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outubro 20, 2005
Curiosidade Apaixonada
de Carlos Fiolhais
Ciência Aberta - Gradiva
“Muito curiosíssimo e muito curiosíssimo!”, gritou a Alice depois de comer o bolo, e momentos antes de começar a crescer desmesuradamente, no início das suas aventuras no País das Maravilhas. Mas a curiosidade e as coisas curiosas nem sempre são malévolas, nem eventualmente castigadas.
O novo livro de Carlos Fiolhais deve o seu título “Curiosidade Apaixonada” a uma célebre frase de Albert Einstein. Como explica o autor no prefácio “a maneira que temos para chegar à Ciência, (…) nas palavras de Einstein, é o que ele chamou curiosidade apaixonada”. Este livro, que foi lançado pela Gradiva no passado dia 29 de Setembro, oferece-nos de novo a prosa ritmada e de fácil leitura de Carlos Fiolhais. Oferece também uma capa “curiosa”: Albert Einstein e Marylin Monroe em duas peças de puzzle que se complementam.
Fiolhais compilou neste livro, como antes o fez em “A coisa mais preciosa que temos”, textos que foi publicando nas páginas d’O Primeiro de Janeiro. Os elos de ligação entre estas crónicas são mesmo a curiosidade e a Ciência. Na primeira parte temos a Ciência propriamente dita, e o exercício da curiosidade. Daí passamos às Histórias, onde o autor nos conta várias estórias da História da Ciência ou nas suas palavras “a curiosidade em acção”. A terceira parte lida com as Escolas e a educação científica e, em seguida, o resto do livro conta-nos como há muitos mais recursos disponíveis para aguçar a curiosidade. Os capítulos Livros, Filmes, Teatros e Viagens, apresentam-nos o interesse e as opiniões de Carlos Fiolhais desde os livros que leu às viagens por ele feitas a vários sítios da Europa.
Na minha posição de leitora deste livro, gostaria de chamar a atenção ao capítulo de Histórias que retrata alguns episódios da História da Ciência revelando pormenores sobre alguns portugueses implicados que são, praticamente, desconhecidos. E um outro, o dos Teatros que me surpreendeu por dar-me a conhecer a qualidade do que se tem feito no Teatro da Trindade em matéria de comunicação de Ciência através da arte teatral (sim, que isto de ser emigrante tem alguns contras). E claro, não posso deixar de mencionar o ensaio “Por que não ganhamos na educação?”, uma crítica inteligente e satírica, à educação em Portugal. Aqui, Fiolhais compara as vitórias futebolísticas portuguesas ao falhanços da educação e em dada altura escreve “Os nossos ministros da Educação, não têm sido nenhuns Josés Mourinhos…”
Um livro feito de retalhos e detalhes. Uma agradável leitura à que se adiciona a comunicação de Ciência feita ao estilo muito próprio de Carlos Fiolhais. Os meus parabéns tanto ao Carlos como à Gradiva por estes bons momentos de leitura.
Entrevista com Carlos Fiolhais sobre este livro em Os Caminhos do Conhecimento
Publicado por SJA às outubro 20, 2005 09:35 AM