais modelo da biologia e tem um genoma muito semelhante ao do ser humano."
Da Agência Lusa
Assim se propagam os erros em jornalismo científico...
SJA | 08:47 PM
Confiar em estranhos?
Um snife de oxitocina e lá se vão os conselhos da mãe. Todos aprendemos, em tenra idade, a não confiar em estranhos, mas a confiança parece poder ser modulada através da admnistração de oxitocina. Michael Kosfeld e colegas publicaram ontem na Nature um artigo que demonstra que uma dose de oxitocina intranasal pode mudar a percepção e a confiança que temos em estranhos.
Através de uma experiência em comportamento humano baseada num jogo financeiro de “faz-de-conta” estes cientistas de um laboratório Suiço, concluíram que a oxitocina aumenta os níveis de confiança que temos nos nossos companheiros ou adversários, em amizade ou em negócios.
A oxitocina é uma pequena proteína, com apenas nove aminoácidos, produzida numa zona cerebral que se chama hipotálamo. Esta proteína actua tanto em certas partes do corpo (como por exemplo na indução do trabalho de parto) quanto em regiões cerebrais cuja função está associada com emoções e comportamentos sociais. Em animais, a oxitocina contribui para as uniões sociais (incluindo uniões macho-fêmea e uniões mãe-filho) e pensa-se que também actua diminuindo as resistências que os animais têm à proximidade de outrem.
Com este pano de fundo Kosfeld e colegas puseram a hipótese de que a oxitocina poderá estar envolvida em comportamentos humanos que requerem confiança no próximo. Hipótese leva a experiência e este grupo de investigadores acabou por fazer um ensaio envolvendo dinheiro e investimentos (que mais se poderia esperar de um grupo Suiço?). A um grupo de pessoas administraram uma dose de oxitocina por aspiração nasal e ao outro não. Aconteceu que o grupo de “accionistas” que tomou esta proteína exibiu muito mais confiança em entregar o seu dinheiro aos “banqueiros”.
O significado deste estudo é bastante claro. Não só se pode concluir que algumas ocasiões sociais humanas levam à libertação de oxitocina em certas regiões cerebrais como também que esta proteína modula o comportamento que leva à confiança entre seres humanos.
Àqueles que estiverem mais interessados aconselho a leitura deste artigo na revista Nature (acompanhado de um resumo na secção News and Views, escrito por António Damásio).
SJA | 03:26 PM | Comentários (2)
junho 02, 2005
Comunicar Ciência II

De 1 a 4 de Setembro de 2005 terá lugar no Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC) o segundo workshop Comunicar Ciência. Este workshop é dirigido aos cientistas portugueses que desejem alargar os seus horizontes e levar mais além as suas capacidades comunicativas. O Comunicar Ciência tem como objectivo principal melhorar a comunicação entre os investigadores científicos portugueses, os meios de comunicação e o público.
Este ano o Comunicar Ciência seguirá os mesmos moldes do seu antecessor, que também teve lugar no IGC, em Setembro de 2003. Está a ser organizado por mim, pela Mónica Bettencourt Dias e pela Ana Paula Coutinho e conta com o apoio financeiro e logístico do British Council, da Fundação para a Ciência e a Tecnologia, da Fundação Calouste Gulbenkian, do IGC e da Associação Viver a Ciência.
Os cientistas portugueses interessados, participarão em 3 dias e meio de actividades abrangendo as várias vertentes da comunicação de Ciência para audiências não técnicas. Em suma, aprenderão a escrever comunicados de imprensa e notícias científicas, como preparar/agir durante uma entrevista e como comunicar e organizar actividades para/com vários públicos. Um assunto que não foi focado no workshop de 2003, mas estará presente em 2005, será como comunicar e abordar risco em matérias científicas.
O workshop Comunicar Ciência está aberto a todos os investigadores científicos portugueses, mas devido às suas características muito práticas tem um número limite de 16 participantes. As inscrições estão abertas e os cartazes já foram enviados a várias entidades para divulgação (ver cartaz acima).
Ficamos à espera das vossas candidaturas e depois do dia 4 de Setembro pode ser que apareça uma reportagem fotográfica aqui no Conta Natura!
SJA | 11:46 AM | Comentários (4)
março 24, 2005
Porque ele merece

Referindo-me ao post da Maya de 3 de Março ("Porque eu mereço") venho informar-vos que o presidente da Universidade de Harvard, Larry Summers, foi considerado "não ser de confiança" pelos membros da Faculty of Arts and Science da mesma Universidade. Esta moção de não confiança (votada no dia 15 de Março) aparece no seguimento dos comentários negativos que fez acerca da participação feminina nas Ciências e poderá ter como consequência o afastamento de Summers da presidência de Harvard.
