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julho 26, 2005
Politiquices
Por muito que queiramos dedicar-nos só à Ciência e ignorar assuntos mais sujos, o certo é que temos que saber o que se passa no mundo da admnistração científica, nem que seja para saber de onde é que vem o dinheiro. A semana passada aconteceram, ou digamos, progrediram, alguns marcos na política científica portuguesa:
- Foi formado o Conselho Científico do Conselho Europeu de Investigação. O Conselho Europeu de Investigação será uma entidade financiadora de investigação de ponta ligado à Comunidade Europeia. O Conselho Científico, por sua vez, será responsável por determinar a estratégia e excelência científica do CRI.
- Teresa Lago foi escolhida como a representante Portuguesa do Conselho Científico.
- O ministro da Ciência e Ensino Superior, Mariano Gago, está a mudar alguns dos ‘chefões’: o presidente da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), Ramôa Ribeiro, deverá ser substituído por João Sentieiro, actual secretário de Estado dos Conselhos dos Laboratórios Associados, e Luís Magalhães foi nomeado presidente da Agência para a Sociedade do Conhecimento (UMIC), substituindo Diogo Vasconcelos que tinha sido colocado por Durão Barroso em 2002.
Publicado por MM às julho 26, 2005 06:39 PM
Comentários
E a conclusão é?
Publicado por: MS às julho 27, 2005 07:54 AM
Tanto Ramoa Ribeiro como Diogo Vasconcelos só foram "mudados" agora porque tinham contrato até ao final de Julho. Provavelmente por vontade de Mariano Gago já teriam ido embora antes. Luis Magalhães é inteiramente bem escolhido para qualquer cargo. ´Tem grandes capacidades de gestão e uma boa visão global da ciência em Portugal.
Não conheço o João Sentieiro por isso nada posso dizer.
Quanto à escolha de Teresa Lago, acho confrangedora...mas é uma opinião pessoal
Publicado por: A.R.Ray às julho 27, 2005 10:37 AM
É uma maldição muito nossa passar-se a vida a mudar o pessoal para fazer o jeito aos amigos... não sei se é relevante no post chamar MINISTRO a quem trocou um Director que tinha sido colocado por alguém a qum se chama Durão Barroso (que por acaso até era Primeiro-Ministro...).
O tal Conselho Cientifico do Conselho Europeu de Investigação não é, na prática, uma colecção de 'has beens'?
É pena que o Luis Magalhães não regresse à FCT, onde tinha feito um excelente trabalho... Isto sem desfazer no Ramõa Ribeiro que também não fez mau trabalho nas dificílimas condições que a anterior passagem do tal MINISTRO pelo Governo lhe deixaram em herança...
Publicado por: P Vieira às julho 27, 2005 11:02 AM
Por muito que compreenda a ideia subjacente a este texto não posso deixar de discordar da forma. Todas as actividades profissionais, sejam da área da investigação científica e tecnológica, do ensino, das engenharias do saber fazer, sejam da área da logística e organização social como o direito e a gestão serão sempre importantes, correctas e “limpas” se os profissionais assim o quiserem. Na verdade, todos sabemos que não se faz investigação sem investimento, sem capital de risco, sem uma política correcta e adequada às necessidades. Pareceu-me incorrecto teres afirmado que será “sujo” pensar na administração da ciência e na origem dos financiamentos. Por outro lado, dentro da lista dos citados há nomes que nos merecem a maior consideração, o que torna a tua introdução algo mais injusta.
Não só não podemos atribuir uma aura de perfeição e pureza aos cientistas como será errado subestimar a importância do trabalho daqueles que permitem que os Cientistas tenham prazer diário naquilo que fazem. É por causa da maioria não atribuir valor a estas coisas mundanas do financiamento que alguns colegas cientistas fazem o que fazem, arrebatando para si todos os privilégios e esquecendo as suas funções representativas nestas instituições. É também por causa da maioria não atribuir valor a estas coisas mundanas do financiamento que há gestores que não sabem sequer onde se deverá fazer o investimento e onde, sobretudo, não deveria ser gasto um único euro.
A realidade nem sempre é como nós a imaginamos mas nós somos a realidade, todos e cada um. A melhor forma de limpar esta realidade, é de facto fazer desaparecer a sujidade e não dar por natural aquilo que está ao alcance de todos mudar. A mudança começa na participação activa. Que não nos queixemos mais tarde!
Publicado por: RPA às julho 27, 2005 11:19 AM
eu sou aluno de licenciatura de biologia e como inocente que sou gostava de fazer uma perguta sobre este post, não será estranho cada vez que um governo muda todos os cargos dependentes de ministros mudam, e ainda por cima mudam para amigos dos politicos ou então para amigos politicos?.. acho que a ciencia em portugal não vai mudar enquanto não se olhar a capacidade das pessoa em vez de que partido politico pertence.isto serve para a ciencia como para outra coisa qualquer, pq será que os oponentes de cada partido são sempre postos de lado mesmo sendo competentes? acho que assim vai ser dificil irmos a algum lado
Publicado por: m às julho 27, 2005 12:45 PM
Excelente observação esta do(a) 'm'! Diz exactamente o que eu quis dizer...
Sofremos dessa desgraçada maldição há já muito século: Desde pelo menos os tempos da Snra D Maria I (a Pia...). Infelizmente ainda não foi desta que mudámos os maus hábitos...
Publicado por: P Vieira às julho 27, 2005 12:54 PM
e outra pergunta já agora... porque será que a maioria é do tecnico?? será que é só no tecnico que há bons gestores de ciencia??
Publicado por: m às julho 27, 2005 01:08 PM
Não acham que existem comissões a mais?
A serio, em vez de ter tanta gente a dar opiniões, não se devia copiar o sistema americano e criar uma instituição verdadeiramente independente responsável pela coordenação da investigação científica.
Ou seja:
Ministro: decide objectivos.
FCT: Faz planos de 4 ou 5 anos e decide como esses objectivos devem ser atingidos. Et voilà :)
Publicado por: Rui Martinho às julho 27, 2005 03:10 PM
Eu diria que o IST é a instituição académica mais virada para fora, para as empresas, para a política e para a gestão. Também nunca consegui entender por que razão tantos engenheiros são gestores.
Se compararmos com uma área que conheço melhor, a da saúde, os médicos, ao contrário dos engenheiros isolaram-se completamente da sociedade e da participação cívica, com a honrosa excepção daqueles que em virtude de gostarem mais de outras actividades, escrita, pintura, música, tecnologia, acabaram por abandonar por completo a medicina e por esse motivo não contam para a análise. De facto, e talvez apenas neste detalhe, vejo grandes semelhanças entre médicos e cientistas em geral. Já os farmacêuticos serão os engenheiros da mesma área...
Quanto às mudanças, julgo que o trafico de influências apesar de crime, é mais um elemento cultural em Portugal! A democracia é virtual. Parafraseando o Dr. Medina Carreira, a governação portuguesa na última década tem sido uma monumental mentira. Os resultados estão à vista de todos!
Publicado por: RPA às julho 27, 2005 03:20 PM
Subscrevo o que diz RPA por inteiro. Parece ser dos poucos com bom senso por aqui.
Convém se calhar explicar que a alternância politica numa democracia é mesmo isto: Quando é eleito um novo governo os cargos de gestão de topo são ocupados por pessoas da confiança politica dos ministros respectivos. Pessoas que tem ideias politicas semelhantes às do governo e que o ministro reconhece como gestores capazes para aquele posto. O perigo de manter nesses postos pessoas conotadas com partidos diferentes do do governo é real. Um ministro pode "cair" por actos practicados por essas pessoas (já vimos isto antes noutros governos). É por isso que há esta dança das cadeiras.
