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março 14, 2006

O papel II - uma série de perguntas

Apareceram nas últimas semanas anúncios para doutoramentos, uns no Instituto Superior Técnico, outros no Instituto Gulbenkian de Ciência. Confesso que estes últimos me interessaram mais por ter a impressão que vieram tomar o lugar deixado vago pelo programa de doutoramento da Gulbenkian que terminou o ano passado e do qual eu fiz parte. No entanto ambos os anúncios têm uma coisa em comum: dizem que "o candidato deve concorrer obrigatoriamente às bolsas de doutoramento da FCT, cujo prazo termina a 31 de Março". Não se percebe muito bem - os candidatos são seleccionados pelo IST e pelo IGC e depois tem bolsa garantida? Ou são seleccionados pela FCT e a selecção pelos institutos permite só por um orientador e projecto específico na candidatura?
E para mim as perguntas mais pertinentes:
1- Como é que é possível estimular a manutenção dos critérios ridículos da FCT de ter que se ter média mínima de 14 para fazer doutoramento e com mais de 16 ter bolsa quase garantida? Deixou portanto de haver qualquer hipótese de um aluno com média mais baixa de fazer doutoramento? E para garantir que há menos complicações e que os alunos recebem efectivamente a bolsa, será que os institutos vão dar preferência aos alunos com média mais alta e usar isto como critério principal?
2 - Como é que anúncios postos duas semanas antes do prazo limite para concorrer a bolsas esperam arranjar candidatos suficientes?

Publicado por MM às março 14, 2006 01:58 PM

Comentários

Estou de acordo que tudo isto é um grande disparate. Porém não esqueçamos que, a julgar pelo aplauso que as mudanças na FCT e as medidas anunciadas encontram, a comunidade científica portuguesa tem o que merece...

Publicado por: Santiago às março 14, 2006 03:45 PM

Santiago,
Como em relação a políticas de ciência à portuguesa, eu sinto-me mais perdido que cego no meio do tiroteio, gostaria de saber de onde vieram os aplausos.

Publicado por: VB às março 14, 2006 05:05 PM

Então, cara MM, se não for com base nas notas de licenciatura, qual será o critério que a amiga propõe para avaliar as candidaturas a BB??
A cor dos olhos?? O nome de família? A qualidade das anedotas que conta?? O projecto de Doutoramento (que, sabe tão bem como eu, não será provavelmente o que o estudante acabará por fazer...)?

Se pensar bem, e se se colocar na pele dos avaliadores e das pessoas que têm que elaborar "guidelines" para avaliar 750 candidaturas de cada vez, vai perceber que tem que se basear naquilo que os candidatos revelaram das suas capacidades até agora. E o "até agora" tem que ser o seu percurso académico, incluindo as notas de Faculdade e outros factos pós-licenciatura (como Mestrados e experiência de actividade científica). Evidente que pode haver sempre injustiças, mas isto é como a democracia... pode não ser ideal mas é o melhor que temos.

Ou acha que um aluno que passou os 4-6 anos de Faculdade na boa-vida e acaba com média de 12 deverá ser posto no mesmo nível que aqueles que se esfolaram para ter 16 ou mais como nota final??

E por favor, não me venha com a história de que o Einstein era mau aluno e que depois foi o que se viu (esta é uma daquelas histórias miticas sem nada de verdadeiro, que os mediocres usam para se justificar).

Para finalizar, acabem de vez com a lamuria de que nós fazemos tudo mal por cá e que os outros lá fora é que fazem tudo bem. Verifique como é a selecção para as Universidades "lá fora" e compare.

Publicado por: pinto Calçudo às março 15, 2006 11:44 AM

Caro Santiago

Olhe que a comunidade cientifica portuguesa não são só os que cá estão dentro. Você também faz parte dela (e activa, a julgar pea participação tão activa neste fórum) e ao morder tanto nessa comunidade acaba por se estar a morder a si mesmo. Bem sei que aprecia dentadinhas mas que tal só depois de tirar a dentadura postiça?