Relembro-vos que Larry Summers disse no passado mês de Janeiro que existem diferenças básicas na capacidade científica das mulheres o que, segundo a sua opinião, explicaria a dominância masculina no mundo científico.
Que pena que estas barbaridades não sejam sempre castigadas...
SJA | 02:27 PM | Comentários (3)
fevereiro 18, 2005
Domingo e referendo
Este domingo é dia de votos. 
Aqui em Espanha vota-se entre o sim e o não ao tratado pelo que se estabelece uma Constituição para a Europa. Importante e inovador na medida em que “nuestros hermanos” serão os primeiros cidadãos europeus a fazer pública a sua opinião sobre a nova constituição. O tratado é gigantesco. Tem quatro partes, imensos capítulos e 448 artigos. Nele se estabelecem e definem os objectivos, direitos, instituições, políticas e competências da União Europeia. Mas vamos ao que (nos) interessa. Os artigos número 248 a 255 definem a posição da União Europeia no que diz respeito à Investigação e Desenvolvimento. O artigo 248 começa com “A acção da União Europeia terá por objectivo fortalecer as suas bases científicas e tecnológicas, mediante a realização de um espaço europeu de investigação em que os investigadores, os conhecimentos científicos e as tecnologias circulem livremente, favorecer o desenvolvimento da sua competitividade, incluída a da sua industria, assim como fomentar acções de investigação que se considerem necessárias em virtude dos demais capítulos da Constituição” e continua com “… a União estimulará em todo o seu território (…) aos centros de investigação e às universidades nos seus esforços de investigação e desenvolvimento tecnológico de alta qualidade”(a tradução é minha).
Sim ou Não? Da opinião dos espanhóis saberemos em breve. Sobre o que acontecerá com a Ciência europeia teremos que saber esperar para poder averiguar.
SJA | 11:22 AM
fevereiro 02, 2005
Cadernos de Guerra III
A SIDA é apenas uma doença. Do mesmo modo que os diários públicos de John Diamond e Ivan Noble começaram a desmistificar o cancro, a revelação de um ex-ministro britânico sobre a sua condição de seropositivo abre novas portas na aceitação dos doentes de SIDA como apenas doentes crónicos.
Na semana passada, o ex-ministro trabalhista Chris Smith fez público o facto de ter sido diagnosticado HIV positivo em 1987. Chris Smith foi o primeiro membro do governo britânico a admitir publicamente a sua homossexualidade em 1984. Disse que os comentários que Nelson Mandela fez acerca da morte do seu filho Makgatho o convenceram a falar da sua própria doença. Mandela disse: “Vamos dar publicidade ao HIV/SIDA e não escondê-lo, porque essa é a única maneira de o vermos como uma doença normal.”
Claro que Chris Smith teve e tem sorte. Tem à sua disposição no sistema de saúde britânico todos os fármacos que necessita para impedir o avanço da doença. O mesmo não se pode dizer dos milhares que morrem em todo o mundo. A SIDA é só uma doença crónica, mas apenas para os afortunados que vivem nas nações ricas. No entanto, foi dado mais um passo para a sua desmistificação e quanto mais se falar, mais se poderá fazer, tanto na prevenção como no acompanhamento dos doentes.
SJA | 04:41 PM | Comentários (4)
dezembro 10, 2004
A falar com quem responde
Durante os anos que se seguiram ao “Bodmer report” os cientistas adoptaram, de uma maneira geral, um modelo de deficit na comunicação de Ciência ao público. Tal modelo ignorava de sobremaneira vários pontos que são hoje considerados fundamentais. Para começar, esquecia que há variados públicos diferentes e assumia a existência de uma só plateia, que se supunha (1) não saber nada de Ciência e (2) querer saber mais. Como ignorava a existência de vários públicos, ignorava o facto que públicos diversos não só possuem conhecimentos diferentes, como também se apercebem e lidam com os vários factos de modo inteiramente diferente. Em segundo lugar, ignorava que uma colecção de factos científicos não ajuda os cidadãos, na sua vida do dia-a-dia, a compreender temas actuais e controvérsias científicas. Por fim, ignorava e retirava a possibilidade desses públicos virem a ter uma opinião que pudesse também ser ouvida.