A última pergunta do m tem razão de ser. Acho que a resposta é: Como o Mariano Gago é do Técnico e tem tendência a ir buscar pessoas que conhece bem para os cargos vai buscar pessoas ao... Técnico!
Outra razão pode ser o facto de o Técnico ser uma das melhores faculdades portuguesas com investigadores muito experientes. Mas olha que não são todos do Técnico: A Teresa Lago é da U. Porto, Graça Simões que vai também para o UMIC é da U. Nova de Lisboa tal como Anabela Pedroso que já estava no UMIC e continuará. E João Sentieiro trabalha num laboratório associado, apesar do dito se situar dentro do campus do IST, o seu funcionamento pouco terá a ver com a faculdade.
Acho que interrogarmo-nos sobre o facto de serem maioritariamente de uma dada instituição é como interrogarmo-nos sobre a razão de serem quase todos homens ou de serem quase todos brancos! Não é relevante para o trabalho que têm para fazer...
Esperemos que venham para melhorar a ciência portuguesa!
Publicado por: A.R.Ray às julho 27, 2005 03:36 PM
acredito que os engenheiros sejam mais virados para a sociedade, mas não haverá mais engenheiros sem ser no tecnico? será que é muito teoria da conspiração achar que é por serem todos colegas ou amigos do ministro? não sei, o que acham?
Publicado por: m às julho 27, 2005 03:38 PM
A. R. Ray:
A Presidência da FCT não é (ou não devia ser) cargo de confiança política. Só há uma razão para cada novo Ministro fazer questão de ter um novo Pres na FCT.
O M Gago, de palavrinha de honra, que não tirou de lá o Ramôa com medo de um dia vir a "cair" por causa dele...
Publicado por: P Vieira às julho 27, 2005 03:49 PM
Democracia não implica alternância dos cargos de director-geral na maior parte do mundo civilizado, mesmo nos EEUU onde essa prática é mais generalizada nem todos, mas mesmo sendo de confiança política não quer dizer que não se deva ter competência técnica efectiva na gestão da causa pública do domínio em questão. A administração pública portuguesa de qualidade perdeu-se quando o primeiro-ministro do início da década de 90, Cavaco Silva iniciou esta moda de colocar os do partido na gestão da causa pública e transferiu os poderes da administração para gabinetes de secretários de estado compostos por jovens licenciados que são tão fugazes como os seus membros e dossiers de gestão pública não acabam os governos, passam de uns para outros e devem ser discutidos com todos os interessados não só com os do seu partido. É para isso que serve uma administração pública isenta e independente e competente tecnicamente. É assim nos países civilizados e com crescimento económio.
A FCT é a única agência de financiamento da Europa que está directamente ligada ao poder político e onde todas as suas decisões são validadas por este, e mesmos nos casos que estes organismos são parte da administração pública, como o caso do CNRS, tem completa autonomia no processo de decisão existindo sim um plano estratégico a cinco anos.
Para gerir ciência é preciso saber muito mais para além de saber fazer num determinado domínio científico, implica definir estratégias, saber escolher, garantir que o financiamento é transparente e dado a quem tem qualidade. Em suma é preciso ser-se competente e no caso de presidente da FCT deve ter principalmente o reconhecimento da sua qualidade científica pelos seus pares nacionais e internacionais.
Os organismos morrem como as pessoas quando não têm desafios e políticas de qualidade na sua gestão. Têm de ter estratégia e saber para onde vão e indo acumulando competência e melhorando todos os dias.
Não quero aqui discutir a qualidade dos nomes referenciados, basta ir ao SCI e ver as suas publicações e por quem são citados, ou ainda saber de que outros cargos tiveram antes de serem ajudantes do ministro, ou após, para onde foram quando saíram da FCT.
Já agora caro Ray é preciso saber mais para além do que está considerado. Por exemplo ir ver pagina web do ISR, veja a estrutura, quem paga os seus investigadores onde é que eles trabalham, de quem são os espaços..., e o que têm feito. E ainda a pagina web do CLA. Veja em que ano este conselho ficou activo, as posições que tomou e ainda quando é que deixou de estar activo e deixou de tomar posições porque os seus membros criadores passaram para os gabinetes do palácio das larangeiras....
Publicado por: freedom às julho 27, 2005 04:19 PM
freedom:
Concordo com essas observações (embora reserve o julgamento acerca da importância de o Presidente da FCT ter publicado muito e/ou ser muito citado...).
É absurdo que uma coisa tão comezinha como por exemplo a lista dos indivíduo(a)s que vão beneficiar de uma Bolsa da FCT tenha de ir ao Ministro para ser homologada...
É isto que é alta política?
É para isto que é preciso um Ministro: Para se preocupar com quem tem Bolsa de Doutoramento?
(e é bem recordar que o actual, aquando da sua prévia passagem pelo cargo, se preocupou a sério, pelo menos num caso, com este magno assunto: A lista que veio homologada era diferente da que foi para homologação...).
Publicado por: Santiago às julho 27, 2005 04:37 PM
Sendo ex-aluno do ist serei certamente suspeito. Em todo o caso parece-me que a teoria da conspiração começa a falhar por uma razão muito simples: o Ramoa Ribeiro é do IST e a sua influencia la' dentro não é certamente pequena. Mas é sempre mais fácil falar apenas do mais evidente... A razão principal da sua troca nao sei, mas talvez o PV se queira alongar... ;)
Sobre a razão de não existirem mais engenheiros a nao serem do técnico, parece-me que não faz sentido. Primeiro parte do principio que eles estão la' por serem engenheiros - o que me parece errado - e segundo passa ao lado do critério com que normalmente as pessoas escolhem pessoas para cargos de "confiança": Conhecê-las muito bem (na prática saber com o que contam) e confiança pessoal nelas. Se uma pessoa passou parte da sua vida numa instituição é natural que as pessoas que conhece melhor de "guerras" passadas sejam as suas primeiras escolhas.
Sobre a questão eterna de estarem muitos engenheiros em cargos de gestão, eu respondo-a de forma enigmática com uma expressão anglo-saxonica que gosto muito: "talk the talk, walk the walk".
um abraço
ba
Publicado por: bruno afonso às julho 27, 2005 04:40 PM
continuo sem perceber essa historia de cargos de confiança... não é suposto os cargos serem ocupados por pessoas competentes em vez de pessoas que fazem tudo o que o ministro quer? será que competencia é afirmar que sim com a cabeça a tudo o que o seu chefe diz...
Publicado por: m às julho 27, 2005 04:46 PM
conhecer muito bem = adequado para cargo público, porque não levar a mulher, ou a mãe, ou o pai.
Que eu saiba há mais engenheiros formados neste país para além do IST, a FEUP é tão velha como o IST e que eu saiba também faz engenheiros e bons, para já não falar das mais recentes....
A questão não está entre Ramoa Ribeiro, Joao Sentieiro. O que está em discussão é o modelo da escolha e a adequação da competência técnica ao cargo para que se é nomeado. O Ramoa Ribeiro também foi nomeado porque e do PSD...o que angustia e a alternancia dentro de grupos do IST sem que se perceba bem as diferenças entre eles...sem um projecto para o País ...como os chineses acabaram de fazer...fazer politica de ciencia e tecnologia e mais que esta alternancia entre amigos e colegas do IST
Publicado por: freedom2 às julho 27, 2005 04:52 PM
A ciência não tem nada que ver com a política e sempre que estiveram demasiado associadas os resultados e as consequências históricas foram cataclísmicas como bem sabem. E julgo por isso que não existe objectivamente necessidade de algo mais do que a solidariedade institucional e a confiança política na relação entre o Presidente da FCT e o Ministro.
