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outubro 11, 2006

Bolinha no canto superior direito

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Fui o outro dia assistir a uma palestra sobre esta espécie, o manguço-listrado (Mungos mungo). Os hábitos deste animal são tão fascinantes que achei que mereciam um post. Mas aviso: isto não é para crianças de tenra idade!

Os manguços-listrados habitam o continente africano em grupos sociais ou famílias de 15 a 30 indivíduos. Dentro de um grupo há uma hierarquia rígida, com machos e especialmente fêmeas-alfa, e depois machos e fêmeas-beta. A proporção é normalmente de um macho para duas fêmeas. Só os machos-alfa e fêmeas-alfa é que podem procriar.

Na altura certa, todos os machos e fêmeas-alfa juntam-se numa orgia sexual (nos termos de quem deu a palestra) de três dias. As fêmeas grávidas dão à luz no mesmo dia - se se atrasam ou adiantam as crias são mortas e as fêmeas expulsas - e as crias são aleitadas por todas as mães indiscriminadamente. Quando as crias são desmamadas, escolhem um macho ou fêmea-beta para tomarem conta deles. As crias passam a acompanhar os "tios" na procura de comida e os tios partilham com eles a comida que encontram. Normalmente as crias dão preferência a um macho-beta sobre uma fêmea-beta para tomar conta deles, o que é uma escolha onerosa - normalmente um mangusto que está a tomar conta de uma cria perde bastante peso, pois tem que partilhar toda a comida. Isto pode explicar porque é que, com os mangustos, ao contrário de outras espécies semelhantes, os machos vivem mais tempo que as fêmeas.

Já estão a ver que num grupo acumulam-se fêmeas descontentes que nem podem ter, nem criar filhos. Ocasionalmente, um grupo de fêmeas-beta sai do grupo-mãe e tenta estabelecer uma colónia noutro sítio, onde possam ser fêmeas-alfa. Juntam-se a elas alguns machos-beta que vão encontrando pelo caminho. E o ciclo começa de novo.

Há muito mais coisas interessantes obre os manguços-listrados - como é que as crias reconhecem os seus "tios", como é que a proporção de machos e fêmeas muda conforme os recursos disponíveis, etc. Há também muitas coisas por descobrir, por exemplo, quanto material genético é partilhado entre crias e seus "tios".

Como leitura de cabeceira, um artigo de Sarah Hodge.

Publicado por MM às outubro 11, 2006 01:14 PM

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