Todas as avaliações demonstraram que, apesar do aumento das actividades de comunicação de Ciência no Reino Unido nos anos que se seguiram ao “Bodmer report”, o nível da literacia científica não aumentou. Vários estudos vieram também pôr em causa que o simples aumento do conhecimento científico de uma população aumente a sua paixão pela Ciência ou a forma como lida com factos controversos. Face a estas observações, em 2000 um relatório proveniente da Casa dos Lordes do Reino Unido (House of Lords Select Committee on Science and Technology-Science and Society) propôs trocar o "modelo de deficit" por um novo modelo de comunicação que envolve os públicos na actividade científica e promove o diálogo entre eles e os cientistas. A comunidade científica tem não só o dever de comunicar a Ciência que faz no laboratório, mas também a obrigação de o fazer de modo a que os públicos a que se dirige tenham a oportunidade de expressar a sua opinião. As novas palavras-chave são o diálogo, a discussão e o debate acerca da Ciência e suas implicações para a Sociedade e para os indivíduos.
Este novo tipo de comunicação envolve actividades tais como conferências de consenso, debates com cientistas e, cada vez mais, o uso da internet para troca de opiniões entre cientistas e os variados públicos (aqui no Conta já o tentamos fazer!).
Se tudo isto é relativamente trivial e louvável, o grande desafio, mais delicado e controverso, é a participação do público nos processos de decisão. No passado mês de Outubro saiu um editorial na revista Nature entitulado Going public onde se discutia se o público deverá ou não ter uma participação mais activa nos processos de decisão política, ética e de financiamento científico. Caminhando em direccção ao diálogo, a comunidade científica terá indubitavelmente que analisar a questão da participação do público nos processos de decisão. Em Portugal, o caminho a percorrer ainda é longo.
SJA | 03:37 PM
dezembro 01, 2004
A falar para as paredes?
Há cerca de 20 anos, foi publicado pela Royal Society do Reino Unido um documento da autoria de Sir Walter Bodmer com o nobre título de “The public understanding of Science” (mas que ficou conhecido para a posteridade apenas por “Bodmer Report”). Este relatório marcou o início da era moderna do movimento de divulgação e comunicação de Ciência no Reino Unido e criou o movimento de Public Understanding of Science (PUS) chegando mesmo à criação de uma comissão responsável pela coordenação geral e financiamento de projectos de comunicação de Ciência (Committee on the Public Understanding of Science, ou COPUS, o que pronunciado em português gera sempre uns risinhos abafados na audiência).
Mas o que disse Sir Bodmer no seu relatório? O ponto fulcral foi que a compreensão científica por parte do público é de extrema importância para o funcionamento democrático de uma nação moderna. Isto é, à medida que as sociedades desenvolvidas se tornam mais dependentes da Ciência e da Tecnologia, torna-se cada vez mais necessário que haja compreensão desta mesma Ciência e Tecnologia por parte dos cidadãos. Comunicar Ciência passou a ser então o dever de todos os cientistas e a popularização do conhecimento científico ficou legitimada.O “Bodmer report” foi publicado em 1985 e desde aí as actividades de comunicação de Ciência no Reino Unido aumentaram de sobremaneira. O movimento PUS passou a estar deste modo completamente engrenado na estrutura científica do Reino Unido. O que se passou de seguida foi que a análise de todos estes anos de comunicação de Ciência não teve na realidade os resultados esperados. O impacto da Ciência na sociedade não atingiu ainda os valores tão esperados na década de 80. Em vários relatórios publicados depois dos 10 anos do aparecimento do COPUS, notou-se que, embora o interesse do público na actividade científica continuasse o mesmo, não houve aumento no conhecimento que este mesmo público possuía sobre a Ciência. Reparou-se que o modelo usado durante todos estes anos não era o mais correcto, que nós os cientistas e os vários comunicadores de Ciência se basearam demasiado num modelo de deficit em que se pensava que o público precisava de receber ensinamentos científicos e que o necessário era apenas uma dinâmica escolar, de professor (que ensina factos) a aluno (que os recebe e poderá digerir ou não consoante a sua motivação). Assumiu-se que o público possuía uma ignorância científica e que o necessário era estritamente o fornecimento dos factos. A ideia geral e o argumento mais vezes ouvido era que quanto mais o público ouvisse falar de Ciência mais entenderia e mais se apaixonaria.
Correntemente, o movimento está em fase de mudança e passámos do que se chama o “modelo de déficit” a um modelo mais interactivo, em que o público também terá uma palavra a dizer. Sobre esta nova fase voltarei mais tarde (noutro dia), porque já me alonguei demasiado… Querendo acabar como comecei, gostava só de dizer que nós não estamos aqui para “mandar umas patacoadas” científicas para o nosso próprio prazer. Queremos ir mais longe e ouvir os vossos comentários (não só os nossos)!
SJA | 05:15 PM | Comentários (18)