« Jeff´s view | Entrada | A Vida, após 100 anos de física quântica… »
janeiro 07, 2005
Inter-Cidades
A principal conclusão foi que os tempos estão a mudar, é preciso agarrar as oportunidades que estão a surgir em paletes com ambas as mãos e que quem precisa de emprego em Portugal basta querer obtê-lo. Força, camaradas, etc e tal. Isto, curiosamente, foi o discurso dos vários cientistas (e não só) portugueses convidados para o encontro, todos já com emprego permanente em instituições de ensino portuguesas. Adiante.
Temas quentes:
1. A concentração da investigação científica Portuguesa em determinadas áreas para aumentar a competitividade – sim ou não? A opinião de Matthias Hentze, da EMBL, e de Mary Ritter, do Imperial College foi de que deve-se permitir uma selecção natural em que áreas mais produtivas (em qualidade, claro) sejam mais beneficiadas. Não deve, no entanto, ser imposta uma ordem externa de prioridades. O presidente da FCT mencionou, no entanto, a criação de blocos de investigação e o abandono de pequenos grupos.
2. As universidades Portuguesas como "forças de bloqueio". A única informação concreta que se tirou foi a de que o estatuto da carreira docente já está há 20 anos para ser mudado e que o estatuto revisto que neste momento está em proposta à Assembleia já vai na 16ª versão.
3. A investigação clínica em Portugal.A FCT defende que o estatuto de investigador clínico é da competência do Ministério da Saúde. Pelo lado positivo, os médicos já podem fazer parte do internato num laboratório em vez do percurso normal. E já faz parte da avaliação de um hospital a quantidade e qualidade da investigação que se faz lá.
Ideias para o futuro:
1. O António Jacinto falou de uma associação para fomentar parcerias da ciência com a indústria, divulgar a ciência em Portugal junto de não cientistas e outros objectivos nobres. Já existe -chama-se ASSOCIAÇÃO VIVER A CIÊNCIA- e podem devem fazer-se sócios.
2. Os alunos do PGDB2 (programa de doutoramento do Instituto Gulbenkian de Ciência) estão a pensar em fazer encontros científicos temáticos totalmente organizados por estudantes de doutoramento portugueses. Há bolsas a que se podem candidatar e é preciso mais pessoas interessadas na organização da coisa. Contactar o Alexandre ou o Eduardo:
anevesA.R.R.O.B.Afhcrc.org
eduardoslexandreA.R.R.O.B.Ayahoo.com
3. E, para mim, o melhor de todosos projectos:a criação de um calendário estilo ‘Women´s Institute’ de cientistas Portugueses.
Maya Mendiratta
Publicado por Conta Natura às janeiro 7, 2005 12:56 AM
Comentários
O email correcto, desse cromo que e' o Eduardo, e' eduardoaelxandre@yahoo.com e nao eduardoslexandre...
Publicado por: Eduardo A. Silva às janeiro 7, 2005 05:48 PM
Não concordo que o calendário seja o melhor projecto, porque gosto da ideia do encontro temático de doutorandos e, claro, da Associação Viver a Ciência. Mas estou curiosa. O pessoal vai mesmo tirar fotos em pelota?... E quem serão os participantes?... Estou a tentar não dar asas à minha imaginação.
Publicado por: SJA às janeiro 7, 2005 06:59 PM
Eu achei particularmente interessante o facto de um novo estatuto da carreira docente estar para aprovacao ha 20 anos. Isto e-nos apresentado como uma infelicidade, em que invariavelmente as legislaturas terminam, ou os ministros saem, ou ha ameacas de bomba, ou seja la o que for, precisamente na altura em que a lei deveria ir ao Parlamento. Obviamente, os lobbies do status quo sao demasiado poderosos para permitir essa mudanca. E ridiculo falar em coincidencias.
Publicado por: Ze às janeiro 7, 2005 07:47 PM
Muitas desculpas as pessoas serias. O calendario parece-me a melhor maneira de financiar futuros encontros cientificos de doutorandos e outros aprendizes academicos. Senao vejam: umas raparigas bonitonas, novinhas, com umas batas curtinhas quase a mostrar a bochecha, empunhando(!) umas pipetas automaticas e a dizerem com os olhos - acido desoxiribonucleico, beta mercaptoetanol, reaccao em cadeia da polimeraaaaaaaaaaaaaaaaseeeeeeeeeeeee ahhhhhhhhhh
Nao faltariam interessados e transformavam-se estas iniciativas de mao estendida em encontros luxuosos nas caraibas (ai Jamaica) ou no Mexico!
Publicado por: Miguel às janeiro 8, 2005 07:03 PM
Peco imensa desculpa ao Eduardo, a culpa e da Maria Joao que me deu o e-mail errado.