Esta regra aplicar-se-ia a muitos outros ministérios e áreas de actividade, claro está. Mas o país tem uma lógica burguesa de defesa intransigente dos que conseguiram alcançar um determinado estatuto o que explica porque historicamente se encontram hegemonias institucionais (como a do IST que citava há pouco) e que, como diz o freedom2 nada tem que ver com a qualidade e a competência. A arte está mo que chega primeiro e lança a corda...
Porquê? Porque objectivamente todos nós não temos mais do que um Blog como meio de fazer chegar o nosso protesto e o nosso descontentamento e sobretudo de conseguir alterar essa política. Se os doutorados ou mestres e investigadores em geral portugueses fizessem uma marcha silenciosa ou uma greve como em França, nem sequer tenho a certeza que seria comentado nos telejornais das 20 horas. Sempre fomos dominados por uma classe política mais ou menos versada nas letras em que o preconceito para com as ciências levou a que 2/3 dos jovens reprovassem num exame nacional de matemática. Agora, descobriram a Inovação e o Desenvolvimento em jeito de sigla I&D, que soa a falta de ideias para dizer algo mais, porque os economistas tocaram nessa tecla para aumentarmos as exportações. E os partidos políticos, estes não apresentam uma única ideia clara e coerente sobre investimento em ciência. A inovação limita-se ao discurso à volta do TGV e da OTA!
Mas eu lanço daqui um repto aos comentadores do Conta com responsabilidades em C&T: Como é que apresentariam um orçamento para a FCT? Como é que dividiriam o bolo pelas diversas áreas? Pode ser que saia daqui alguma proposta, porque acreditem, Eles não têm a mais pálida ideia. Agora dá-se dinheiro às empresas para aceitar doutorados e mestres como se o dinheiro não fosse melhor empregue a formar novos; não existe um investimento sério na biologia marinha e na geologia (apesar dos esforços da nossa Armada), não se dá continuidade industrial às medalhas de ouro que inventores portugueses arrecadam lá fora, não sei se teremos massa crítica nacional em qualquer área da biologia e da saúde,...
Publicado por: RPA às julho 27, 2005 05:42 PM
Nao vou tecer comentarios ao meu proprio texto, nem responder aos comentarios ja feitos. Queria so dizer que fico muito contente de ter tido tanta resposta a minha provocacaozinha. Respondo com o meu proprio ditado ingles:
"There's no such thing as bad publicity"
Publicado por: Maya às julho 27, 2005 06:47 PM
Eu não sei se as pessoas lêem bem o que os outros escrevem antes de comentarem ou não...
É óbvio que no esquema actual da fct ser politizada - nota que eu não sou a favor do actual sistema - faz todo o sentido que exista confiança entre as pessoas. E assim também se passa *em todo o lado* onde existe hierarquias. Ou as pessoas que andam aqui a perguntar este tipo de coisas nunca trabalharam numa empresa/hierarquia ou então concerteza vivem num mundo diferente do meu. Por mais competente que seja uma pessoa, se não se dá bem com o "chefe", sai (ou melhor, um dos dois sai). É tão simples quanto isso. Uma equipa ou funciona bem ou não faz sentido ser uma equipa.
Outra coisa que parece ser transcendente a alguns dos comentadores (que até podiam fugir ao confortável anonimato) é a diferença entre competência e ideias/orientações. São coisas ortogonais e espero que procurem perceber o que estou a dizer com isto.
Concordo com o RPA em que a ciência não deve estar ligada de forma íntima 'a política como está hoje em dia. Sobre hegemonias, se calhar fazem sentido que existam pois há faculdades que se mexeram mais e foram pioneiras, e outras que nem tanto. Se a hegemonia é usada de forma positiva para o país, isso é outra conversa.
Questiono-me se uma pessoa da feup ou aveiro fosse para ministro e nomeasse pessoas da mesma faculdade se seria um alvo tão doce como é o do ist.
O problema não é o ist nem as nomeações, o problema é a promiscuidade que existe entre a política "mainstream" e a política científica. Talvez fosse mais interessante meditar sobre este aspecto ao invés de ataques mesquinhos e pouco pensados. Votos de um pensamento prolifico a bem do país.
ba
Publicado por: bruno afonso às julho 27, 2005 08:41 PM
De acordo, o problema está mesmo é que não existem ideias diferentes, mas sim formas diferentes de tornar visível o que se faz, mesmo que seja para a construção da imagem para o público.
Em Portugal nada tem mudado de há muitos, muitos anos, temos sim acumulado e crescido com base na injecção de recursos,não há saltos por muito que nos queiram fazer crer.
O que parece é que sim, mas isso é a bruma dos dias, é o que os jornais dizem. Aquele é bom porque assim está considerado, não se vai ver o que mudou, e não se verifica e estuda se é verdade, ou se é apenas construção.
O que importa é que apesar da injecção maciça de fundos, não há saltos nos outputs em Portugal! Mais pessoas, melhor equipamento e mais instituições, mas isso é evolução, falta a visão para dar o salto.
Estou de acordo com o RPA não há visão porque não discutimos e não debatemos em Portugal o que queremos para o país, não basta assinar os abaixos-assinados promovidos pelos outros para a Europa, sobre o ERC...
Mas voltando ao tema da competência vs confiança, não conheço nenhuma organização respeitável em nehuma parte do mundo onde se escolham os amigos para cargos directivos, seja uma empresa, organismo de estado, ou universidade, só em Portugal. Diferença são as preferências do chefe, mas as escolhas são basicamente com base em CV que melhor se adapta à estratégia que se quer para o organismo.
As relações entre organizações e o fazer política é NACIONAL e envolve todos. Não só o ministro, o seu partido, os seus assessores e amigos qualquer que seja a area deste...
é por isso que estamos a empobrecer, empobrecer digo bem, o que acontece pela primeira vez em Portugal desde os fins dos anos 50 do século passado....e isso vai afectar o $ para a ciência também!!!!
Publicado por: freedom2 às julho 28, 2005 08:20 AM
Quando escrevi o meu comment acima, onde digo que concordo com RPA referia-me ao seu primeiro comment e não ao segundo que entretanto apareceu antes do meu.
Lendo todos os comments acima o que sobressai é desconfiança e desconhecimento em relação ao funcionamento das instituições ligadas à ciência em Portugal. Estamos muito mal quando isto é o que os investigadores pensam e sentem sobre quem gere os seus fundos. Dão-se conta de que estes comentários poderiam servir para qualquer coisa construtiva?
Quando à mudança de caras nas instituições vou reiterar o que disse acima com o seguinte: Uma das pessoas agora substituidas durante o governo PSD esteve numa universidade pública a discursar. Nesse discurso escutado por grande parte do corpo docente e investigadores fez comentários à gestão anterior de Mariano Gago com acusações graves. Uns meses mais tarde de visita a uma instituição de investigação tornou a fazer afirmações do mesmo género. Se esta era de facto a situação porque é que não se ordenou uma investigação à gestão de Mariano Gago? Esta mesma pessoa continuou no cargo após Mariano Gago ter tomado posse no governo que temos actualmente. Não teria sido Ético da sua parte demitir-se imediatamente? Afinal ficou a ser chefiado por uma pessoa que antes tinha acusado de gestão danosa? Por estas e por outras não me admira que quando muda o governo mudem os gestores de topo. Acho mesmo natural!
Ao Freedom: EEUU? Não serás espanhol? Como deves saber na UE a gestão da ciência é muito semelhante em quase todos os países. Os novos 10 tem alguns modelos diferentes que estão em mutação.
