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outubro 30, 2006
Portugal Santiago Diário
Leio no Portugal Diário (que por este andar ainda vai tornar redundante o meu trabalho neste blogue) que os "Bolseiros" de Investigação "armaram barraca" (literalmente) em frente à Assembleia da República. «Cientistas estão nas lonas», garantem eles (coisa que, por sinal, me recordou a necessidade de comprar um novo jogo de pneus...).
Há um ditado conhecido, Timeo Danaos et dona ferentes, que signfica (em tradução livre): "Quem o tem, tem medo". Talvez por isso tenha gostado tanto de ler a citação que a notícia a certa altura transcreve: "Mariano Gago anunciou recentemente não temer «a fuga de cérebros portugueses» para o estrangeiro".
A alguém terá ocorrido que Mariano Gago pudesse ter medo da "fuga de cérebros portugueses" para o estrangeiro?
Ele???? Ter medo??? Nunca!!!
Publicado por Santiago às outubro 30, 2006 10:57 PM
Comentários
As intervenções aqui feitas a propósito da política do governo parecem-me ser de má fé ou resultar de uma insuficiente análise das qualidades de alguém que há mais de vinte anos tem responsabilidades no sistema científico nacional. Pode parecer difícil de acreditar, mas Mariano Gago ficará para a história por descobertas e feitos impressionantes e a meu ver dificilmente superáveis:
i) Por ter dado o alarme que existe hoje em dia pela primeira vez um risco, mas não uma realidade, de fuga de cérebros em Portugal; tal como aconteceu noutros países no passado (http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1226333).
ii) Pela declaração que há agora mais cientistas a entrar em Portugal que a sair (se pensam que há incoerência com a anterior afirmação é distração ou má vontade vossa). Eu honestamente pensava que a fuga de cérebros tinha alguns séculos de tradição em Portugal, mas afinal era apenas ilusão (vaidade?) de estrangeirado. Não consegui ver os números, mas seguramente que todos os conhecedores da situação nacional de boa fé acreditarão piamente nas não-estatísticas do ministério.
iii) Pelo facto de ter descoberto que existem instituições de beneficência nos Estados Unidos da América, que noutros lugares se chamam universidades, que aceitam com bondade e abnegação que os contribuintes portuguesas paguem para que outros portugueses, ou os mesmos, é conforme, vão fazer ciência para lá. Uma chama-se MIT, mas parece que há muitas mais (http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1273058).
iv) Por finalmente ter tido a coragem e inteligência de dizer o óbvio: que o dinheiro gasto a fazer ciência é desperdício e que apenas as despesas de investimento são verdadeiramente justificadas. Trata-se da versão sofisticada da nunca-alcançada omolete sem ovos. Graças a este governo sabemos agora a forma de resolver este problema milenar: comprar mais frigideiras. (http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1274549)
Publicado por: Eduardo Rocha às outubro 31, 2006 12:11 PM