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maio 19, 2006
DIA ABERTO NO INSTITUTO GULBENKIAN DE CIÊNCIA
Hoje deixo-vos aqui o relato da Sofia Cordeiro, a coordenadora da comunicação de ciência do IGC, sobre o dia aberto do passado dia 13 de Maio. SJA
“Eu acho que isto foi bué fixe e é por isso que vou ser cientista”

“Posso confessar-lhe que desde sábado, a minha cozinha se transformou num laboratório onde se preparam as mais diversas "poções" e os livros sobre ciência foram tirados das prateleiras”, escreve num e-mail emocionado Paula Faria, mãe da Rita, de 8 anos. Estas foram duas das visitantes do Dia Aberto do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC) que decorreu no passado dia 13 de Maio, sábado. O mote deste ano era “destino: ciência!” e propunhamos aos visitantes que viajassem com os cientistas pelos avanços na área da Biomedicina que se vão fazendo no Instituto. Num dia que convidava à praia e suplantando as expectativas, mais de 1300 pessoas aceitaram o convite de visitar o IGC, das quais cerca de 500 eram crianças, ansiosas por conhecer os cientistas e a ciência que se faz neste Instituto.
Tirar cientistas do laboratório para receber o público não é tarefa fácil. Há sempre a reticência do tempo perdido de uma experiência para algo que não se materializa num paper. Mas a verdade é que, para os cientistas que já tinham participado no ano passado, a recompensa era conhecida e muito apetecida. O ambiente vivido nos dias anteriores ao Dia Aberto do Instituto Gulbenkian de Ciência foi de um entusiasmo colectivo, muito motivante, com novas ideias a surgir à última da hora e muita vontade de receber quem nos visita à procura do “futuro”. Foi assim que 130 cientistas do IGC se mobilizaram para um dia diferente. No fim do dia, cansados, ficaram ainda num pequeno convívio, trocando as experiências e impressões de um dia diferente. Mesmo aqueles que já tinham participado se confessam mais uma vez agradavelmente surpreendidos pela grande afluência de público e pelas reacções dos visitantes. Desde as crianças mais pequenas, que nos apanham desprevenidos com as observações mais engraçadas, aos adultos que os acompanham e vêm também eles com uma vontade grande de conhecer e uma curiosidade que traz de novo um brilho de criança aos seus olhos.

Os laboratórios do instituto estavam todos representados numa tenda montada especialmente para o efeito e prepararam actividades relacionadas com a sua investigação. Os visitantes puderam questionar, conversar e experimentar com os cientistas, participando, como dizia o Bruno, de 14 anos, “numa espécie de magia, a magia da vida”.
As crianças, transformadas em mini-cientistas, foram incentivadas a pôr as suas questões, resolver problemas e fazer as experiências propostas de uma forma interactiva que procurou estimular nelas a curiosidade que move os cientistas no seu trabalho do dia-a-dia.
Através de jogos e brincadeiras, os mais novos puderam conhecer o interior de uma célula, construindo o seu próprio modelo em plasticina, ou saber que as células do nosso corpo não são todas iguais e o porquê das suas diferenças.
As actividades experimentais eram este ano mais e mais diversas. Uma das experiências mais populares voltou a ser a extracção de ADN do morango, em que os “cientistas por um dia” seguiam uma “receita”, que podem repetir em casa, e que é em tudo semelhante à que se usa nos laboratórios para fazer análise genética a partir de sangue. Alguns confessavam-se “impressionados” porque afinal “o ADN pode-se ver”. Noutra actividade, muito adequada a esta época do ano, mostravam-se os malefícios do sol, crescendo leveduras expostas a radiação com e sem protector solar. Adultos e crianças puderam verificar que as leveduras sem protector solar não sobrevivem nem se multiplicam depois de apanhar “sol”. A fertilização in vitro de ouriços-do-mar foi também sensação entre crianças e adultos. Nesta actividade, os visitantes podiam fazer os seus próprios “bebés-proveta”, misturando óvulos e espermatozóides de ouriço-do-mar. Ao longo do dia podiam acompanhar o desenvolvimento dos embriões que tinham sido produzidos de manhã. Dois amigos, ambos de 12 anos, testemunharam ao vivo, a primeira divisão do ovo, originando as duas primeiras células do embrião. Sem palavras para descrever e visivelmente emocionados, tentavam mostrar com as mãos o que tinham visto, como as células se tinham “separado” ali diante dos seus olhos, com a ajuda de um microscópio ligado a um monitor.
Outro dos pontos altos do dia foram os períodos em que os cientistas do projecto GRIPEPT.NET se vestiram de vírus da gripe e jogaram com as crianças à apanhada, mas de uma forma especial. Competia às crianças – médicos de serviço - colar anticorpos no vírus e assim conseguir “matá-lo”. O entusiasmo era muito e todos quiseram também vestir a pele de vírus.
À conversa com os cientistas
Num ambiente informal e de diálogo, o director do IGC, António Coutinho, e alguns cientistas falaram da ciência que se faz no instituto e da importância que ela tem nas vidas de todos, em quatro pequenas conversas, pautadas pelas múltiplas interpelações do público mais jovem para responder entusiasmado a todas as questões que iam sendo levantadas.
Muitos foram os que quiseram também participar na “aventura bioinformática” que era proposta. Em mais uma actividade “para repetir em casa” usaram-se os sites de internet e os softwares que os cientistas usam para seguir informaticamente o percurso de um gene até à proteína a que este dá origem.
Os visitantes tiveram ainda oportunidade de entrar num laboratório do IGC com um dos cientistas que aí trabalham e saber mais sobre quem são, quantos são e como é o seu dia-a-dia. Por exemplo, foi possível ver de perto todos os animais, plantas, fungos e bactérias com que os investigadores trabalham e perceber o porquê da sua escolha como modelo biológico.
Num ambiente festivo, a ciência saíu das quatro paredes dos laboratórios e os visitantes levaram-na mesmo para casa. Para além das actividades que podem repetir em casa ou na escola e das memórias de um dia especial, os futuros cientistas puderam vestir-se a rigor e tirar uma foto num cenário de laboratório, que levaram para casa com um íman para a segurar onde se lia “eu quero ser cientista”. E alguns querem mesmo. No livro de visitas do Dia Aberto, a Ana, que ainda mal conseguiu escrever o seu nome sozinha, deixou expresso o seu desejo: “Eu acho que isto foi bué fixe e é por isso que vou ser cientista”.
O Dia Aberto do IGC está integrado no projecto "Oeiras Vive a Ciência", organização conjunta com o Instituto de Tecnologia Química e Biológica, apoiado pela Câmara Municipal de Oeiras. Este projecto pretende estimular a curiosidade científica do público e promover assim a interacção e envolvimento na ciência. O Dia Aberto foi também apoiado por diversas empresas privadas.
Sofia Cordeiro, Coordenadora de Comunicação de Ciência do Instituto Gulbenkian de Ciência (scordeir@igc.gulbenkian.pt, tel. 214 407 959)
Publicado por SJA às maio 19, 2006 06:48 PM