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agosto 11, 2005

Parte II- Drogas

Falámos de sexo. Agora falemos de drogas. Mais concretamente de álcool e cocaína. Os mecanismos de actuação destas drogas podem também ser estudados usando a mosca da fruta, Drosophila melanogaster. Quantas vezes já vimos uma mosquinha a sobrevoar o nosso copo de vinho e até mesmo a cair dentro dele. Nessas ocasiões, a conversa às vezes converge para a piadinha sobre a mosca bêbeda e o “ai que elas que elas gostam tanto de copos como nós”.
No seu ambiente natural, que consiste de plantas em fermentação, a Drosophila está em contacto com níveis elevados de álcool. Estas moscas estão bem equipadas para lidar com os efeitos tóxicos do etanol (àlcool mais comum da fermentação); usam-no como fonte de energia e para biossíntese. As semelhanças entre a Drosophila e os mamíferos não se restringem ao modo como ambos metabolizam o álcool. Os comportamentos gerados pelo consumo elevado de álcool são bastante semelhantes entre a mosca e, por exemplo, o Homem. As moscas também mostram sinais de intoxicação aguda, que variam entre estimulação a doses baixas e a sedação completa a doses mais elevadas. Tal como nós, as moscas desenvolvem tolerância ao etanol e parecem gostar bastante de “uns copitos”, mostrando uma clara preferência por meios contendo álcool.
Surpreendentemente, as concentrações de álcool (20 mM) que despertam comportamentos alcoólicos na Drosophila, são aproximadamente as mesmas que produzem efeitos em humanos que não estão habituados a beber. Imediatamente depois de serem sujeitas a esta concentração de álcool, as moscas respondem aumentando a sua velocidade de locomoção. À medida que o etanol começa a acumular-se, as moscas entram uma fase mais prolongada de hiperactividade que dura algum tempo. Finalmente, começam a abrandar, caem de costas e assim ficam sem poder levantar-se. Enfim, nada que não se testemunhe, entre humanos, em qualquer bar por volta da meia-noite ou duas da manhã!
Por sua vez, o consumo de cocaína pelas moscas também produz comportamentos semelhantes aos dos mamíferos. Doses intermédias produzem comportamentos anormais, tais como caminhar em círculos e sem rumo enquanto que doses mais elevadas produzem excessivos movimentos rápidos e descontrolados e podem mesmo causar a morte.
Vários estudos têm sido feitos usando a Drosophila como modelo bioquímico e de comportamento após a administração de várias drogas. Apesar dos mecanismos de dependência no Homem serem bastante mais complexos e não poderem ser totalmente imitados pela mosca, o conhecimento dos mecanismos que modelam as respostas crónica e aguda às drogas pode continuar a ser aumentado por estudos em Drosophila melanogaster.

Publicado por SJA às agosto 11, 2005 02:24 PM

Comentários

"The hangover gene defines a stress pathway required for ethanol tolerance development"

Henrike Scholz, Mirjam Franz, and Ulrike Heberlein

NATURE, Vol 436, 11 Aug 2005 845-847

Publicado por: VB às agosto 11, 2005 05:02 PM

E ainda dizem que não há coincidências...

Publicado por: SJA às agosto 11, 2005 06:13 PM

Quero ver como vais "descalçar a bota" do rock n'roll...

Publicado por: VB às agosto 13, 2005 06:00 PM

Suspense...

Publicado por: SJA às agosto 15, 2005 01:58 PM

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