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agosto 14, 2006
Anel3

Foi através de um artigo da biógrafa Jean Strouse num dos últimos números do New Yorker que conheci o trabalho de Gerhard Trimpin. Com a complexidade de princípios, de definições e de origens que o presente apresenta o mundo da criação artística, Trimpin é alguém de difícil descrição. Não se trata exactamente de um outsider, uma vez que recebeu formação académica. Tampouco é um músico, apesar da busca inquietante que lhe preencheu a juventude, e do papel central que "a arte do som em movimento" desempenha no seu trabalho. Contudo, contrariamente a S. Agostinho, o autor desta definição, Trimpin quis realmente criar "sinais sensíveis" para o tal movimento, tornando-se assim escultor, inventor, matemático e físico com recurso à electrónica.
A arte de Trimpin, segundo ele próprio, consiste em esculpir para o cego "ver" e em compor melodias "audíveis" ao surdo. Foi dela que se extraiu o "Roots and Brunches", um gigante turbilhão de guitarras "auto afináveis" que decoram com forma e som o edifício do experience music project (EMP), construído com puro capital Microsoft. Outro exemplo é o "Órgão de Fogo" no qual Trinpim controla, através de um software, a intensidade da chama dos bicos de Bunsen instalados na base de tubos de ressonância, permitindo a variação de pressão e consequente produção sonora. Também aqui em Nova Iorque esteve (no Hall of Science) a instalação Liquid Percussion: um instrumento musical gigante em que a frequência das gotas de água caídas sobre diferentes superfícies podia ser controlada através de um teclado de piano.
Apesar do vínculo inquebrável com o "silicone", e que aliás parece ter motivado a mudança da sua Alemanha natal para Seattle, Trimpin diz-se defensor do acústico. Pessoalmente vejo-o como explorador dos mistérios escondidos pela superior olive. Com esta podemos determinar a origem de um som mas percebemos, a diferentes distâncias, um variegado leque de dissonâncias entre dois tons sempre iguais. Veja-se (ou oiça-se) por exemplo a sua Coloninpurple, instalada no Museu Ojay Valley em Ventura, Califórnia.
Tudo isto para trazer ao Conta a mais recente produção de Gerhard Trimpin: Der Ring3, a grande escultura sonora que recebe suspensa no átrio de entrada os visitantes do Centro Phaeno de Ciência Naturais (mais uma magnífica obra saída dos estiradores de Zaha Hadid, cujo trabalho se encontra exposto até Outubro no Museu Guggenheim de Nova Iorque). Com base num estudo anterior exposto em Seattle, Trimpin explora aqui o som do movimento perpétuo. Não tanto como "mais uma acha" para a discussão inconsequente (e, por sinal, igualmente perpétua) mas como pretexto para uma nova ideia, a instalação consiste em três esferas girando em trajectórias circulares e concêntricas dispostas numa estrutura vertical. Invisíveis, os cabos que sustentam do tecto os três elementos do trabalho ligam-se à caixa de velocidades de um motor controlado (pois!) por computador. Assim à vista desarmada, não se sabe se são eles ou as esferas a causar o "bamboleio dos anéis" e correspondente ronronar. Apenas se sabe que o ruído existe e que é atraente ou desconfortável conforme a frequência relativa dos três movimentos.
Até ao momento não me perguntei o que mais existe no Phaeno, que tem de científico ou de tecnológico e se valeu ou não a pena o dinheiro público para fachadas tão futuristas. Sei apenas que no seu dissimulado epicentro reside algo de potencialmente belo.
I try to extend the traditional boundaries of instruments and the sounds they're capable of producing by mechanically operating them. Although they're computer-driven, they're still real instruments making real sounds, but with another dimension added, that of spatial distribution. What I'm trying to do is go beyond human physical limitations to play instruments in such a way that no matter how complex the composition of the timing, it can be pushed over the limit.
Publicado por VB às agosto 14, 2006 12:05 AM