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outubro 15, 2005

Ciclope cínico

ciclope.jpginsectsinamber.jpgÂmbar s.m. ; do Ár. anbar 1. Substância fossilizada que resultou da perda dos compostos voláteis de uma resina vegetal ancestral. 2. Paleontologia: nenhum mamute se levantou ainda dos glaciares, mas estão na moda as tentativas de ressurreição de espécies desaparecidas. A serem bem sucedidas, um género novo cortará transversalmente o grande edifício taxonómico: Lazarus sp.. Há toda uma fauna e flora com milhões de anos paralisada nos calhaus de âmbar, à espera do sopro vital. Infelizmente, a realidade tem sido pouco miraculosa. Por enquanto os cientistas vangloriam-se apenas de haver reavivado esporos de microorganismos, mas não se sabe ao certo se os esporos vieram do Mesozóico ou da mesa que alguém se esqueceu de esterilizar. 3. Cinema: o âmbar foi o ponto de partida para o filme Jurassic Park (1993), um clássico no género absurdo científico. Insectos que tiveram o último repasto no lombo de dinossauros e ficaram depois aprisionados na resina que se transformou em âmbar são uma fonte preciosa de ADN de dinossauro; do ADN renasceram depois os répteis gigantes. Ora bem, o dia chegará em que bastará soletrar o genoma para gerar o organismo, mas ainda não estamos lá. Outro detalhe aborrecido: quando os insectos foram preservados no âmbar os dinossauros já não existiam. E mais: não se percebe como ficaria preservado o sangue no âmbar, ao ponto de ser possível separar as células de dinossauro das do insecto por citometria de fluxo. Mais verosímil teria sido o isolamento do ADN de dinossauro juntamente com o do insecto, o que, de resto, abriria o leque de possibilidades narrativas. O problema é o filme The Fly (1986), que já explora a temática dos cocktails genómicos. Curiosamente, Jeff Goldblum, o actor de The Fly, aparece também em Jurassic Park. Coincidence? I think not.

Publicado por Conta Natura às outubro 15, 2005 03:58 PM

Comentários

Off-topic
Muito bem escrito, nao ?

PÚBLICO - EDIÇÃO IMPRESSA - CIÊNCIAS

Director: José Manuel Fernandes
Directores-adjuntos: Nuno Pacheco e Manuel Carvalho
POL nº 5683 | Domingo, 16 de Outubro de 2005

Vacina para cancro do ovário vai ser testada
Ana Domingos
Resultados finais dos ensaios clínicos disponíveis em Dezembro

A Prima BioMed, empresa de base biotecnológica com sede em Melbourne, na Austrália, anunciou o lançamento da etapa final de ensaios clínicos de uma vacina contra o cancro do ovário.
As células cancerosas escapam à detecção pelo sistema imunitário graças a proteínas à superfície que as fazem passar por células normais. A tecnologia desenvolvida pela Prima BioMed passa por reeducar o sistema imunitário para reconhecer as células cancerosas do ovário como intrusas, e por isso, como um alvo a abater.
A estratégia de tratamento assenta no aumentar da resposta imunitária contra a proteína mucin-1, localizada à superfície das células cancerosas. Este ensaio clínico envolverá isolar determinado tipo de células, percursoras de células do sistema imunitário, a partir de amostras de sangue da paciente. Estas, depois de diferenciadas em células dendríticas - um dos tipos de células do sistema imunitário -, são tratadas com a vacina e, finalmente, devolvidas à corrente sanguínea da paciente.
No laboratório, as células dendríticas são incubadas com a vacina, que é justamente a mucin-1 ligada a um certo tipo de açúcar, chamado Mannan. Este açúcar tem um papel adjuvante, potenciando a resposta imunitária das células à presença de mucin-1. Quando devolvidas à corrente sanguínea, as células dendríticas tratadas estão instruídas para guiar o sistema imunitário a responder contra as células cancerosas do ovário.
Os ensaios clínicos têm vindo a ser feitos em pacientes recrutados pelo Hospital de Austin, na Austrália. A análise preliminar dos resultados, que incluem a segurança e o protocolo da vacina, está já a decorrer e será completada em Dezembro.
A Prima BioMed tem licença da empresa Biomira para o uso exclusivo, e a nível mundial, de mucin-1 na terapia do cancro usando células dendríticas. No entanto, a Biomira, com sedes no Canadá e EUA, poderá assegurar os direitos de comercialização da tecnologia a nível mundial com a excepção da Austrália e Nova Zelândia onde a Prima BioMed retém os direitos.

Publicado por: PD às outubro 16, 2005 09:43 PM

PD,

Não percebi se estavas a ser irónico. O artigo tem partes redundantes e não é um primor de exposição, mas já li bem pior na imprensa nacional.

Peço-te que de futuro não uses a caixa de comentários para assuntos não relacionados com a entrada respectiva. Por exemplo, neste caso um email teria servido.

a,

V

Publicado por: VMB às outubro 17, 2005 02:26 PM

VMB,

Ainda bem que gostaste. Talvez nao tanto com eu, mas deves de compreender o meu entusiasmo. Quanto a comentarios off-topic, sao usados frequentemente em diversos sitios incluindo o Contanatura. Nao compreendo portanto o teu problema, sobretudo quando tantos posts (incluindo este) tem 0 comentarios.
Cumprimentos

Publicado por: PD às outubro 17, 2005 06:37 PM

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