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novembro 15, 2005
Salvar o mundo
Durante muito tempo, quando as pessoas perguntavam o que é que eu fazia e eu dizia que fazia investigação em biologia, ouvia de resposta: "Sim senhora, com que então a salvar pessoas e o mundo!". Ao qual eu retorquia que a Ciência não resolvia problemas nenhuns no mundo, que por muitas potencias soluções que a Ciência apresente para questões actuais, quem decide se são problemas e se depois as soluções são usadas ou não são os economistas e os políticos. Dou como exemplo a SIDA, a malária, os alimentos transgénicos que parecem que são problemas científicos também mas para os quais a única coisa que os biólogos podem fazer é contribuir com uma ideia que talvez ajudasse se uma longa série de "ses" políticos e económicos fossem preenchidos.
Isto tudo a propósito de o filme "The Constant Gardener" que estreou há algumas semanas na Europa. Provavelmente já ouviram falar de qual é a base do filme: a mulher de um diplomata inglês é assassinada porque descobre que se estão a testar medicamentos para a tuberculose que tem efeitos secundários graves em pacientes africanos. Os doentes se se recusarem a servir de cobaias deixam de receber tratamento para a SIDA. Pelo meio é mencionado o caso real de empresas farmacêuticas que enviam medicamentos fora de prazo para os países subdesenvolvidos, recebendo em troca descontos nos impostos. Junto uma informação que me foi dada por um amigo e não está no filme: as companhias farmacêuticas são as indústrias que apresentam uma margem de lucro maior, na ordem dos 20%, que é muito maior que outros sectores, incluindo os bancos por exemplo.
A maioria de nós está no princípio desta cadeia, a fazer investigação que permite desenvolver novos medicamentos, vacinas, terapias. Mas que só são realmente medicamentos, vacinas, terapias se no fim da cadeia as companhias farmacêuticas e os políticos assim o entenderem.
Se ainda não viram o filme vão ver, pois além das questões éticas, é também uma belíssima história de amor. Entre duas pessoas e também entre a equipa de produção e África.
Publicado por MM às novembro 15, 2005 02:57 PM
Comentários
Confesso que me conseguiste baralhar com este post. Qual é a tua posição nas tais "questões éticas", de que falas?
Não vi o filme por isso, já agora, podias dizer que questões éticas são essas...
É a história dos "medicamentos fora de prazo" (cuidado que esta tem pano para mangas...)? É a história dos "efeitos secundários graves em pacientes africanos" (idem)?
Outra coisa: Fazes ideia de qual é a parte desses tais "lucros de 20%" que é depois investida em investigação para permitir haver tanta gente "no princípio da cadeia" (sic) e "esenvolver novos medicamentos, vacinas, terapias"?
Publicado por: P Vieira às novembro 15, 2005 03:45 PM
Novo blog dedicado ao estado do tempo em Portugal e à meteorologia:
Publicado por: ludbrioa às novembro 15, 2005 05:47 PM
Penso que se esqueceram de um zero, quando referiram ao lucro de algumas farmacêuticas!
Publicado por: RPA às novembro 15, 2005 06:24 PM
Realmente, como disse alguém, mais vale fechar os comentários:
Quando o pessoal não tem estaleca para manter uma conversa sobre os próprios temas propostos nos posts, é uma verdadeira perca de tempo permitir aos leitores do blogue que se manifestem...
Publicado por: P Vieira às novembro 15, 2005 10:55 PM
Vi o filme a semana passada.
Concordo e uma belissima historia de amor.
Mas confesso que fiquei um pouco desapontado com o filme. Achei toda a logica subjacente ao filme vulgar na medida em que a unica coisa que faz e contribuir para a pesada consciencia do "terrivel" homem branco. Ora eu peco imensa desculpa mas para esse peditorio ja dei.
Nao se debruca nas causas profundas do problema da exploracao dos mais fracos ficando-se pelos sintomas. Porque o facto de as empresas farmaceuticas andarem em Africa a usar os miseraveis para arrancarem o maximo de recursos possiveis nao passa de um sintoma, ou de um sinal, nem sequer e abrangente o suficiente para ser um sindrome... Trafico de armas, exploracao de petroleo, drogas, exploracao insustentavel de recursos naturais e muitos mais existem, as farmaceuticas mais uma pedrinha para o monte.
A questao que eu gostaria de ver explorada e o porque desta exploracao do 3o mundo pelo 1o, qual e a causa fundamental que uma vez iniciada desencadeia irresistivelmente toda esta espiral de degradacao humana.
E nesse aspecto o Senhor da Guerra e melhor, que aflora este assunto se bem que muito ao de leve e ja no final do filme. Se bem que para mim o principal atractivo do Senhor da Guerra e assistir a todo este fenomeno do ponto de vista de um desses "exploradores" e aquilo que acabamos por descobrir no final e que ele e um providenciador de um servico, um mediador, nada de especial no meio de toda a engrenagem... destrui-lo tera como unico efeito a sua substituicao por outro...
Peco desculpa pela extensao do comentario mas por acaso isto e um tema que andado a discutir com alguns dos meus amigos vai para mais de uma semana.
Publicado por: Lowlander às novembro 16, 2005 09:54 AM
No ano passado uma das minhas colegas de casa trabalhava na produção de um dos principais telejornais ingleses. Debatíamos de vez em quando a questão da guerra no Iraque. Ela dizia sempre que, devido à profissão, era recomendado tanto ela como a colegas que não mostrassem uma posição demasiado vincada para qualquer dos campos. Isto era obviamente na vida profissional mas o hábito passava para a vida social. Limitei-me a divulgar uma questão - a minha posição ética sobre o assunto fica para outra altura e talvez outro lugar! O que não impede eu achar muito bem que os leitores exprimam as suas posições.
Gostaria muito de ver o "Senhor da Guerra", até porque é do mesmo realizador do "Gattaca", o último filme sobre o qual falei no Conta
Publicado por: Maya às novembro 16, 2005 04:30 PM
Pois é, que mundo é este e que pessoas são estas, que pessoas somos nós... Há muita gente que ainda não percebeu que por muito dinheiro que ganhem, muito poder que tenham ou venham a ter, acabam por morrer como todos os outros. Daqui a 5000 mil anos quem se lembrará do Saddam ou do Bush? Mas pode ser que continue a haver Iraques e Américas...in the end, uma das coisas que já aprendemos com a ciência foi que o Sol vai morrer. Se lá chegarmos, convém pensar nesse problema...
Publicado por: pedro às novembro 18, 2005 10:51 AM
Eu acho que o mundo ainda tem uma soluçao para todas essaa tragedias mais para isso acontecer precisa se que os seres humanos s concientizem do mal q estao fazendo e q realmente mudem!
Publicado por: sarah às setembro 18, 2006 07:04 PM