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novembro 10, 2005

Talento pop ao serviço da popularidade

rD.jpgNuma sondagem com vista a determinar quais são os intelectuais mais influentes na arena pública, há dois resultados interessantes: 1) as ausências de Eduardo Prado Coelho, Eduardo Lourenço e Vasco Pulido Valente; 2) a presença de um homem da biologia - Richard Dawkins - numa posição cimeira. Estas listas valem o que valem, e há uma circularidade que retira impacto à constatação de que o biólogo mais influente junto do grande público se projectou essencialmente como divulgador junto do grande público, servido por um conhecimento sólido, um estilo feliz e um talento especial para cunhar expressões memoráveis, como "meme" e "gene egoísta". Mas nestas ocasiões - e sem pretender tirar mérito ao grande divulgador de ciência, humanista e ateu - é sempre oportuno recordar que Dawkins apenas nos ajudou a perceber o trabalho de George C. Williams, W. D. Hamilton, John Maynard Smith e Robert Trivers, sem ter chegado a trepar aos ombros destes gigantes. Foram essencialmente estes cientistas que transferiram a unidade de selecção em evolução do indivíduo (e do grupo) para o gene, iniciando uma polémica entre evolucionistas que - tanto quanto julgo saber - ainda mexe

Publicado por Conta Natura às novembro 10, 2005 08:54 PM

Comentários

Desde quando é que uma sondagem feita por uma das principais revistas de actualidade politica a nível mundial e cujo publico alvo é anglo-saxónico é suposto ter Portugueses? Reparou que nem os grandes intelectuais francófonos lá estão?

A lista também não tem propriamente muitos cientistas, se exceptuarmos as ciências sociais. Não admira porque os votantes foram o público e não um grupo de especialistas.
Não tirando o mérito aos que lá figuram, a lista vale o que vale!

Publicado por: A.R.Ray às novembro 11, 2005 10:20 AM

AAAAAHH!!!!!
Finalmente percebi o post...


Onde teria eu a cabeça???

Publicado por: P Vieira às novembro 11, 2005 12:21 PM

Coloca-me numa situação delicada, A.R. Ray, mas só me resta frisar que o ponto 1) do post era um exercício de ironia, que claramente falhou.

Em todo o caso, aproveito para fazer um comentário adicional:apesar da a lista traduzir as preferências de quem lê em inglês, figuram no "top ten" três homens (Eco, Havel e Habermas) que não nasceram nem cresceram em países anglófonos. Há uma crítica implícita na minha tentativa falhada de fazer alguma ironia: o inglês é hoje "lingua franca" no mundo das ideias. Quem se dedica a temas com interesse universal e o faz de um modo original e rigoroso, mais cedo ou mais tarde é traduzido e ganha projecção no mundo anglófono (por vezes muito tarde, é certo). É claro que os intelectuais que escrevem noutras línguas não estão em pé de igualdade com os anglófonos, há fenómenos de acantonamento linguístico (a língua simultaneamente como trunfo e como prisão) e - lá está - as listas "valem o que valem"; esta, por exemplo, mede apenas a "popularidade" e eu quase que aposto que metade das pessoas que citaram Habermas nunca leram mais de 10 páginas do filósofo. Limitei-me a fazer uma pequena provocação citando três nomes de intelectuais portugueses famosos - e que gosto de ler - mas cuja projecção global, na verdade, é discreta ou inexistente.

Publicado por: VMB às novembro 11, 2005 12:32 PM

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