Sempre seu

Publicado por: pinto calçudo às março 15, 2006 11:50 AM

Concordo com o pinto calçudo quanto à importância das notas. O projecto de doutoramento é, na esmagadora maioria dos casos (pelo menos era, não sei a situação terá evoluído) da autoria do chefe de laboratório. Mesmo nos programas "modernos" como o PGDBM - em que o aluno tinha a obrigação de escrever o projecto - houve casos em que esse trabalho foi feito por outros. Em última análise, forçando o cinismo, o projecto e a escolha do laboratório revelam apenas se o aluno teve olho. Ter olho é muito mais importante do que se pensa, mas não dispensa uma apreciação de outras capacidades do candidato. Ora, na impossilidade de se passar uma semana com cada candidato, sondando-lhe a alma e o córtex, as notas são o pior dos critérios, excluindo-se todos os outros. Por outras palavras, um bom aluno é alguém que consegue tirar boas notas e daqui não decorre que será necessariamente um bom cientista. Acredito porém que haverá mais bons cientistas em potência entre os bons alunos do que entre os alunos maus. É claro que todos conhecemos casos de maus alunos que são bons cientistas e que um sistema rígido, baseado apenas nas notas, acabaria sempre por excluir. Uma solução possível seria criar uma "segunda-via" em que o aluno menos bom pudesse ser aceite se revelasse qualidades excepcionais. Não sei exactamente em que moldes um sistema destes poderia ser implantado, mas podemos pensar em concursos excepcionais com o crivo mais apertado para alunos com média inferior a X. Há aqui uma discriminação óbvia, mas é para isso que as notas existem.

Publicado por: VMB às março 15, 2006 12:43 PM

Concordo que a média de licenciatura deva ser um dos critérios, mas tal que como os outros tenha simplesmente um determinado peso, sem limites mínimos nem certezas máximas. O objectivo da FCT (e não esqueçamos que a FCT simplesmente representa a parte dos impostos dos portugueses que é usada para investigação e formação científica)ao atribuir bolsas de doutoramente é suponho eu, aumentar a formação e qualidade pós-graduada científica dos portugueses. Portanto, querem garantir alunos que: a)acabem o doutoramento b) em tempo útil c)com qualidade. Não estou a ver em que é que a nota de licenciatura possa afectar muito estes parâmetros: numa faculdade exigente, pode afectar a) e b) porque alunos que tem boas notas normalmente é porque tem mais capacidade de trabalho e conseguem marrar mais. numa faculdade boa (exigentes sei que ha´muitas em Portugal, boas não sei) a média final pode ter a ver com a qualidade do doutoramento, porque a média representa a capacidade de raciocínio e lógica científica do aluno. (pensando bem, acho que não conheço nenhuma faculdade assim em portugal).
No entanto são factores muito mais determinantes de a, b e c a qualidade e viabilidade do projecto (independentemente de quem o escreveu), a experiência anterior do aluno em investigação, a qualidade do laboratório, e eu consigo pensar em pelo menos mais dez critérios que influenciem mais o sucesso do doutoramento do que a média final de licenciatura.
Imaginemos um aluno que acaba o curso (digamos que de biologia em Lisboa)com média de 12 e depois vai fazer duas BICs em que trabalha bem e publica dois papers em revistas razoáveis.parece-me óbvio que este aluno tem muito mais capacidade de escolher e fazer um doutoramento como deve ser que um aluno recém saído de algumas das privadas com média de 16. No entanto no panorama português o primeiro aluno não tem nenhuma hipótese de fazer um doutoramento enquanto que o segundo tem bolsa quase garantida, independentemente da viabilidade do projecto que venha a escolher.
Pelo que eu percebi nos outros países, há diversas fontes de financiamento de bolsas, cada uma com critérios mais importantes, mas não conheço nenhuma em que a média tenha um peso tão fatal.