Quanto ao sistema francês não concordo nada contigo . Se o conheces bem sabes que é preciso ser "normalien" para ter acesso a certas posições - políticas e científicas. O sistema francês é extremamente elitista e começa a separar as pessoas logo no liceu. há liceus que não dão acesso à école normale. No CNRS não entra quem quer!
Olha, comparemos o caso de L.T. Magalhães com o caso de Ramoa Ribeiro. Ambos pertencem à mesma instituição: O IST. Mas enquanto Luis Magalhães lá deu aulas sempre que não estava a exercer cargos publicos e continuou a fazer investigação, Ramoa Ribeiro não é visto no IST desde os anos 80. No mesmo departamento de Ramoa Ribeiro, o de Química, existe outro Sr. que não é lá visto desde a mesma década por desempenhar vários cargos públicos. Não sei se estas pessoas beneficiam de uma licença sem vencimento ou se escabrosamente continuam a receber o ordenado de docente. Mas sei que se não têm intenção de voltar a leccionar e ser investigadores deviam deixar o lugar vago para os n bolseiros cheios de vontade de fazer ciência que temos!
Quanto ao sistema Norte-Americano, é fortemente politizado e assistimos actualmente a coisas muito graves: Purgas de docentes, Não financiamento de áreas cientificas que não interessam ao governo ( global climate changes), negação do Darwinismo apoiada pelo governo e até um individuo pago pelo governo que alterava relatórios cientificos sobre aquecimento global. O sistema norte-americano tem coisas muito boas mas a sua pretensa independência é tão falsa como a do sistema judicial norte-americano.
Lembro-me rapidamente de pessoas vindas de sitios que não o IST e que estiveram em cargos deste tipo. Deixando de fora os que vêm de letras, direito e ciências sociais e que continuam a ser a maioria nos governos temos: Um ministro da UAveiro que caiu por causa de uma anedota, A Teresa Lago da UP em vários cargos, Um Sr. da FEUP que esteve nas àguas de Portugal há pouco tempo e está numa EM, Pedro Lince vinha do ISA, uma série de individuos do ISCTE nas finanças, na economia e no Banco de PT, Um Sr. da UÈvora e Socrates andou em Coimbra e na Univ. Independente em Lx onde tirou eng. Civil ( Não é do IST!).
Publicado por: A.R.Ray às julho 28, 2005 10:38 AM
A R Ray:
O freedom2 é bem português (e sabe bem do que fala, podes crer). Talvez o maior encanto do anonimato nestas coisas seja notar a desconfiança que se vê pelas opiniões de quem não conhecemos...
Não é preciso ser 'normalien' para entrar no CNRS (refiro-me ao quadro de investigadores). Conheço muitos por lá que nem sabem o que é a Normale Sup. Discordo profundamente da afirmação que o sistema francês é elitista. Há muita coisa errada por aqui, mas essa não é uma delas...
Quanto ao Ramôa e ao Gago: Estou de acordo que o Ramôa devia ter tomado outra atitude, mas estes dois são já assim a modos que Grumpy Old Men, por isso se calhar é melhor a gente não proferir julgamentos sobre essa relação....
Agora só a respeito do Gago: Mais vergonhosa que esta dança de cadeiras é o facto de voltarmos a ter como Ministro o mesmo indivíduo que quase acabou com a Investigação em Portugal.
É obvio para qualquer leitor de jornais que a imprensa protege escandalosamente o Snr Ministro. São esses os colos de que ele gosta, como dizia o outro a respeito daquel'outro...
Publicado por: P Vieira às julho 28, 2005 12:17 PM
Só mais uma questão que convém esclarecer e que vem a ser debatida aqui partindo do pressuposto que é verdadeira a notícia do DE. Ramoa Ribeiro ainda é o Presidente da FCT, Joao Sentieiro é assessor do Ministro, indicado pelo DE para a FCT, mas não foi indigitado publicamente nem tomou ainda posse do cargo.
A verdade tem de ser reposta, mesmo que não invalide a questão de fundo em debate, a autonomia das organizações da Administração Pública em termos da implementação da política definida pelo Governo e a adequação do CV dos detentores de cargos públicos para as funções a desempenhar.
Publicado por: freedom2 às julho 28, 2005 03:34 PM
Mas voltando ao tema da competência vs confiança, não conheço nenhuma organização respeitável em nehuma parte do mundo onde se escolham os amigos para cargos directivos, seja uma empresa, organismo de estado, ou universidade, só em Portugal. Diferença são as preferências do chefe, mas as escolhas são basicamente com base em CV que melhor se adapta à estratégia que se quer para o organismo.
Quando é conveniente confundir confiança com amizade, é escusado argumentar. Nao ha' paciencia para aturar malabarismos de prosa.
BA
Publicado por: bruno afonso às julho 28, 2005 05:48 PM
Eh pa, ó Bruno, não te zangues pá:
A crítica era a estes tão lusitanos hábitos de os Ministros só terem "confiança" nos "amigos"...
E ainda bem que não houve tempo para falar da Maçonaria e etc, senão nem sei o que diria de nós o Tulius...
(desde que voltaram os comentários o pessoal tem-lhes dado uso, hein?)
Publicado por: P Vieira às julho 28, 2005 06:06 PM
o argumento foi feito com base na amizade e na confiança para a escolha eu considero que não são válidos para a selecção de dirigentes, ressalvo se confiança é confiança na qualidade não tanto a confiança política porque não sou sensível.
Prefiro a escolha pela competência.
Por exemplo o actual director-geral dos impostos parecer ser competente para o cargo e reconhecido por todos, não sei qual é o partido político dele ou se costuma ir almoçar com o ministro, faço-me entender meu caro Bruno Afonso isso não me importa.
Tenos vindo a destruir organizações por causa dessas escolhas por amizades ou confianças políticas e temos muitos maus exemplos em toda a Administração. Eu defendo uma administração como a inglesa ou a francesa, embora diferentes as duas são imunes a este estado de coisas
Garanto torna a vida mais simples a todos!
Publicado por: freedom2 às julho 28, 2005 07:33 PM
Caro Vieira,
Se calhar expliquei-me mal: "Não é preciso ser 'normalien' para entrar no CNRS". De facto não está escrito em lado nenhum que é necessário. Mas se contares os que são normaliens e os que não são, verás que ser do CNRS e não ser normalien é mais ou menos como ser ordenado padre ser ter passado pelo seminário. O mesmo se passa com os membros do governo francês, deste e dos anteriores.
Pessoalmente considero Gago um dos melhores ministros da ciência que Portugal já teve. Foi durante o periodo em que lá esteve que se tomaram medidas muito importantes. Eis algumas:
- Criação de novos laboratórios associados e alteração do estatuto de lab. assoc., incluindo o IBMC onde estão uma parte dos bloguistas do Conta, senão todos. Os lab assoc que existiam eram coisas vetustas e moribundas com quadros de pessoal que não eram renovados há muito. Com a criação dos LA's criaram-se quase 500 empregos directos de pessoas qualificadas.
- Avaliação de projectos por parte de um painel internacional. Permitiu que a avaliação de projectos fosse feita de forma rigorosa, transparente e isenta. Quando para lá foi Graça Carvalho, os concursos atrasaram logo e a isenção parece ter desaparecido a julgar pelas queixas que ouvi a dezenas de investigadores de várias áreas. Ouvi mesmo queixas de que a avaliação em certos casos teria sido feita por pessoas que mostravam não conhecer a área cientifica. Uma dor de cabeça...
- Mais transparência na gestão de fundos e de pessoal na ciência. Incluindo a criação de páginas web, bases de dados e ferramentas informaticas relacionadas com projectos, concursos e oportunidades de emprego. Quando Gago saiu todo o site ficou sem manutenção durante algum tempo, o que significa que a divulgação e informação deixou de chegar de forma equalitária a todos.
