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maio 11, 2006

Biobank UK

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A maior experiência médica do mundo começou, em Março, no Reino Unido. Esta mega-experiência, que envolverá cerca de meio milhão de britânicos, tem como objectivo principal descobrir como se combinam factores genéticos e ambientais para manter a saúde ou provocar a doença. O projecto Biobank UK é uma experiência a nível nacional que estudará pessoas de idades compreendidas entre 45 e 69 anos e está a ser financiado pelo MRC, o Wellcome Trust e o Department of Health do Reino Unido, com apoios de várias instituições de caridade.people.jpg

Da informação gerada através do estudo destes milhares de participantes será criada uma base de dados nacional para estudo e consulta por parte dos vários investigadores do projecto. Depois de consultados e de obtidas as suas respectivas autorizações, cada participante dará uma amostra de sangue e outra de urina, será examinado por uma enfermeira e preencherá um questionário sobre os seus hábitos de vida. Durante os próximos 20 a 30 anos a análise seguirá e serão registados todos os acontecimentos relacionados com a sua saúde. De acordo com a informação oficial, todos estes dados serão unica e exclusivamente utilizados para investigação etica e cientificamente aprovada. No entanto, a controvérsia sobre toda esta confidencialidade já existe.

O Gene Watch UK uma organização sem fins lucrativos que faz a monitorização das novas tecnologias genéticas) tem emitido uma série de avisos aos participantes do Biobank e tem organizado diversos debates sobre qual a utilidade do Biobank UK. As questões postas são, regra geral, sobre confidencialidade, o eterno medo das companhias de seguros e o acesso a estes dados e, fora tudo isto, a grande incerteza sobre os próprios resultados do Biobank e o que isso trará de novo para a medicina. Novos testes genéticos, novos fantasmas sobre análises e predicções de inteligência e, como sempre, o admirável mundo novo da genética aliada à medicina. A bola de cristal da medicina moderna. Será que queremos saber a que estamos destinados? Tudo isto se tem discutido ad nauseum sobre o Biobank. No entanto, para a comunidade científica britânica o Biobank não foi (e continua a ser) mais do que um profundo corte no financiamento científico. O fundo inicial para o Biobank foi anunciado, em 2002, como 45 milhões de libras provenientes do MRC. Nos anos seguintes o MRC veio a diminuir o seu financiamento não só a todos os outros projectos científicos do Reino Unido, mas também aos salários dos cientistas, para poder cobrir este “Biobankgate”. Aparte das discussões sobre a utilidade científica do Biobank, é importante focar que, como sempre, estes projectos megalómanos têm que ser mais bem pensados e financiados. Não se pode retirar financiamento a toda a investigação de um país para cobrir os gastos de um projecto que devia ser financiado independentemente. Claro, ao mesmo tempo, os governos e os cientistas europeus queixam-se da fuga de cérebros. Afinal, não é só em Portugal.

Publicado por SJA às maio 11, 2006 10:16 AM

Comentários

Sem querer exagerar no cinismo, "uma certa bola de cristal" garante-me que no final, os principais beneficiários do BioBank serão os que menos dinheiro nele investiram e mais lucro dele retirarão. Mas isto deve ser por andar a ler demasiados relatórios dos projectos paranormais patrocinados pela Bial...

Publicado por: VB às maio 11, 2006 05:26 PM

Depois do dinheiro gasto a sequenciar o genoma isto deve ser uma tentativa de gastar menos para fazer a sua análise funcional...

Publicado por: P Vieira às maio 11, 2006 06:15 PM

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