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fevereiro 17, 2006

Cientistas-jornalistas escrevem Gazeta de C&T

Caros estudantes, investigadores, divulgadores e jornalistas de ciência e tecnologia,
Após quase quatro meses de aulas diárias de jornalismo no Cenjor, em Lisboa, vimos partilhar convosco o entusiasmo da recta final deste caminho, que teve como objectivo aprendermos a comunicar ciência pela escrita. O resultado deste trajecto é a primeira Gazeta, de 2006, dedicada em exclusivo à Ciência e à Tecnologia.
Durante a produção da Gazeta, espiolhámos o mundo que nos rodeia com olhos de jornalistas e não como cientistas, que somos ou já fomos. Tivemos que trabalhar sob a pressão do imediato e da actualidade. Confrontámo-nos com a deontologia própria do jornalismo, com a lei da proximidade, com a dificuldade de lidar com as fontes e com a lentidão ou ausência (desesperante) de respostas. Experiment ámos a dificuldade de escrever claro sobre o que pode ser extremamente complexo.
Com a ajuda, a paciência e a dedicação dos formadores (António Granado - editor deste primeiro número da gazeta de C&T do Cenjor -, Ana Moutinho, Paulo Chitas e Marina Ramos) escrevemos sobre temas fascinantes que estão à espera de ser lidos neste link (download de PDF com 1,4 Mb).

Até ao próximo número da gazeta, no final de Fevereiro.

Os alunos de Jornalismo de Ciência e Tecnologia do Cenjor,

Alexandra Araújo
Alexandra Rosa
Diana Lousa
Francisco Déci o Ferreira
Miguel Humanes
Patrícia M. Pereira
Rita Caré
Sheila Vidal


Cientistas-Jornalistas-MiguelHumanesJPG.jpg

Legenda:
De trás para a frente à esquerda: Francisco Décio Ferreira, Diana Lousa, Patrícia M. Pereira e Rita Caré
De trás para a frente à direita: Sheila Vidal (que não se vê), António Granado (formador), Alexandra Araújo e Alexandra Rosa

Autor da foto: Miguel Humanes

Publicado por maradona às fevereiro 17, 2006 11:10 AM

Comentários

Queria dizer uma coisa importante em relação a este jornal:

A "Gazeta do Cenjor" é para os alunos do Cenjor - Centro Protocolar de Formação Profissional para Jornalistas - e por esse motivo serão publicados apenas dois números de C&T: o número aqui divulgado, de 13 de Fevereiro, e outro que será publicado em 24 de Fevereiro, data em que terminará este curso de Jornalismo de Ciência e Tecnologia, que estamos a realizar.

Obrigada pela divulgação!


Publicado por: Rita Caré às fevereiro 17, 2006 12:15 PM

Com sorte a Rita terá qualquer coisa a dizer acerca deste meu comentário...

Acho que estas iniciativas são interessantes, sem dúvida, e vão ajudar a elevar a qualidade dos artigos de divulgação científica que se publicam. Pergunto-me no entanto se isto não é fazer as coisas "ao contrário", por assim dizer. Dá-me ideia que precisamos mais de jornalistas que saibam ciência do que de cientistas que saibam jornalismo.

Publicado por: Santiago às fevereiro 17, 2006 01:32 PM

Olá Santiago

Já agora aproveito para falar sobre a nossa formação. Todos somos licenciados, uns com pós-graduações, outros com mestrados e/ou doutoramentos. As áreas de formação vão da biologia, do ambiente, da química e da física, à sociologia e à diplomacia. Ao nível profissional uns são investigadores, outros gestores de C&T, um trabalha em educação, outro é voluntário num museu de ciência e tem trabalhado em gestão (espero não estar enganada). Eu própria faço divulgação de ciência e ambiente há vários anos (ver post sobre o Laboratório de Imagem que a Sofia publicou, por favor).