- o OCT mostrou pela primeira vez servir para algo. Saíram estatisticas uteis para percebermos onde anda a ciencia portuguesa.
- Apostou em áreas onde temos (muitos) investigadores jovens muito bons que podem competir internacionalmente: as "life sciences", as "IT" e electrónicas conexas, a biotecnologia e a química fina. São igualmente áreas donde podem sair facilmente spin offs.( a razões porque não sairam é outro assunto).
Mal ou bem Gago tinha uma concepção de ciência e implementou-a, os que vieram a seguir iam sem rumo limitando-se a andar a reboque da EU. há coisas na sua gestão que me levantam dúvidas, uma delas é se o LIP tinha massa critica para ser elevado a Lab. Assoc., mas não tenho dados suficientes para avaliar isso. ..
Por isso não percebo quando dizes que " voltarmos a ter como Ministro o mesmo indivíduo que quase acabou com a Investigação em Portugal." Podias explicar as tuas razões?
Em relação ao Sentieiro: Há muito que se percebia que ele se posicionava para obter um cargo politico. Mas a verdade é que ele mostrou interesse, debateu e foi interventivo em todas as questões actuais da ciência em Portugal enquanto outras personalidades estiveram ausentes. Não o conheço pessoalmente nem sei se vai ser bom ou mau, mas tenho pelo menos a certeza que sabe quais os problemas que existem. Sei que vai querer mexer/influenciar mexidas no estatuto da carreira docente mas não sei se haverá coragem politica para fazerem isso.
A ti e aos outros deixo-vos um recado: Os vossos interesses e as vossas ideias podem ser ouvidos por quem está do outro lado bastando para tal que se façam ouvir na ABIC, para já a única associação que agrega bolseiros. E o facto de estares "exilado" não é razão para não o fazeres.
Só lerei a tua resposta em Setembro. Boas férias a todos!
Publicado por: A.R.Ray às julho 29, 2005 10:16 AM
Paulo, eu tb acho mal que apenas ter confiança nos amigos é mau, como é óbvio. Ja' me distanciei algo do comentário inicial pois comentar apenas o que se faz n se vai a lado nenhum. Alem de ser "mais do mesmo". Quero e' ler ideias para se alterarem as coisas... as criticas que li nestes comentários ja' li ad nauseum noutros lados. E ainda continua tudo na mesma...
freedom, eu sou baratinho e dispenso esse tipo de tratamentos cordiais. O facto de se ser da opinião que apenas a competência importa assusta-me. Na realidade, assola-me o pensamento uma banda de 3 charlie parkers, 3 coltranes, 5 miles, 3 Elvin jones, 4 charlies mingus, etc...
Por mais competente que sejam as pessoas, o que aqui está em causa são as suas ideias do que é preciso, necessário e prioritário. Por exemplo, pegas em 50 economistas e perguntas-lhe como resolver economicamente uma serie de problemas. Vais ter perto de 50 respostas. Isto surge porque economia não é propriamente engenharia ou uma ciência exacta per se - o mesmo se passa com gestao. Se a ciência tivesse uma gestao relativamente autonoma do poder politico vigente, seria o primeiro a concordar que a competencia e' de facto o que mais interessa, embora, embora no entanto nao me pareca que seja o santo graal da escolha de pessoas - e eu aqui dou apenas a minha humilde opiniao pois ja' tive que escolher varias pessoas para se juntarem a uma equipa de trabalho. Digamos que ja' tive o meu fair share de pessoas competentes que depois causam mais problemas que explanar o seu potencial...
Sobre as gestões de outros países o que vale é que são sempre melhores que as nacionais... Mas isso e' algo intrinsecamente portugues.
ba
Publicado por: bruno afonso às julho 29, 2005 12:19 PM
Bruno:
Só fiz aquele comentário porque parecia que estavas zangado.
Fazes um bom ponto: Isto de levar com o paternalismo de alguns comentadores incomoda um bocado. Felizmente para mim, sendo suficientemente velho para o perceber, ainda sou suficientemente novo para achar a experiência agradável...
Ray:
Tenho de responder já porque quem vai de férias em Setembro sou eu...
O meu problema não é, obviamente, que haja quem enalteça a acção do Gago enquanto Ministro (coisa em que, aliás, estás acompanhado(a) pela esmagadora maioria do(a)s cientistas luso(a)s. O meu problema é esta impressão que me fica que isso só acontece porque os Snrs Jornalistas são tão simpáticos com o Ministro...
Quando ele foi Ministro não houve, na realidade, Política Cientifica... o que houve foi a distribuição (equitativa) de meia-dúzia de amendoins (que por sinal nem eram nossos) por toda esta Comunidade Científica (que muito agradeceu).
Quando se foi embora deixou a torneira dos fundos fechada, e ainda teve o desplante de criticar os seus sucessores porque eles não distribuiram amendoins (estou a misturar as metáforas, eu sei...peço desculpa).
O Sentieiro, a propos, deu uma grande ajuda nessas críticas do ex-Ministro...
A grande política científica que vimos nos anos 1995-2002 foi nas relações com a imprensa... como disse uma vez o autor do texto seguinte (que o Santiago me vai fazer o favor de colocar aqui no Conta), ele foi apenas um belíssimo Ministro da Divulgação Científica.
Publicado por: P Vieira às julho 29, 2005 01:10 PM
Depois de ler (com a atenção de uma coruja...) esta interessantíssima conversa achei que valia a pena recordar estes excertos de um comentário muito soft que foi publicado em Abril de 2002, coincidindo com a posse do Governo de Durão Barroso, em jeito de balanço à acção de Mariano Gago como Ministro da Ciência durante o Governo de Guterres...
Quem adivinhar o autor deste texto recebe a versão integral e ainda, com os meus cumprimentos, um exemplar (usado e não autografado) de um opúsculo intitulado 'Manifesto para a Ciência em Portugal', da autoria de José Mariano Gago, publicado em 1990 pela Gradiva...
(os realces são meus)
O ENSINO SUPERIOR E A CIÊNCIA
Saldou-se por um sumário desaparecimento político a experiência de colocação da ciência como sector vertical (como ministério) do executivo. Saudada por alguns como uma autêntica «revolução na ciência» (manchete de um dos jornais diários de grande circulação na altura) no entanto, será que este arranjo governativo terá conduzido a uma alteração radical na percepção dos portugueses quanto à necessidade e ao valor da ciência?
(...)
Do ponto de vista político muito pouco mais se viu para além do interesse na relação da ciência com o ensino, conforme algumas vozes, raras, cedo alertaram. Apesar do apoio e dos recursos comunitários, a verticalização governativa da ciência não favoreceu que os outros sectores se empenhassem na sua promoção e desempenho.
De facto, qual o conhecimento que temos quanto ao nível de participação da ciência portuguesa na agricultura? ou nas pescas? nos transportes? na indústria? nos serviços? nas obras públicas? nas telecomunicações? no ambiente? na habitação? na cooperação internacional?
Apenas na área do ensino superior temos indicadores sólidos e claros dos progressos havidos nos últimos anos.
Por este motivo não nos devemos admirar com o facto de a ciência aparecer associada ao ensino superior no governo que acaba de ser empossado. O ensino superior é o único sector de actividade em Portugal que, no seu todo, entende e precisa do contributo da actividade científica.
(...)
Ombreando e escondendo a acção positiva de divulgação científica e de apoio ao ensino experimental do Ciência Viva e do seu Pavilhão do Conhecimento avulta a inoperância dos orgãos consultivos para a ciência, em particular a do CSCT (o Conselho Superior de Ciência e Tecnologia). Nos últimos seis anos, nunca o CSCT reuniu, nem emitiu qualquer parecer. Nem sequer foi nomeado um presidente.
