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outubro 24, 2006

Milipeia

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"Milipeia", ou "Super-Centopeia", é o novíssimo supercomputador do país que foi ligado com sucesso, na Universidade de Coimbra, na passada quarta-feira, estando agora em fase de testes. Este computador, que tem 528 processadores, sucede à Centopeia, que tinha apenas 108 e que estava a trabalhar desde 1998, e é cerca de dez vezes mais rápido. O seu rendimento sustentado é de 1,5 Teraflops (um milhão e meio de milhões de operações aritméticas por segundo). Este projecto, realizado no Centro de Física Computacional da Universidade de Coimbra, por Carlos Fiolhais, Manuel Fiolhais, Pedro Alberto e Fernando Nogueira (os "meninos" da foto), tem um investimento total que ronda os 700 mil euros, para além do custo da infraestrutura que já estava disponível.

Optou-se, primeiro na "Centopeia" e agora na "Milipeia", pela computação paralela, feita por uma bateria de processadores em paralelo. O nome das máquinas vem daí: assim como uma centopeia ou um milípede (bichos do grupo dos miriápodes) têm de movimentar todas as patas ao mesmo tempo para avançar, assim também para resolver um problema científico todos os processadores ("patas") têm de avançar ao mesmo tempo. A "Milipeia" tem um milhão de megabytes de memória, um valor cerca de 2000 vezes superior ao dos computadores pessoais à venda no mercado.

O novo supercomputador, o maior do país, vai poder ser usado por cientistas portugueses para efectuarem cálculos em áreas como a a física de partículas e nuclear, astrofísica, geofísica, bioquímica e biomedicina, estando aberto à comunidade científica. Entre os bio-projectos inclui-se um de cálculo de “folding” de proteínas realizados por bioquímicos de Coimbra e, em fase embrionária, um programa de biomedicina computacional, em colaboração com o Centro de Neurociências da Universidade de Coimbra e que envolve as Faculdades de Medicina e Farmácia daquela universidade.

Ainda que bastante poderoso, este "cluster" de computadores não consegue entrar na lista dos 500 mais poderosos do mundo , um ranking dominado pelos EUA e onde a Espanha marca presença com um sistema, o MareNostrum. Carlos Fiolhais quer mais, conforme declarou no recente encontro no Porto sobre "Novas Fronteiras das Ciências": "Gostaríamos de ter três mil processadores com cerca de dez teraflops de desempenho e gostaríamos de poder beneficiar de uma rede nacional de supercomputação. Temos de nos associar para dispor de algo maior, algo que seja competitivo à escala internacional. Querer isso não é querer a Lua, mas simplesmente querer estar no cimo da Terra."

Publicado por SJA às outubro 24, 2006 01:31 AM

Comentários

Tenho um 486 e um Pentium II a 350Mhz a mais... Dão-me 5 euros e podem levá-los à vontade.

Publicado por: Zé Clarmonte às outubro 24, 2006 10:17 PM

O Zé está a brincar, mas eu já fiz muitos cálculos numa rede de 80 computadores que eram apenas usados durante a noite para cálculo e durante o dia eram usados por alunos de licenciatura. É óbvio que a coisa tinha um acesso algo exclusivo senão estava-se melhor com os dois processadores do Zé. Mas por exemplo a Dinamarca que é um país pequeno também tem um sistema semelhante com cerca de 500 processadores.

Publicado por: Luis Oliveira às outubro 26, 2006 01:58 AM

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