Nos grandes jornais internacionais muitos dos jornalistas de ciência, tecnologia, saúde e ambiente têm formação científica muito forte. Outros nem por isso, mas têm experiência em trabalhar na área. Em Portugal, são muito poucos os jornalistas de ciência e, tendo em conta as dificuldades inerentes às temáticas que abordam, alguns deles têm feito um excelente trabalho. Julgo que os jornalistas têm sido muito prejudicados pela falta de qualidade jornalistica que se tem verificado em Portugal. É bom que se saiba que os artigos publicados não são exclusivamente da responsabilidade dos jornalistas, mas também dos seus editores e das direcções dos jornais.

Precisamos tanto de jornalistas que tenham formação básica sobre temas de ciência, tecnologia e ambiente, como de cientistas que tenham formação em comunicação e jornalismo. Tenho visto e ouvido coisas arrepiantes da boca de cientistas a falarem para o público, que depois não têm a humildade de perceber o péssimo serviço que estão a prestar.

Sei por experiência própria que quanto mais se sabe sobre um determinado tema, mais difícil é transmiti-lo (com eficácia) ao público, pois não se consegue ter distância suficiente. Comunicar Ciência é muito difícil. Só quem experimenta fazê-lo se apercebe disso. Por exemplo, escrever um bom texto pode demorar muitas horas e mesmo assim... Tanto jornalistas como cientistas devem unir esforços para que a comunicação da ciência seja cada vez melhor, em português. E já estão a fazê-lo - ninguém duvide.


Logo, durante a aula de hoje, vou tentar convencer os outros "cientistas-jornalistas" a virem aqui expressar as suas opiniões.

Publicado por: Rita Caré às fevereiro 17, 2006 05:55 PM

Rita:

Obrigado pela resposta. É um assunto muito interessante e que merece ser discutido aqui no Conta. Afinal, os cientistas gastam o dinheiro do público e por isso têm a obrigação de explicar o que fazem a esse mesmo público...
Espero que tenha sido claro que não estou a criticar esta iniciativa (apesar do tom algo provocatório que tentei e tento usar), mas ainda gostava de distinguir a aprendizagem puramente "jornalística" (que se ensinou neste curso) de um outro tipo de "ensinamento", mais geral, que todos os cientistas deviam ter. Trata-se de uma coisa que mencionaste: Falar para o público... haverá uns melhores do que outros, claro, mas todos deviam ser obrigados a treinar-se a fazer justamente isso: Falar para os leigos (passe a palavra, que está aqui a ser usada com o seu significado original, nada pejorativo).

Outra coisa é a obrigação que os jornalistas que tratam destes assuntos da divulgação de ciência deviam sentir de aprender alguma coisa sobre o que é "fazer" ciência, investigar, publicar, etc... gostava mesmo de ver um jornalista a visitar um laboratório de investigação até ser capaz de, por exemplo, apresentar um Journal Club. Estou persuadido que os artigos desse jornalista sobre temas cientificos seriam ordens de magnitude melhores do que o que se lê por essa imprensa fora (Le Monde, El País, Público ou até, la crème da la crème, o Economist ou o NYT).


"Logo, durante a aula de hoje, vou tentar convencer os outros "cientistas-jornalistas" a virem aqui expressar as suas opiniões."

Belissima ideia. Prometo depois fazer um post a respigar todas as contribuições. É-me permitido pedir especialmente à Sheila que participe? A ela até lhe ofereço um post inteiro, se ela quiser...

Posso também pedir aos "formadores" que contribuam? Este tipo de debates vale mesmo a pena: Entre quem se preocupa com o problema, quem aprendeu a "resolver" o problema e quem tem por profissão evitar que o "problema" exista...

Publicado por: Santiago às fevereiro 17, 2006 07:42 PM

Não acho que o teu comentário só provocatório. É bastante pertinente.

Não estou a perceber para que é que um jornalista devia fazer um journal Club, se não é cientista. Explica lá isso. Em relação às visitas aos laboratórios, há jornalistas que vão fazer visitas aos labs e entrevistar os investigadores. Onde foste arranjar a ideia de que não vão.

Em relação a comentários, está tudo muito compenetrado a escrever e a discutir os textos da próxima gazeta. E eu devia estar a fazer o mesmo...

Publicado por: Rita Caré às fevereiro 17, 2006 08:41 PM

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