É evidente que esta situação não aconteceu por acaso. Nem por distracção dos responsáveis a nível governamental. O Conselho não reuniu porque houve vontade política de que não reunisse. Quis-se que não houvesse outros pareceres nem opiniões para além dos emitidos pelos orgãos oficiais da administração.
(...)
Publicado por: Santiago às julho 29, 2005 01:23 PM
a Teresa Lago? cóf... cóf... cóf... pelos vistos os lobbies PS estão a trabalhar bem. Lá vai haver mais um buraco e muita trapalhada à mistura...
quanto à FCT se sai o Ramôa quer dizer que o lobbie dos engenheiros químicos do técnico vai ser substituído pelos de laboratório?
Publicado por: zazie às julho 29, 2005 03:16 PM
quanto ao lobbie dos engenheiros do Técnico para quem tem dúvidas ou possa confundir com mais alguma teoria da conspiração, aconselho a fazer uma listagem dos ministros da educação desde o 25 de Abril até ao presente. E reparem bem de onde eram e de quem se rodearam...
Estamos apenas a falar dos últimos 30 anos em Portugal meus caros. Só isso.
Publicado por: zazie às julho 29, 2005 03:21 PM
Paulo:
O paternalismo nem me incomoda. o que me incomoda e' ver pessoas a perder tanto tempo com este playback cassetiano. É mais do mesmo, é falta de seriedades em análises, é comodismo na facilidade do ataque ao que ja' se sabe. Ou seja, é tudo menos o que interessa: Estudar a fundo os problemas e pensar onde é preciso mudar e *fazer por isso*. Fazer por isso e' bem mais low-profile e mais trabalhoso que fazer parte de um coro... la' isso e' verdade. O minmo que sera' de esperar e' que de toda esta critica surjam emails entre os participantes para se mexerem neste sentido. A minha experiencia diz que nao mas a minha inbox esta' aberta a quem quiser provar o contrário.
zazie:
Venha a lista. Pede também para fazerem a listagem das pessoas que mais bolsas internacionais conseguiram ganhar, mais empresas formaram, mais papers publicaram, o maior numero de nomeações/premios internacionais obtiveram, mais patentes têm, o maior numero de institutos de investigacao iniciaram, etc. Se é para fazer listagens, ao menos que sejam bem feitas (tanto elogio aos outros paises e agora nao os querem imitar...). Só aí se poderá começar a concluir algo. Desde ja' digo que não justificará tudo, mas contribuirá.
Ao menos fico feliz por pessoas noutras faculdades não terem esta atitude derrotista e mesquinha em relação ao ist. Mal estávamos nós (país)... E ainda bem para o ist, que finalmente começa a ter competicao saudavel de aveiro, porto, coimbra, etc.
O que é grave é que estes comentários em tom de bujarda acabam por ser tomados por muita gente
como verdades absolutas. Eu aceito que o ist seja algo de muito mau, mas ao menos demonstrem-no. Se não é para o fazer, mais vale nao dizer nada.
abraços e votos de banhos de praia caso seja o caso :-)
ba
Publicado por: bruno afonso às julho 29, 2005 05:27 PM
bom
pela minha parte desisto do suposto debate. Será que as pessoas não conseguem ler?
quem é que falou nos investigadores? quem é que pôs em causa uma coisa tão básica como o aproveitamente que os investigadores têm feito das bolsas da FCT?
o post referia uma coisa simnples: a dança dos lugares. E falou em pessoas. E depois foram referidos os lobbies e eu limitei-me a dizer o que toda a gente (não comprometida com qualquer partido nem obrigada a bajular ninguém) diz: funcioan o lobbie dos engenheiros químicos do Técnico.
Acrescentei que funciona aí como funciona de há 30 anos a esta parte. Basta consultar o portal da Aseembleia e ler os nomes e de onde vieram a maior parte dos ministros da educação.
Como é óbvio não vou agora apresentar o que Google é capaz de fazer.
Se o Bruno tem problemas com isso ou com as pesquisas na net o problema é seu. Se está interessado em desviar a questão idem.
A última coisa que alguém de boa fé poderia por em causa era precisamente as bolsas da FCT. Até digo mais, se mais não houvesse bastava isso para a UE ter valido a pena.
Agora salamaleques passo.
Publicado por: zazie às julho 29, 2005 11:48 PM
e outra coisa: o Técnico é a melhor faculdade que por cá temos.
O Bruno é que pelos vistos não é capaz de separar as águas. Ser-se estudante do Técnico ou bolseiro nada tem a ver com as politiquices ou lobbies que por lá sempre andaram. Repito:de há 30 anos a esta parte. Consulte o site do Assembleia porque isto são factos.
Mas é pena que se misturem de facto coisas que nunca deveriam ser misuradas. Porque qualquer investidador sério não deve nada a ninguém e não é obrigado a mais nada que o seu trabalho.
Publicado por: zazie às julho 29, 2005 11:52 PM
e ainda digo mais: com lobbie ou sem ele mil vezes o Ramôa Ribeiro que o Gago. Se houve bandalheira a sério e dinheiro atirado ao ar e não só foi no tempo do Gago.
Publicado por: zazie às julho 29, 2005 11:54 PM
zazie:
Irei procurar fazer a estatistica, quando tiver tempo. No entanto, se toda a gente sabe, nao existe um texto minimamente coeso e actual que descreva essa hegemonia (que nunca a neguei) que eu possa ler?
Se um texto desses não existe, não quererás fazê-lo? (talvez fosse mesmo interessante para artigo no conta) Pessoalmente, para levar alguém a sério, certamente não tenho que andar a fazer o trabalho de casa de algo que me querem convencer. Por outro lado, continuar a escrever "o que toda a gente diz" so' vai convencer os menos cientificos e descredibilizante. Mas isso sou eu, claro. :-)
O meu problema com a tua forma de escrever e' que a considero pouco seria na medida em que dizes coisas insinuando outras. Além de ataques pessoais gratuitos sem fundamento. (pelo menos que possamos ler entenda-se)
E ja' agora, para n pensarem que estou numa cruzada qualquer, digo ja' que o ist foi um sitio por onde passei e conheco muito bem o bom e o mau. (fui mais de um mero estudante nos meus anos la') Nao tenho razao nenhum em defender o ist por defender uma vez que simplesmente nao preciso do ist para nada. Alias, quem me conhece sabe certamente que sou das pessoas q mais critica o ist por todos os seus problemas internos. tambem nao sofro do sindroma do ist ser a melhor univ do pais, pois nao e' essa a minha opiniao.
ba
Publicado por: bruno afonso às julho 30, 2005 12:29 AM
a minha forma é pouco séria?
insinuo?
olha, nem lhe devia responder.
ponto final.
Para este peditório já dei.
E sim, sei muito bem quem é a Teresa Lago e não falei de cor acerca das suas trafulhices. Algumas delas até deviam dar direito a cadeia.
As chantagens na atribuição de bolsas a quem se atrevesse a preteri-la por um colega rival são históricas. E fazia luxo nisso.
Se nem a lista dos ministtros do 25 de Abril a esta parte sabe, não sabe nada.
E pouco sério é colocar em dúvida factos.
A questão já foi levantada por tanta gente que me parece que o Bruno deve ser um excelente investigador mas devia deixar a política para outros.
Parece que a única coisa que o motiva é uma espécie de corporativismo provinciano.
Por mim acabou. Não gosto de debates inquinados pela má fé.
Não sou política mas tenho uma particular embirração a quem hipoteca o pensamento a bandeiras.
