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setembro 26, 2005
Do Outro Lado Da Tempestade
Ao falarmos de Thomas Midgley temos sempre que referir o nome daquele que para além de ser um marco na história da ciência do séc. XX foi também aquele que derrotou “O Encantador de Furacões”.
Desde já a vénia do Conta para um Geólogo, o Geólogo; refiro-me a Clair Patterson .
Este homem foi nada menos do que aquele que encontrou o número mágico de 4550 Milhões de anos (com uma margem de erro de 70 Milhões de anos) para a data de aniversário do nosso planeta! A relação destes cálculos com o assunto anterior tem como fio condutor o próprio chumbo, em que a quantificação dos isótopos deste e de urânio são o mais antigo relógio capaz de indicar com precisão a origem da Terra.
O material escolhido era a rocha ígnea, a que se forma por fusão. No entanto, a tectónica das placas explica hoje a dificuldade de as encontrar à superfície e com a idade original do planeta, sem misturas com amostras mais recentes...
A solução parecia estar fora do planeta, na recolha de material circulante no nosso sistema solar, que teria uma idade muito próxima da terra, se imaginarmos que se trata de restos e lixo da obra original. Encontrá-lo, há mais de cinquenta anos atrás, à superfície da terra não era tarefa fácil! Sejamos claros, os meteoritos não são a amostra de rocha mais abundante na Terra e as fáceis contaminações com o chumbo atmosférico após exposição ao ar introduziam dificuldades adicionais. Foi a partir do momento que obteve quantidade suficiente de meteoritos e de um laboratório com total esterilidade que as medições começaram a recuar para valores tão longínquos como o encontrado e sem paralelo com qualquer estimativa anterior. Mais de meio século depois, o valor permanece inalterado.
Com a técnica afinada, foi o mesmo Patterson que descobriu que os níveis de chumbo atmosféricos anteriores a 1923 eram quase ausentes e que daí em diante os aumentos foram constantes e com taxas de crescimento assustadoras. Os trabalhos retrospectivos foram feitos pela primeira vez nos núcleos de gelo de localidades polares que se sabia conterem por camadas a datação de cada inverno, como um calendário perpétuo. Ainda hoje os estudos de climatologia têm por base este princípio.
Ao descobrir esta catástrofe ecológica em fase embrionária converteu-se em grande lutador pela causa ambiental, contra a poluição atmosférica pelo chumbo e contras as suas consequências.
A sua perseverança e tenacidade deram frutos e os EUA introduzem o Clean Air Act em 1970 e em 1986 retiram do mercado a gasolina com chumbo. As tintas de interiores também foram interditas, apesar de 40 anos depois da Europa e apenas em 1993 a soldadura a chumbo das latas de produtos alimentares foi proibida.
Sobre a Ethyl Corporation já não produz gasolina com chumbo e parece não estar convencida das medidas tomadas de interdição de uso de chumbo, no entanto esse produto é comercializado por outras vias. Quanto aos CFCs, foram banidos nos EUA em 1974 mas continuam a ser comercializados em países do terceiro mundo, que agendaram a sua interdição para 2010. Vamos lá ver se cumprem.
Em 1995, Clair Patterson faleceu. Durante a sua cruzada, foi alvo de muitas perseguições e chantagens, mesmo a nível de meios académicos aparentemente independentes, como o MIT, para que lhe fossem negadas as honras que merecia, tendo chegado a ser excluído de um painel de peritos em matéria de segurança ambiental…
Talvez tenhamos que agradecer um dia os seus esforços, a título póstumo quando tomarmos consciência de que as alterações climáticas dos últimos 10 anos seriam muito piores sem o seu contributo. Ou talvez já vamos tarde, se pensarmos no valor e importância da descoberta do ano de construção da nossa “Casa”.
Publicado por RPA às setembro 26, 2005 01:26 AM
Comentários
Foi lindo foi profundo.
Parabenssssssss
Publicado por: Bia às outubro 26, 2005 07:00 PM
feio pessimo
Publicado por: ssssaa às novembro 9, 2005 07:04 PM