Publicado por: Maya às março 15, 2006 01:09 PM

Concordo com o que dizes sobre a experiência de investiação prévia. No fundo, é o que defini como "qualidades excepcionais".

Publicado por: VMB às março 15, 2006 01:21 PM

1. O problema nao e' existirem processos cuja analise e' baseada apenas em notas. O problema e' APENAS existirem este tipo de concursos em Portugal exceptuando o GABBA e o CNC. (o pgdb acabou afaik) Ora, daqui descorre o que ouvi da boca de uma das pessoas mais inteligentes que conheco: "E' preciso e' existirem diversos metodos de avaliacao para todas as pessoas com valor terem hipotese". Eu concordo por razoes pessoais (e transmissiveis em condicoes especiais) e do que tenho visto, ouvido e vivido...

2. Nao me parece que trabalho pos-curso seja excepcional. E' simplesmente normal e nao me parece que necessariamente confira qualidades excepcionais. Claro que acho que deve ser levado em conta mas com naturalidade...

3. Maya, eu nao sai' do curso com grande media e consegui ir a varias entrevistas quer em Portugal quer la' fora (em universidades europeias de topo). O problema mais tipico portugues (e internacionalmente conhecido diga-se de passagem...) e' as pessoas queixarem-se mas nao fazerem nada por isso nem mesmo por elas proprias. Sinceramente, nao sinto pena nenhuma de alguem que se queixa de ter um 14 e por isso nao conseguir obter bolsa da FCT directamente (sem papers e uns anos de bic...). Se nao consegue perceber que a unica hipotese e' sair de Portugal para fazer ciencia entao questiono-me se a pessoa tem alguma aptidade para ciencia...

4. Estes problemas todos de metodos e diversidade de avaliacao e oportunidades descorrem simplesmente do facto de em Portugal existir a FCT e a FCT a atribuir bolsas de forma centralizada. Enquanto isto nao mudar o panorama nacional nao devera' mudar com ou sem gabbas e cncs pois os numeros sao mto pequenos.

ba

Publicado por: Bruno Afonso às março 16, 2006 05:54 AM

Resumindo isto tudo - neste momento o panorama deprimente é que a maioria dos alunos de doutoramento em Portugal são marrões ou de más privadas, e a maioria daqueles com qualidades excepcionais estão lá fora!

Publicado por: Maya às março 16, 2006 02:45 PM

Acho que não me fiz entender. Quando digo que o trabalho de investigação se enquadra no que defini como "qualidades excepcionais", não estou a defender que baste andar a vegetar 3 anos num laboratório para depois se ficar apto a ganhar uma bolsa de doutoramento. O que pretendi dizer foi que um aluno com uma média medíocre mas que dê provas de trabalhar bem num laboratório deve ter dinheiro a uma bolsa. À média do curso deve ser dada importância, mas não ao ponto de fazer dela um estigma. Creio que não estamos desacordo, depois de esclarecidos os mal-entendidos.

Publicado por: VMB às março 16, 2006 02:46 PM

Estive a ler a discussão suscitada por esta postagens e não me pareceu que alguém tivesse pegado no ponto 2:
2 - Como é que anúncios postos duas semanas antes do prazo limite para concorrer a bolsas esperam arranjar candidatos suficientes?
Alguém consegue deslindar isto?

Publicado por: sergio às março 16, 2006 03:18 PM

E remata a Maya:
"...neste momento o panorama deprimente é que a maioria dos alunos de doutoramento em Portugal são marrões ou de más privadas, e a maioria daqueles com qualidades excepcionais estão lá fora!"