Publicado por: zazie às julho 30, 2005 01:02 PM
Ao final de n posts, disseste algo que substancia as tuas opinioes: já e' um começo. Nota que eu nao defendi/acusei ninguém... por isso o teu discurso das bandeiras está com um alvo errado. estive todo este tempo é curioso para saber se alguem iria substanciar inimizades... É que primeiro quando se entra pelo caminho de "toda a gente sabe" na prática estás a reduzir a eficácia do teu discurso aos teus amigos de profissão/área. E isso como já afirmei, parece-me ser a pior maneira de mudar algo num país. Falar para fora e' a unica forma de ganhar momentum para gerar mudanças.
O que eu defendo e' que opinar sobre pessoas e atitudes sejam feito de forma diferente da tua. talvez por isso afirmes que eu devia deixar a politica para outros... temos obviamente formas diferentes de discutir estas coisas. ainda bem que nem todos gostamos de azul. :-)
Um abraço para essa "tanta gente". ah, o corporativismo provinciano tb nao me atinge pois escolhi sair do corporativismo sem rede qdo acabei o curso, nem que fosse para a antártica apanhar peixes, com rede.
So' espero que um dia possamos discutir estas coisas num almoço informal, estou certo que teria sido mais produtivo.
cumps
ba
Publicado por: bruno afonso às julho 30, 2005 02:13 PM
A ver se consigo por alguma água nesta fervura...
History will be kind to me for I intend to write it.
Winston Churchill
Fazem falta alguns conhecimentos de História. Tanto da História das Instituições (History), como das histórias do percurso dos seus principais protagonistas (stories).
Há um ou dois pontos importantes a reter que se calhar estão na base de toda esta conversa (e desconversa):
1) A Ciência em Portugal não começou em 1995 (nem sequer em 1986, já agora...).
2) Os protagonistas de hoje são os mesmos de 1995 e de 1986. Aliás, todos eles já cá andavam antes de 1974...
Dizer que conhecer as 'stories' associadas à 'History' nos ajuda a compreender o que se passa no presente, não é insinuar nada e não é atacar ninguém. É simplesmente constatar uma evidência...
Como dizia alguém ali para cima: 'Em Portugal nada tem mudado de há muitos, muitos anos, temos sim acumulado e crescido com base na injecção de recursos,não há saltos por muito que nos queiram fazer crer'.
O maior drama da Ciência Portuguesa é este: O ultimo salto qualitativo que deu foi há quase 40 anos, quando tudo começou. Desde então...
Publicado por: Santiago às julho 30, 2005 02:14 PM
Muito bem Santiago, é uma excelente síntese de parte do que aqui se tem discutido. Eu por exemplo apesar de conhecer muitas, muitas stories...nunca aqui as comentei pois acho que todos temos as nossas stories, embora uns piores que outros. O que me interessa é a History e essa constroi-se no dia a dia e com análises cuidadas que permitam estratégias de desenvolvimento. Muitos factos que aqui foram comentados não são verdadeiros, mas quase que parecem por muito repetidos.
A History julgar-nos-á a todos e fará justiça, o que interessa é que temos de mudar o modo de discutir e de fazer política de ciência, como nas outras áreas das políticas públicas...acho que o JPP no seu artigo do Publico refere-se aos reinos que se criaram na nossa democracia, eu que sou republicana quero mesmo é que todos possamos definir e escolher as estratégias de mudança, não quero nem gosto de reis, deuses e outros iluminados a decidir por mim.
Para que isso possa ser feito tem de haver pessoas competentes na causa pública não alinhados para gerir o debate e construir sobre ele, para que então o governo decida.
Não estão fartos de discutir se o sr X é o melhor ou o pior relativamente ao Y...como dizia antes, e o Santiago referiu, isto é um processo que quase parece geológico...camada sobre camada o Sr X trabalha sobre o que o Sr Z construiu ou elaborou antes, não interessa o partido, ou se é da família porque a causa pública não é divisivel, nem os dossiers nem a Administração ou a Universidade...so...ou o $ de Bruxelas
Mas já agora Bruno, existe uma cultura IST e essa tem sido de facto dominante, mais até na educação que na ciência. Mas quem mudou em 70 o ensino foi alguém que começou na U Coimbra e se doutorou em Cambridge....e na ciência vamos ver..
quem mudou efectivamente a história está por fazer, mas é muito bottom-up pouco dirigida...so...muito feita de redes embora não pareça e pouco tem a ver com quem está no top
Publicado por: freedom2 às julho 30, 2005 05:57 PM
pois o Santiago acaba de colocar as questões na forma mais correcta. De facto a maior verdade que diz é que este problema em torna da Ciência (tal como em torno de mil e uma outras questões em Portugal) não é conjuntural- é estrutural. Os exemplos valem o que valem. Há exemplos há centenas e apenas podem passar por "ajustes de contas" a quem perfere dar-lhes cobertura usar da boa fé. No único exemplo que citei dizer-se que é ajuste de contas é caso para chorar a rir. Mas é um (podia ter dado muitos mais pois até existem denúncias feitas na associação de bolseiros) que é absolutamente verdadeiro. Mas também conheço outros que ainda hoje calam porque podem ser obrigados a regressar...
Simplesmente, como salientou o Santiago, isto é assim há muito e muito tempo... faz parte da noss história. Não muda por decreto e muito menos por alternância de cadeiras.
Teoricamente há outra questão que é responsável por estes equívocos. A velha ideia que um académico tem de ser um bom político. E o que se espera de engenheiros químicos não é o resultado do seu saber específico. Como se espera de advogados ou de outros académicos. Espera-se que esse saber seja transformado em status para transitar por mimetismo para a causa pública. Ora esta ideia é que tem inquinado grande parte da nossa história. E ia jurar que há custa disso se têm perdido alguns bons teóricos e ganho péssimos políticos.
Publicado por: zazie às julho 30, 2005 11:55 PM
às centenas
Publicado por: zazie às julho 30, 2005 11:57 PM
Quando sugeri há uns dias que se apresentassem propostas para um esboço de Orçamento para a FCT, não foi com o intuito de uma simples provocação. Como a lógica do financiamento para a ciência tem sido a de dar dinheiro a quem pertence a um Laboratório do Estado ou a quem apresenta projecto (se não tem o privilégio de pertencer a um LE) e é aprovado por um júri, a dispersão de áreas é absoluta e a necessidade de massa crítica desesperadamente desejada por muitos. Este panorama poderia ser claramente alterado se fossem estabelecidos patamares de financiamento em cada área.
Afirmei que um eventual resumo das intervenções poderia ser de grande utilidade para quem governa, e continuo persuadido que o seria. Sentir-me-ia mais confortável se pelo menos a área das ciências da natureza não fosse completamente eclipsada pelos investimentos cegos na banda larga para financiar indirectamente as empresas de telecomunicações ou pelo financimento de áreas que serão da “simpatia” do detentor da pasta e/ ou da sua entourage.
Quando não há muito dinheiro disponivel torna-se imprescindível uma lista de prioridades. O problema é que nós não temos a nossa. Há prioridades para a política externa, para a agricultura e pescas, para a Defesa, mas ninguém sabe muito bem quais são as da área da Ciência.
Temos recebido aqui no Conta participações de anónimos muito esclarecidos e alegadamente com vasta experiência em gestão. Que tal concretiza-la um pouco mais?
Publicado por: RPA às agosto 1, 2005 04:45 PM
Eu trabalhei durantes varios anos na FCT, quando fui para lá ainda era o Prof. Ramôa Ribeiro o Presidente.
