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outubro 10, 2004
"Comessiá"
Mesmo sendo possuidor de uma visão relativamente perfeita, não deixo de me sentir considerado como “caixa d’óculos” aos olhos de quem me oiça falar do que faço na vida.
No outro dia, quando fui jantar à casa da Mimi, uma senhora de Nova Iorque com quinze operações plásticas no palmarés e um orgulho pouco discreto nos leões de mármore italiano que tem no pátio de casa, envergonhei-me como de costume. "Colher virgens?!"- disse ela meio a rir meio a querer dizer "you fucking nerd!".
Depois do salário, é este o aspecto mais desagradável da minha profissão. De uma vez por todas, cidadãos: “o que é?” não é menos importante como questão do que “para que serve?” Sem isto entendido nunca mais poderá a minha mãe encontrar a desenvoltura para explicar às amigas o que anda o filho dela a fazer lá por fora. Por agora, a cada vaga tentativa que a coitadinha empreende, as amigas, por compaixão ou confusão, acabam sempre convencidas a alta voz que o moço da Deolinda anda a estudar Medicina de Genética no estrangeiro e que vai ganhar muito dinheiro...
Ó mãe, eu não ando a bater punhetas a grilos! Pelo contrário, disseco ovários a moscas. Não é para descobrir a cura do cancro nem para vender uma patente. É só porque gosto de fazer experiências com esses bichos e usar a Genética como meio para esclarecer mecanismos que determinam a arquitectura de um ovo. Acho isso muito mais interessante que desenhar casas e estradas ou tentar entender as leis herméticas que ditam as tempestades da Macroeconomia.
Para quem quiser saber mais acerca deste cativante estilo de vida, começo agora um diário. O objectivo é demonstrar quantas sístoles perdemos com um laboratório. Escreverei a rir. Chamo-me Vítor, mas o meu nome-de-guerra poderia muito bem ser “Come-se-há”.VBarbosa
No outro dia, quando fui jantar à casa da Mimi, uma senhora de Nova Iorque com quinze operações plásticas no palmarés e um orgulho pouco discreto nos leões de mármore italiano que tem no pátio de casa, envergonhei-me como de costume. "Colher virgens?!"- disse ela meio a rir meio a querer dizer "you fucking nerd!".
Depois do salário, é este o aspecto mais desagradável da minha profissão. De uma vez por todas, cidadãos: “o que é?” não é menos importante como questão do que “para que serve?” Sem isto entendido nunca mais poderá a minha mãe encontrar a desenvoltura para explicar às amigas o que anda o filho dela a fazer lá por fora. Por agora, a cada vaga tentativa que a coitadinha empreende, as amigas, por compaixão ou confusão, acabam sempre convencidas a alta voz que o moço da Deolinda anda a estudar Medicina de Genética no estrangeiro e que vai ganhar muito dinheiro...
Ó mãe, eu não ando a bater punhetas a grilos! Pelo contrário, disseco ovários a moscas. Não é para descobrir a cura do cancro nem para vender uma patente. É só porque gosto de fazer experiências com esses bichos e usar a Genética como meio para esclarecer mecanismos que determinam a arquitectura de um ovo. Acho isso muito mais interessante que desenhar casas e estradas ou tentar entender as leis herméticas que ditam as tempestades da Macroeconomia.
Para quem quiser saber mais acerca deste cativante estilo de vida, começo agora um diário. O objectivo é demonstrar quantas sístoles perdemos com um laboratório. Escreverei a rir. Chamo-me Vítor, mas o meu nome-de-guerra poderia muito bem ser “Come-se-há”.VBarbosa
Publicado por Conta Natura às outubro 10, 2004 01:58 AM
Comentários
Percebo que não se faça as duas coisas ao mesmo tempo. Bater ... a grilos e brincar com ovários de mosca, poderia resultar num estranho insecto assobiador
Publicado por: GIN às outubro 10, 2004 10:55 PM