Ora aí está como se revela a nossa saloice. Merece resposta?? O meu comentário usual: ILUMINADOS DE MERDA!! (desculpem)

Publicado por: Pinto Calçudo às março 17, 2006 02:24 PM

Sergio, parece-me que a resposta a essa pergunta e' obvia... ingenuidade sera' nao perceber que de certeza que vao ter candidatos suficientes :)

Pinto, nao concordo pessoalmente com a Maya. Se calhar a distribuicao de alunos de doutoramento novos a cada ano esta' enviezada para alunos com notas altas de privadas com qualidade dubia e marroes. No entanto, nao acho mal que os marroes tenham acesso a elas pois adaptaram-se ao sistema e souberam como jogar nele e ganhar, para todos os efeitos. Mais, nao me parece que as pessoas com qualidades excepcionais estejam necessariamente ca' (estou nos US) fora. Na realidade, conheco pessoas excepcionais dentro e fora de Portugal. Sei de pessoas excepcionais que quiseram ficar em Portugal por opcao de vida, outras que quiseram sair por razoes tb pessoais, ortogonal a' sua excepcionalidade...

ba

Publicado por: Bruno Afonso às março 18, 2006 05:16 PM

Queria aqui anunciar "faxavor" e desde já, os meus cumprimentos a todo o painel ...
Fiquei maravilhado e ate comovido por saber e passo a citar :
"...é que a maioria dos alunos de doutoramento em Portugal são marrões ou de más privadas, e a maioria daqueles com qualidades excepcionais estão lá fora!"
Como eu sou "mais um" bolseiro da FCT que foi condenado e até obrigado pelo sistema a fazer um PhD em Portugal gostava de saber onde é que andam os marrões e os de "más privadas"? O PRINCIPAL problema da ciência em Portugal, para além da falta de dinheiro em euros, são pessoas com esta mentalidade, pensarem que estão num patamar superior aos outros. Assim não vamos a lado nenhum ... isto não é mais nem menos do que simples terrorismo cientifico ... era apanhá-los.
E por agora me fico ...

CR

Publicado por: cidadão revoltado às março 18, 2006 05:57 PM

Estão todos distraídos, estes anúncios não têm nada a ver com o antigo PGDBM, GABBA e afins: são apenas anúncios a larga escala nas instituições para recrutar PhD students (anunciados para preencher vagas em recém criados grupos que ainda não entraram na rotina de formação) sob a alçada de instituições respeitáveis...

Publicado por: Outsider às março 18, 2006 07:37 PM

Vou tentar explicar esta embrulhada dos anuncios:

Este ano, a FCT decidiu abrir o concurso de Bolsas até final de Março, para começar em 1 de Janeiro de 2007.
Vários Institutos em Portugal, entre os quais aquele onde me encontro, decidiram anunciar a existência de vagas para PhD students nos seus grupos, num esforço de organizar o recrutamento e tentar atrair os melhores estudantes. Isto acontece pela primeira vez assim de forma tão evidente, porque os Institutos começam a ter vários grupos competitivos e precisam de captar os melhores estudantes. É assim que se faz "lá fora" e é um sinal de que as coisas começam a "mexer" em Portugal.
Só temos que nos congratular com o facto das Instituições mais conceituadas (IBMC, IGC, IMM; ITQB, IST...) começarem a ter estratégias organizadas de recrutamento dos seus PhD students, facilitando as escolhas dos estudantes que estão a acabar os seus cursos e querem saber as alternativas de que dispõem (já que nas Faculdades a informação que lhes é fornecida sobre as saídas é muito pobre).
Outro aspecto louvável é que, finalmente, estas Instituições começam também a preocupar-se com a formação dos seus PhD students, organizando cursos e programas de acompanhamento específicos, para tentar por um lado estimular os seus estudantes e por outro tornarem-se mais atractivas e "evitar" que os melhores estudantes partam para o estrangeiro.
Convém recordar que este é um problema novo para estas Instituições, que recrutaram vários novos PIs nos ultimos 2 anos e que precisam de PhD students para "alimentar" estes novos grupos. Sinal de que a ciência está a "fermentar" em Portugal e que começa a ser interessante.

