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julho 27, 2005
Falemos de mamas (I)
Presença incontornável no mundo da biologia pop, a discussão sobre as pressões selectivas que tornearam os seios na mulher continua a despertar um entusiasmo de adolescente no mais sisudo dos académicos e a provocar algum enfado entre as feministas mais radicais. Qualquer destas razões, inclusive a primeira, é válida para revisitarmos o tema.
Quando comparadas com as de outros primatas, é forçoso reparar que as mamas na mulher são mais proeminentes e arredondadas. A observação não suscita grande discórdia. Sucede que para uns os seios resultaram de um processo de selecção sexual, enquanto outros preferem a selecção natural.
O conceito de selecção sexual foi formulado por Darwin num livro publicado em 1871 intitulado The Descent of Man and Selection in Relation to Sex. Na primeira parte do livro Darwin argumenta que mesmo as características mais especiais do homem, como a sua inteligência, podem ser explicadas de acordo com as leis da selecção natural, também por ele anteriormente descritas. Na segunda parte do livro Darwin introduz a noção de selecção sexual, que depende da "vantagem que certos indivíduos têm sobre outros da mesma espécie e sexo apenas e só em relação ao acasalamento [no original Darwin usa o termo "reproduction", mas "acasalamento" é mais fiel à ideia do livro]". Aqui Darwin distingue claramente a selecção sexual da selecção natural, sendo que esta é por ele relacionda com a luta pela sobrevivência e menos com a luta pela descendência. A noção mais moderna de fitness darwiniana - o imput do património genético de um indívíduo na geração seguinte- acaba por integrar os dois tipos de selecção; é preciso chegar à idade reprodutora (selecção natural em sentido estrito) e é depois preciso acasalar (selecção sexual).
As plumagens exuberantes que certas aves macho exibem durante rituais de acasalamento ou as imponentes armações que cervídeos usam em combates entre machos da mesma espécie são exemplos clássicos de produtos de selecção sexual. No caso das plumagens, em particular, é difícil imaginar um outro uso que não o de bater aos pontos os restantes machos na competição pelas fêmeas. O que leva a fêmea a escolher o macho mais exuberante é importante para esta discussão e também aqui há várias teorias. Segundo uns, descontando o ritual de acasalamento, a plumagem é na verdade um empecilho para o macho (no sentido em que pode atrair predadores, tornar o macho menos ágil, etc). Antropocaricaturando, a leitura que a fêmea faz será qualquer coisa como: "eu vou escolher este tipo porque ele é tão forte e rápido que se pode dar ao luxo de carregar este ornamento".
Publicado por Conta Natura às julho 27, 2005 11:50 PM
Comentários
Interessante tambem a ideia da gestao de recursos - os machos poderiam usar os alimentos e energia que dispendem na criacao da plumagem para criar mais musculo, correr mais depressa, ou simplesmente nao arriscar uma busca de alimento que so ira ser usado para fins esteticos. No entanto a competicao ou pressao evolutiva fez com que todos os machos usem recursos preciosos para este fim. Um exemplo de economia liberal, talvez? Ou talvez estes machos estejam a mostrar que tem mais 'disposable income'?
Publicado por: Maya às julho 28, 2005 10:29 AM
"Ou talvez estes machos estejam a mostrar que tem mais 'disposable income'?" Sempre pensei que fosse isso. Mais beleza não implica mais saúde?
Publicado por: anonymous às julho 29, 2005 10:19 AM
Ora aí está um assunto sobre o qual há sempre tanto para olhar, perdão, dizer...
Publicado por: moStrenGo adamastoR às julho 29, 2005 12:38 PM
Maya, defina economia liberal.
Publicado por: Super Peninha às julho 29, 2005 09:02 PM