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outubro 21, 2005

Influenzoscópio

Avian-flu-188.gifDepois da Turquia, Roménia e Rússia terem confirmado os seus surtos de gripe aviaria, ontem o ministro da agricultura da Grécia admitiu publicamente que esta segunda-feira (dia 17 de Outubro) tinha sido detectado um peru grego com a mesma gripe, na ilha de Chios no mar Egeu. Este resultado positivo detectou a presença de anticorpos contra o vírus, recorrendo a um teste semelhante ao teste ELISA para o HIV. A confirmação virá mais tarde, com outros testes, mas a probabilidade de já ter ocorrido uma primeira infecção aviaria, dentro das fronteiras da UE, é muito elevada.

No dia 18, o Ministro da Saúde da Indonésia veio confirmar mais um caso de infecção humana por gripe das aves, elevando para 5, o número de detecções laboratoriais, 3 das quais fatais. Quase todos os casos foram registados em pessoal da indústria das carnes de aves.

Ontem mesmo, o governo tailandês confirmou o seu 13° caso fatal de transmissão humana da Gripe aviaria, o que esteve a ser debatido ao longo do dia na reunião do Conselho de Ministros da Saúde da UE, em Londres. Os planos de contingência foram debatidos e os mecanismos de vigilância reforçados.

Recordo mais uma vez que de todos os casos registados até agora, o único caso (suspeito, não confirmado) de transmissão da infecção Homem-a-Homem ocorreu entre uma criança doente e a sua mãe, na Tailândia, em Setembro de 2004.

O envolvimento deste e de outros países asiáticos neste drama sanitário e económico, levou o CDC (Centers for Disease Control) a recomendar destinos turísticos alternativos, bastante distantes desta região do globo.

Nós por cá, do outro lado do mundo, recebemos mais um anúncio apaziguador do Ministro da Agricultura negando qualquer resultado positivo em mais de 3000 amostras colhidas em locais de risco e o Secretário de Estado da Saúde confirmou a contratação para aquisição de 2,5 milhões de doses de tratamento- Oseltamivir (Tamiflu®). Os laboratórios Roche registarão este ano, estou convencido, os maiores lucros de toda a sua história, mas já deram o bom exemplo, extensível a outras discussões igualmente preocupantes, e negociaram o licenciamento de outros laboratórios para a produção deste fármaco. O tempo dirá se estas quantidades astronómicas vão ser suficientes para as necessidades ou se ficarão serenamente nas prateleiras à espera da data limite de validade.

Outro aspecto importante a recordar aqui no Conta é o sentido do alastramento das epidemias de Influenza tipo A entre espécies diferentes. Até 1998, apenas o subtipo H1N1 (o mesmo da gripe espanhola de 1918-1919) circulava entre porcos. Nesse mesmo ano, foram isolados vírus H3N2 humanos em porcos, o que provocou uma grande epidemia nesta espécie. Mais recentemente, o H3N8 encontrado habitualmente em cavalos, passou a barreira da espécie para passar a infectar também os cães.

No Homem, os subtipos responsáveis por grandes epidemias são o H3N2, H2N2, H1N1 e o H1N2.

Todos os animais são susceptíveis apenas a alguns subtipos virais. A excepção vai para as aves que são hospedeiros potenciais de TODOS os Subtipos de Influenza tipo A. Ainda bem que, à semelhança dos dentes, as galinhas e os perus quase perderam as asas e deixaram de voar!

Publicado por RPA às outubro 21, 2005 12:28 AM

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