Não há "agendas escondidas" nestes anuncios. Surgiram todos na mesma altura porque todas as Instituições se aperceberam que ou apanham os novos estudantes agora ou então eles vão-se embora. O período de candidaturas deveria ser em Julho-Agosto para captar a nova fornada de estudantes que acabam o curso este ano, mas a FCT pensou doutra maneira.
Para além disso, se para o ano for igual, quem estiver a acabar o curso agora e não concorrer, só poderá concorrer para o ano e iniciar o PhD em 1 de Janeiro de 2008, quase daqui a 2 anos!!! Como muitos Cursos eliminaram os estágios no ultimo ano, em virtude da "adaptação a Bolonha", isto significa que os estudantes podem ficar no "desemprego" até 2008, o que não é saudável...
Assim, acho que a publicação destes anuncios para "oportunidades de Doutoramento" foi uma boa iniciativa das Instituições, revelando que estão atentas ao "mercado" e que se preocupam em atrair os melhores estudantes para fortalecer os seus grupos de investigação.

Para aqueles que estão sempre a dizer que isto é tudo mau aqui e que "lá fora" é que é bom, talvez possam reflectir um pouco e reconhecer que as coisas estão a mexer.

Depois desta conversa toda, há um ponto que os leitores devem ter a saltar na cebecinha: será que vale a pena fazer o PhD em Portugal ou o melhor é pirarem-se daqui e ir "lá para fora"??

Esta é, penso eu, uma discussão a ter neste fórum e desafio os gestores desta coisa a lançarem o isco. Vai ser por ventura violenta em alguns casos, mas será interessante saber a opinião de todos, iluminados ou não. E poderá ser esclarecedor para os estudantes/candidatos que visitam o Blog.

Publicado por: Pinto Calçudo às março 19, 2006 09:51 AM

Pinto Calçudo:
Se fazes parte de um dos institutos que pôs os anúncios óptimo - pois acho que era preciso esclarecer um pouco mais as perguntas que eu fiz: o que queres dizer com "vagas" para alunos de doutoramento? Os projectos contemplam financiamento para despesas de material de laboratório dos estudantes de doutoramento? Ou então o projecto contempla a investigação ser feita por alunos de doutoramento mas eles tem que concorrer independentemente à bolsa?
O facto de o aluno ir preencher uma "vaga" dá-lhe alguma mais-valia no concurso para as bolsas?
Se os institutos querem alunos (passo a citar) "de qualidade" isso quer dizer que para os institutos, de qualidade equivale a média alta? Ou tentaram fazer pressão sobre a FCT para ter os seus próprios critérios de escolha para as "vagas", ou melhor, mudar os critérios da FCT? Um avanço aparente é realmente o anúncio em jornais diários das tais vagas, evitando o real problema de "inbreeding" - mas esquecia-me da última pergunta, já repetida: as datas dos concursos da FCT foram anunciados em no princípio de Fevereiro e acho que os PIs já deveriam ter uma ideia antes. Porque é que os anúncios só foram postos três semanas antes de acabar o prazo e no caso do IGC dando 6 dias para concorrer às "vagas"? A propósito do IGC não fui eu que relacionei estes doutoramentos com o extinto programa. Esta relação já tinha sido feita implicitamente por algumas pessoas do IGC e também está, bem disfarçada, no site do IGC.

Publicado por: Maya às março 19, 2006 12:22 PM

A questão é essa mesmo, se estas matérias devem ser decididas com base em critérios objectivos ou com base em "pressões".

Publicado por: velho do restelo às março 19, 2006 02:27 PM

E ela a dar-lhe e o burro a fugir!
Muitas vezes olho para estas pessoas que escrevem por exemplo num blog como este, às vezes até da minha idade, e admiro pela capacidade, inteligência e talvez autoconfiança. Mas são coisas como estas que nos mostram que qualquer pessoa pode fazer mais ou menos o que quiser independentemente do seu "iluminismo".


É verdade que a FCT valoriza bastante as média de curso, mas penso que valoriza também a qualidade do orientador podendo recusar uma bolsa a um indivíduo com média de 17 que tenha feito uma má escolha de laboratório. E acho que também toma em consideração a Universidade onde o candidato se licenciou. Realmente, não se podendo passar uma semana com o candidato (como foi referido), então, factores como média, projecto, experiência, CV do orientador, etc, são basicamente o que se pode avaliar.


