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outubro 07, 2005
A "Outra" Boca Do Corpo
Na passada semana apresentei um apanhado sobre o Colo do Útero com alguns números que descrevem o risco a que estão sujeitas as mulheres sexualmente activas.
Hoje, venho completar a informação apresentada com a notícia veiculada ontem pela Merck & Co (MSD para os europeus) relativamente ao êxito extraordinário que está a ter o ensaio clínico com a sua vacina anti-HPV (vírus do Papiloma humano). Recordo que esta infecção quando transmitida pelos serotipos HPV-16 e HPV-18 tem especial impacto a nível oncológico por se tratar de vírus marcadamente oncogénicos. Pelos menos 70% dos casos de carcinoma do Colo do Útero têm origem nestes apenas nestes dois serotipos, em cerca de mais de 100 serotipos diferentes até agora identificados.
Por outro lado o HPV é também responsável pela verruga genital, designada por condiloma accuminatum e corresponderá à lesão com apresentação clínica mais vulgar é atribuída aos serotipos 6 e 11. Estima-se que cerca de 20 milhões de americanos apresentam alguma forma de infecção por HPV, e que metade da população estará infectada.
Após uma única dose da vacina (Gardasil®) que envolve os 4 serotipos acima descritos, 89% da população apresentou resposta eficaz, segundo a publicação na Lancet. Em termos absolutos, de 5736 mulheres vacinadas, apenas uma apresentou lesões displásicas (pré-cancerosas), de carcinoma cervical ou verrugosas, em comparação com 36 de 5766 mulheres submetidas a vacinação com placebo. Os resultados de ontem revelam que 100% das mulheres ficaram protegidas de qualquer tipo de lesão, o que é um resultado muito motivador.

De notar que os dados de seguimento a 4 anos serão publicados brevemente e que os ensaios multicêntricos de registo para apresentação às autoridades reguladoras apresentam cerca de 25 000 mulheres e crianças, incluindo as idades compreendidas entre os 10 e os 13 anos.
Existe uma vacina concorrente pertencente à GlaxoSmithKline e também dirigida para os serotipos 16 e 18, mas que aparentemente estará ligeiramente mais atrasada em comparação com a MSD.
É fundamental aqui repetir que não há terapêutica anti-HPV eficaz pelo que a vacinação agora anunciada será a única forma de tratamento, mas com um carácter preventivo.
A entrada no mercado está programada para 2006 e deverá ser aplicada à população de maior risco que são os jovens entre os 15 e os 30 anos, ainda não infectados e às crianças entre os 10 e os 13 anos, antes do início da sua actividade sexual.
PS- O jornal Público dá honras de primeira página a uma avaliação do Instituto Karolinska e da Faculdade de Economia de Estocolmo sobre o acesso às medicações inovadoras nos países da UE. Espanha e Áustria aparecem a disputar os primeiros lugares e Portugal aparece na média. No entanto, apesar da disponibilidade rápida dos novos medicamentos nas farmácias hospitalares as pressões são enormes para que se prescreva com grandes limitações. Aqui começam as dificuldades...
Publicado por RPA às outubro 7, 2005 05:22 PM
Comentários
É uma pena. Estava prestes a render-me aos encantos da castidade.
Publicado por: MRS às outubro 9, 2005 01:32 PM