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novembro 03, 2005
Sexo, drogas e rock n'roll
Parte III - Rock n'roll

Cartoon Original de John Chilton
Desde sempre, o rock n’roll tem sido associado com comportamentos agressivos. Em 1969, Altamont, USA, não ficou gravado na história da música como o concerto da “maior banda de rock n’roll do mundo”, mas sim como o palco de um dos maiores desastres de violência e agressividade durante um espectáculo musical.
Falámos de sexo e de drogas. Utilizando a mosca da fruta como modelo, escrevi sobre alguns comportamentos e mecanismos envolvidos nestes dois processos. Hoje, ao acabar esta pequena série. escreverei sobre comportamentos agressivos, como sempre usando a Drosophila como exemplo.
Tal como outros organismos, a Drosophila melanogaster, também conta com a agressividade no seu reportório comportamental. Muitas interacções entre machos foram observadas e catalogadas como violentas. Entre estes comportamentos inclui-se bater as asas ameaçadoramente, e acções de “boxing” envolvendo movimentos de golpe com as patas da frente, por vezes acompanhados por cenas de luta quase ao estilo Fight club com ambos os machos levantando-se nas patas traseiras e lutando com as dianteiras. Há vantagens nestes comportamentos pois comparados com os seus companheiros menos agressivos/mais defensivos, os machos que exibem este tipo de acções agressivas, têm também mais sucesso na copulação. Estes comportamentos agressivos surgem normalmente em resposta a competições por fêmeas, território ou comida. Mas o comportamento agressivo não é apenas próprio dos machos de Drosophila melanogaster, existindo também nas fêmeas.
A agressão mais estudada em fêmeas da mosca da fruta é a que é dirigida aos machos e está relacionada com a recusa em copular. Nestes casos, as fêmeas dão pontapés, sacodem as asas e movem os seus abdómens para escapar ao macho que as procura seduzir. No entanto, recentemente demonstrou-se que as moscas fêmeas, tal como os machos, também podem ter comportamentos territoriais. O laboratório de Edward Kravitz nos EUA, demonstrou no ano passado que grupos de fêmeas lutam pela mesma comida, tal como os machos, não havendo grandes diferenças entre o comportamento agressivo das fêmeas virgens em relação às fêmeas não-virgens. A maior diferença entre machos e fêmeas encontra-se mesmo na maneira como ambos os sexos lutam. Embora ambos utilizem as asas e as patas dianteiras para se agredirem mutuamente, as fêmeas adoptam mais a estratégia da cabeçada do que os machos!

Para mais informação sobre estes estudos:
Gyunghee and Hall, Behavior Genetics 2000, 263-275
Chen, S. et al., PNAS 2002, 5664-5668
Nilsen, S.P. et al., PNAS 2004, 12342-12347
PS – Este post é dedicado ao Vítor Barbosa.
Publicado por SJA às novembro 3, 2005 02:31 PM