Quanto ao calendario, lamento informar que acho que nao ha propostas concretas para ja (ao contrario das outras ideias). E ainda nao se voluntariaram modelos. Mas nao te esquecas, Miguel, que poderiam ser homens tb... Olha que um calendario com fotos tuas acho que vendia tao bem que so por si financiava um encontro inteiro. Ou o proximo ano do PGDB....
Publicado por: Maya às janeiro 10, 2005 10:36 AM
Espero que ninguém me leve a mal esta pergunta:
E se o pessoal comentasse os pontos importantes em discussão, em vez de perder tempo com patetices?
Publicado por: P Vieira às janeiro 10, 2005 03:06 PM
Saúdo em primeiro lugar a criação de um espaço de coordenação entre os programas doutorais de Portugal nesta área. Certamente que este processo de construção de um espaço de coordenação necessitou de muito trabalho e de muita perseverança para que tal acontecesse. Parabéns portanto a todos
Em segundo lugar gostaria de lançar a debate a questão se o processo de desenvolvimento da política de ciência em Portugal deverá ser feito como na última década de modo competitivo e bottom-up sem qualquer coordenação estratégica dos actores ou de definição de objectivos no longo prazo.
O sistema de ciência, tecnologia e inovação em Portugal cresceu e estruturou-se principalmente nestes últimos trinta anos, e nomeadamente após a existência de fundos comunitários estruturais para esta área. É neste momento consensual que temos pessoas, organizações e infraestruturas. Resta agora saber o que vamos fazer com elas.
Do meu conhecimento, não existe um país na União Europeia nem os Estados Unidos, nem sequer as organizações inter-governamentais como a EMBO ou a EMBL ou mesmo o CERN, que não tenha uma estratégia de longo prazo, uma mistura de programas estratégicos com os do chamado “responsive mode” para o seu desenvolvimento. Quase que apetece dizer que a excepção é exactamente Portugal, podendo proventura argumentar-se que para a sua fase inicial de expansão tal modelo fosse o apropriado.
Centrando sobre as ciências da vida gostaria de lembrar que, apesar de muito mediáticas, é uma das áreas com menor volume de financiamento atribuído em Portugal nos últimos anos.
Será que não são competitivas?
Será que não têm instituições de qualidade?
Ou será que não têm recursos humanos de qualidade?
Será que o modelo de prioridades implícitas é o bom para o desenvolvimento das ciências da vida em Portugal e para a sua inserção na investigação europeia e mundial?
Publicado por: Luisa Henriques às janeiro 10, 2005 03:44 PM
Os Estatutos de Carreira Docente não estão propostos na Assembleia da República. Essa notícia é completamente falsa.
De acordo com a Constituição, os ECDs têm que ser antes debatidos com os sindicatos.
Não foram, nem vão ser.
A única proposta que estava na AR era a da famigerada Lei de Autonomia, que era um verdadeiro desastre e o pior texto legal que já alguma vez vi.
Contudo, acho que há urgência em fazer alterações aos ECDs. Na Universitária, criando mecanismos de desbloqueamento na carreira, promovendo o mérito absoluto (quadros de dotação global e não por categorias piramidais como até aqui). Na Politécnica, passando a baseá-la nos graus académicos e na produtividade científica e pedagógica. Em ambas, intercomunicação com a carreira de investigação e eliminação da confusão entre concursos de acesso ou ingresso à carreira e promoções de categorias.
Publicado por: Luis Moutinho às janeiro 11, 2005 01:59 PM
Antes de mais queria dar os parabéns aos "criadores" deste site... espero que fomente a interligação entre cientistas lusófonos...
Gostei da intervenção da Luísa pois acho que é essencial estabelecer o que é que se quer da Ciência feita em Portugal.
Queremos algo que nos dê reconhecimento internacional (e aqui acho que só lá vamos pela especialização numa ou duas àreas de investigação) ou que fique como está em que todos os professores universitários tem algum dinheiro para "brincar" aos cientistas (não quero ofender ninguém, mas eu considero que fazer investigação científica com 500 contos por ano é "brincar" aos cientistas)?
Para mim, a solução será algo intermédio, em que haverá duas ou três àreas (não mais do que isso) em que o investimento será muito forte e que permita concorrer a nível internacional (cerca de 70% do investimento), havendo outras àreas onde o investimento é forte (cerca de 20% do investimento), sendo que o resto dos 10% terá de ser distribuído por novos investigadores (independentemente da àrea) cujo projecto é suficientemente atractivo para merecer uma oportunidade para mostrarem se merecem ou não continuar a receber investimento. Na totalidade, menos de 30% dos docentes universitários iriam receber $$, mas qdo recebessem permitia realizar "investigação" a sério...
Claro que esta questão terá implicação nas carreiras docentes e não só, pois vamos ter os docentes universitários que fazem investigação e os que dão aulas (que eu acho que deveria ser a principal função de um docente universitário)...
Um abraço
André
Publicado por: André às janeiro 19, 2005 09:47 PM