Quanto a "Resumindo isto tudo - neste momento o panorama deprimente é que a maioria dos alunos de doutoramento em Portugal são marrões ou de más privadas, e a maioria daqueles com qualidades excepcionais estão lá fora!"
Realmente... acho que nem merece ser comentado...


Pegando na questão levantada por Pinto Calçudo, e a opinião de alguém que nunca trabalhou em investigação em Portugal, (mas que conhece algumas pessoas que o façam) eu acho que a principal diferença são as oportunidades que se tem quando se está na UCLA comparando com quem está no IMM (exemplo hipotético), ou seja, eu não acho que por estar aqui em Nova Iorque a fazer o doutoramento, vou aprender mais do que um estudante que esteja em Portugal, acho que isso depende mesmo do orientador e da pessoa em si, mas se calhar, por estar num laboratório com mais dinheiro (que por acaso não é o caso, mas normalmente é!) se calhar tenho acesso a projectos mais dispendiosos e ambiciosos que se calhar poderão ser mais facilmente publicados numa revista de maior impacto.
Ou seja, eu acho que a grande diferença (do ponto de vista de um doutoramento) entre ficar ou ir para Portugal ou no estrangeiro, é que de um modo geral, que os institutos que escolhemos quando vamos para fora têm mais dinheiro e claro que com mais dinheiro ganha-se bastante tempo. Podendo-se experimentar mais coisas no mesmo espaço temporal.
Mas acho que mesmo a este nível as coisa já começam a mudar em Portugal, já começando a existir laboratórios com bastante dinheiro para investigação.


Acrescentando, de um modo geral, sou da opininão (pessoal claro) que se aprende muito mudando de ares e experimentar sítios diferentes, portugueses irem para fora e de fora irem para Portugal. Normalmente ajuda a abrir os horizontes, contactar com pessoas diferentes e acho que abrir os horizontes e tentar ao máximo conseguir olhar para as nossas experiências de vários pontos de vista, dão muito jeito.

Publicado por: Mia às março 24, 2006 08:14 PM

Gente, qualquer concurso está sujeito aos critérios objectivos e subjetivos, e ambos nos obrigam a crer na confiabilidade do sistema para fazer uma "triagem" legitimamente JUSTA. Digamos que a pontuação objectiva dos critérios avaliados possui, indiscutivelmente, um teor subjectivo, sendo que este permite a inclusão de alunos com menores notas serem valorizados neste sistema. Mas é claro, a clareza de idéias e objectivos não se constrói de um dia pro outro, mesmo que tenha a proteção de um chefe de laboratório escrevendo o projecto e "dando de presente pra aluno preguiçoso".

Acredito que a mais valia do processo selectivo é o teor científico que cada projecto apresenta. Acredito (porque só resta-me acreditar) que a avaliação das candidaturas será justa.

Publicado por: Chegando agora às março 27, 2006 10:39 PM

Gente, qualquer concurso está sujeito aos critérios objectivos e subjetivos, e ambos nos obrigam a crer na confiabilidade do sistema para fazer uma "triagem" legitimamente JUSTA. Digamos que a pontuação objectiva dos critérios avaliados possui, indiscutivelmente, um teor subjectivo, sendo que este permite a inclusão de alunos com menores notas serem valorizados neste sistema. Mas é claro, a clareza de idéias e objectivos não se constrói de um dia pro outro, mesmo que tenha a proteção de um chefe de laboratório escrevendo o projecto e "dando de presente pra aluno preguiçoso".

Acredito que a mais valia do processo selectivo é o teor científico que cada projecto apresenta. Acredito (porque só resta-me acreditar) que a avaliação das candidaturas será justa.

Publicado por: Chegando agora às março 27, 2006 10:39 PM

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