Tenho uma admiração profunda por o Prof. Luis Magalhães, tem uma capacidade de trabalho invejavel, é a pessoa mais inteligente que tive o prazer de conhecer e trabalhar, tenho pena que ele não volte para a FCT, mas acredito que a UMIC vai ficar em optimas mãos
Quanto ao Prof. João Sentieiro, falei com ele algumas vezes, está muito bem visto na Comunidade Ciêntífica e acredito que vai dar um rumo diferente à FCT. Boa Sorte Senhor Professor João Sentieiro.
Publicado por: Emília Luís às agosto 2, 2005 06:16 PM
Eu trabalhei durantes varios anos na FCT, quando fui para lá ainda era o Prof. Ramôa Ribeiro o Presidente.
Tenho uma admiração profunda por o Prof. Luis Magalhães, tem uma capacidade de trabalho invejavel, é a pessoa mais inteligente que tive o prazer de conhecer e trabalhar, tenho pena que ele não volte para a FCT, mas acredito que a UMIC vai ficar em optimas mãos
Quanto ao Prof. João Sentieiro, falei com ele algumas vezes, está muito bem visto na Comunidade Ciêntífica e acredito que vai dar um rumo diferente à FCT. Boa Sorte Senhor Professor João Sentieiro.
Publicado por: Emília Luís às agosto 2, 2005 06:17 PM
Para finalizar esta discussao nao ha como por uma cerejinha em cima do gelado. Tulius Detritus provavelmente faria corar de inveja o Miguel Sousa Tavares.
Publicado por: Deco às agosto 2, 2005 11:34 PM
Subscrevo a 200% o comentário do RPA. Adoraria ver mais clareza nos discursos (o tal falar para fora) e mais concretização. Se ela é-o impossível aqui, ao menos que apareça um link no sentido certo.
freedom: a cultura do ist existe claro. o que me chateia sempre ler e' a "forma" como se fala de instituicoes e pessoas, nada mais. Mais importante que o que se diz é a forma como se diz.
abraco
Publicado por: bruno afonso às agosto 4, 2005 05:40 PM
Não posso estar mais de acordo convosco relativamente à necessidade de determinar o nosso objectivo grande a longo prazo e depois definir o caminho para lá chegar. A definição do orçamento da FCT dependerá depois do que for definido. Até 2006 o OE da FCT, se não houver injecção de fundos nacionais, é gasto nos programas que foram definidos no POCTI agora chamado de POCI. O debate proposto por RPA poderá começar por aí, analisar este programa onde são concentrados os fundos nacionais e europeus. Que objectivos estão inscritos, que áreas de actuação são beneficiadas, que segmentos do sistema. Quando o site do POCI estava on-line tinha o relatório dos primeiros três anos com muito detalhe e assim como o relatório de avaliação intercalar feito pelo CISEP, alguém leu?
Essa análise servirá apenas para ver como temos vindo a gastar o $ e com que resultados (aqui faltam-nos os estudos sérios sobre o output, vejam por exemplo como os reitores tremeram com o estudo embora primário do Prof. Luis de Sousa Lobo).
Foruns de discussão temáticos são essenciais para coordenação estratégica, será que querem fazer algum teste?
Estou pronta a colaborar.
Publicado por: freedom2 às agosto 4, 2005 06:40 PM
Curiosamente o site do POCI deixou de estar on-line há pouco tempo...por que será? Avaria de servidor? demasiada informação? ausência de acordo sobre o POCI do novo governante?
Mas este é o programa aprovado por Bruxelas...será que vai ser objecto de renegociação a menos de um ano de acabar?
Se a instabilidade já está ao nível do ministro das finanças e da CGD....nada preocupante ao nível dos programas de ciencia.
Nunca sabemos é se algo deu certo ou errado pois nada chega a meio, com o domínio excessivo e depência excessiva do Governo e a fulanização do que não deveria ser fulanizado...afinal em 10 anos de fulanização, desde o II governo de Cavaco Silva e continuado desde então, já sabemos onde vamos parar: ao FUNDO.
Independência da FCT do poder político já!
Publicado por: freedom2 às agosto 4, 2005 06:48 PM
O choque tecnológico português-
Meus inventos? estão parados
Esperando conselho dos guias
É que os bolsos á muito vazios
Não vislumbram melhores dias
Rabiscos curvas e textos
Muitos desenhos a acompanhar
Um dinheirão para registos
Quatro longos anos a esperar
Tudo fala em inovação
Neste Portugal parado e pobre
Como não temos melhor sorte
Para sair da escravidão
Vão-nos entretendo com palavras
Que nem eles sabem o que são
Sendo o fado o nosso mal
Essa dita canção nacional
Qual lavagem mental
De pobres desgraçados
Acabem com a merda do fado
Se é esse o mal de Portugal
Ponham bandas e marchas
Pifaros gaitas e adufes
Malhem neles e nos abutres
Que põem o país na miséria
Mandem-nos a todos prá Sibéria
Ou mais longe para outras bandas
Salteadores da arca perdida
É o melhor nome por que os trato
Esses abutres com pelo de rato
Que se pavonei-am a toda a hora
Á custa de quem sofre e chora
Ao ver e sentir sua causa esquecida-
fernando nogueira gonçalves
Publicado por: fernando nogueira gonçalves às agosto 22, 2005 05:57 PM
O choque tecnológico português-
Meus inventos? estão parados
Esperando conselho dos guias
É que os bolsos á muito vazios
Não vislumbram melhores dias
Rabiscos curvas e textos
Muitos desenhos a acompanhar
Um dinheirão para registos
Quatro longos anos a esperar
Tudo fala em inovação
Neste Portugal parado e pobre
Como não temos melhor sorte
Para sair da escravidão
Vão-nos entretendo com palavras
Que nem eles sabem o que são
Sendo o fado o nosso mal
Essa dita canção nacional
Qual lavagem mental
De pobres desgraçados
Acabem com a merda do fado
Se é esse o mal de Portugal
Ponham bandas e marchas
Pifaros gaitas e adufes
Malhem neles e nos abutres
Que põem o país na miséria
Mandem-nos a todos prá Sibéria
Ou mais longe para outras bandas
Salteadores da arca perdida
É o melhor nome por que os trato
Esses abutres com pelo de rato
Que se pavonei-am a toda a hora
Á custa de quem sofre e chora
Ao ver e sentir sua causa esquecida
fernando nogueira gonçalves (inventor de rua)
Publicado por: fernando nogueira gonçalves às agosto 23, 2005 09:42 AM
O Luís Magalhães bom gestor? É uma excelente pessoa e um bom professor com quem tive o prazer de trabalhar. E sim, é muito inteligente, mas bom gestor?!?!? O último cargo em que exerceu boa gestão foi no Dep. de Matemática do IST. A partir daí foi sempre a descer... Falta-lhe qualquer coisa mais para poder exercer cargos de alto nível.
A sua nomeação para a UMIC não augura nada de bom (bem como de outros que foram nomeados com zero experiência de gestão, sem capacidade para tal, e que conheço muito bem). Fico à espera para ver o descalabro, embora ache que este é o objectivo desta nomeação: acabar com a UMIC e transformá-la em mais um gabinete de apoio do Ministro e do Secretário de Estado; há muito estudo para fazer e encomendar distribuindo pelos amigos.
Alface
PS A quem não se lembra, os fundos para ciência em PT estiveram congelados 2/3 anos devido à excelente gestão da FCT pelo Luís Magalhães. Sim, que isso de justificar e aplicar regras claras às decisões de gestão com dinheiros europeus é coisa reles e menor. Claro que isto não justifica por si a falta de política que se lhe seguiu, mas ajuda...
Publicado por: Alface às agosto 23, 2005 12:51 PM