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fevereiro 16, 2006

Apontador de cientistas portugueses

ganteatr.gifOs novos portugueses no estrangeiro são indivíduos em estado de perpétuo desequilíbrio, que deixaram de ter sentimentos puros pela pátria, os seus derivados e, necessariamente, os restantes portugueses. Um bacalhau nunca é um simples bacalhau, é uma manifestação de patriotismo e um momento com o alerta para a nostalgia no vermelho. Dependendo do vinho e do estado do tempo, às vezes a coisa descamba. Encontrar um outro português provoca efeito semelhante, mas agravado. Explicar esta ambivalência a quem vive na pátria ou a emigrantes mais velhos não é tarefa fácil. Prevalece a ideia de que no estrangeiro temos saudades de todo e qualquer português, só porque falamos a mesma língua. É uma ideia errada. Não vou dizer nomes, mas sei de gente na diáspora que vê o convívio prolongado com compatriotas como uma espécie de batota, que trai - a ideia é vagamente ofensiva, preparem-se - um dos objectivos de ir para fora de Portugal: conhecer pessoas. As opiniões negativas que ouvi a propósito do novo apontador de cientistas portugueses têm origem nesta aversão ao espírito de tribo e, no fundo, encerram a ideia de que somos antes de mais cientistas. No limite, um apontador de cientistas portugueses seria tão útil como uma base de dados de cientistas com olhos azuis ou capazes de mover os pavilhões auriculares. Não é essa a minha opinião. É verdade que a ciência está além das nações e que nas ciências duras e afins as escolas de pensamento com cariz nacional estão há muito tempo condenadas. Ainda assim, com alguma modéstia percebe-se que a ferramenta é boa (ver explicações). Antecipo desde já - e sem ironia - alguma utilidade no planeamento das pernoitas quando se anda à procura de laboratório (tragam saco-cama, por favor). Numa segunda fase, dependendo da participação no preenchimento dos perfis individuais (demora 5 minutos), poderemos ficar a dispor de uma boa base de dados para estudos sobre as actividades dos cientistas portugueses. Sobre o nome do apontador ("Papa-formigas"), o melhor é pedirem explicações ao autor do projecto, o Tiago Carvalho. Eu teria chamado à nova ferramenta Big Zé, com ternura.

Publicado por Conta Natura às fevereiro 16, 2006 12:05 AM

Comentários

Considero esta frase muito ofensiva!!!
"Os novos portugueses no estrangeiro são indivíduos em estado de perpétuo desequilíbrio, que deixaram de ter sentimentos puros pela pátria, os seus derivados e, necessariamente, os restantes portugueses." Acho muito mais desiquelibrado quem a escreveu!!

Um PORTUGUES no estrangeiro!!

JLC

Publicado por: Luni às fevereiro 16, 2006 08:21 AM

Creio que foi Pessoa quem disse que "Um estado de perpétuo desequilíbrio é um equilíbrio também... no fundo trata-se de uma variante da Segunda Lei da Termodinâmica, não é?

Outros, como eu, ofendem-se mais com a Lei da Gravitação Universal. E no entanto ela existe...
Em obediência a ela refira-se a PRIMEIRA LEI DO ABRUPTO SOBRE OS DEBATES NA BLOGOSFERA. Especialmente a Nota 1...

Publicado por: P Vieira às fevereiro 16, 2006 09:19 AM

Apoio a iniciativa do Tiago. Por muito que, em teoria, queiramos conhecer gente de outros países, costumes diferentes, na prática há sempre aquele acesso de saudade em que dá jeito poder perguntar a alguém se há algum sítio para ver o Benfica-Sporting ou para comprar Nestum Mel (isto é verídico).
Também gostava de dizer que, graças à divulgação portuguesa, o café do MRC no Hammersmith começou a servir pastéis de nata. Finalmente, e num tom mais sério - vejo o desafio que enfrentam os cientistas portugueses em relação ao resto da Europa um pouco como o desafio que a Ciência Europeia enfrenta em relação à Americana. Ou seja, não temos muitos recursos, mas ajudamo-nos uns aos outros e este "networking" é um trunfo inegável.

Publicado por: Maya às fevereiro 16, 2006 02:28 PM

Deixa-me adivinhar, foste para o estrangeiro, nunca mais falaste portuguêsm não lês jornais portugueses, não conheces a comunidade portuguesa local, não vais para os copos com os tugas, não visitas cafés portugueses pois tens vergonha dos típicos tufas que lá possas encontrar, e por último nem escreves em Português neste blog! Às vezes generalizar é perigoso! Se há quem tenha emigrado e literalmente cagado para a pátria, outros, como eu e muitos, vieram para fora para no futuro fazer algo pelo país! Se não conseguir, de certeza que aprendi o suficiente para me safar!~

Cumprimentos,

RC

Publicado por: RC às fevereiro 16, 2006 04:30 PM

São comentários como os do RC que já me fizeram ponderar algumas vezes se este blog não deveria ser discutido em Inglês, ou Francês, já agora.

Mesmo sem conhecermos as pessoas que escrevem e editam os textos (sim RC, os seus comentários são completamente injustos) os nossos leitores têm o dever de, pelo menos, saber ler.

Publicado por: RPA às fevereiro 16, 2006 05:05 PM

RC,

Sim, não, não, não, sim, não e não percebi. Creio que tresleste o texto.

Cumprimentos,

Publicado por: VMB às fevereiro 16, 2006 06:43 PM

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