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março 17, 2006

GripePT.Notícias

logoGripenet.jpgA newsletter desta semana do Gripept.net continua a discutir a diversidade dos vírus da gripe. As diferenças e as semelhanças entre partículas virais permitem o seu agrupamento, a sua classificação. A análise cuidada da evolução da diversidade dentro destes grupos e entre eles, permite compreender melhor como surgem as novas pandemias e poderão ajudar-nos a fazer algumas previsões.

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"Clusters" de vírus Influenza

Na semana passada foi introduzido o conceito de imunidade cruzada entre as diversas variantes de vírus Influenza. Esta interacção reflecte o grau de semelhança entre estirpes - imunidade induzida por uma determinada estirpe actua mais eficazmente contra estirpes semelhantes do que contra estirpes muito diferentes. Estabelece-se assim uma noção de distância que nos indica como posicionar as estirpes sobre um eixo ou sobre um plano.

Uma das características das estirpes do vírus Influenza A é a sua agregação em clusters. Cada um destes clusters contém um determinado número de estirpes. A figura disponível no link abaixo, ilustra 6 clusters: 3 vermelhos que pertencem a um primeiro subtipo (por exemplo H1N1) e 3 verdes que pertencem a um segundo subtipo (por exemplo H2N2). O mais curioso na dinâmica dos vírus Influenza é o facto de os clusters se sucederem em vez de coexistirem, sendo que cada um tem uma duração média de 4 anos. Aquilo que se observa é que a emergência de um novo cluster leva o anterior à extinção impedindo que se acumule diversidade viral. A razão para este percurso evolutivo é ainda motivo de debate entre os cientistas, nomeadamente os modeladores matemáticos.
clusters2.jpg Uma pandemia corresponde à emergência de um vírus de um novo subtipo que é muito diferente daquele que circulava anteriormente. Este novo vírus origina, ele próprio, um cluster de estirpes, eliminando o subtipo anterior e iniciando uma nova sucessão de clusters pertencentes ao novo subtipo. Foi o que aconteceu em 1918, com a introdução do subtipo H1N1; em 1957, quando o H1N1 foi substituído pelo H2N2; e em 1968, quando o H2N2 desapareceu para dar lugar ao subtipo H3N2.

Estes aspectos, únicos do vírus Influenza A, contribuem para captar a atenção dos cientistas. No entanto, o seu estudo não é conduzido apenas por estes interesses básicos. A compreensão dos mecanismos evolutivos da gripe é uma componente muito importante na previsão das estirpes que estarão em circulação no próximo ano, previsão essa que determina a escolha de estirpes a incluir no desenvolvimento da vacina para a próxima época gripal.

Publicado por RPA às março 17, 2006 12:33 PM

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